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UE-Mercosul: barco encalhado há 17 anos dá sinais de se mover

© Marcello Casal/Agência BrasilDólar investimento
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Começa esta semana em Bruxelas mais uma rodada de negociações entre representantes dos países do Mercosul e da União Europeia em busca de um acordo que está empacado desde 1999. A expectativa de boa parte do empresariado brasileiro é de que, embora difíceis, as conversas tendem a evoluir rumo a um breve consenso.

Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o presidente Conselho Empresarial da América Latina (CEAL), Ingo Plöger, diz que a tendência de ambos os lados é acelerar o procedimento. 

"Depois de tantas tentativas desde 1999, em 2004 estávamos tão próximos (de um acordo), a troca de ofertas foi feita, e agora vamos entrar na questão de negociar de fato. Temos diferenças. O lado da EU é resistente a uma série de itens do agronegócio do Mercosul e do nosso lado temos algumas restrições relativas a importações industriais, mas temos a esperança de que a motivação de ambos os lados sejam diferentes depois do Brexit (a saída da Grã-Bretanha do bloco europeu) e da modificação das direções políticas na Argentina e no Brasil."

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Plöger diz que a saída da Grã-Bretanha do bloco, em tese, não é uma boa notícia, uma vez que o país atuava como aliado da liberalização comercial. Por outro lado, segundo o dirigente, a UE está se isolando vez mais. O acordo entre Estados Unidos, Canadá e México e a Europa também está mais distante, o que pode pressionar os europeus a buscarem uma nova abertura econômica. 

Um dos pontos de maior resistência a um acordo tem sido ao longo de mais de uma década justamente o forte protecionismo agrícola que muitos governos europeus dão a seus produtores. Para Plöger, isso é incompreensível é incompreensível nos dias de hoje. 

"Países europeus que são líderes incontestes em várias tecnologias, como a aeroespacial, da internet das coisas e da mobilidade e interatividade, se seguram em questões como a produção de açúcar, uma das indústrias mais antigas que existem no mundo. O Brasil já tinha moendas de açúcar por volta de 1500. Você vê a mesma coisa com o etanol e outros temas em que temos alta competitividade como nas fibras, nas proteínas animais e vegetais onde investimos muito no Mercosul em pesquisa e desenvolvimento durante muitos anos em uma cadeia produtiva que hoje é excelência mundial."

Plöger afirma que os europeus têm excelência mundial em vários setores em que estão pedindo abertura e o Mercosul faz o mesmo em suas áreas de excelência.

"É muito justo que eles deixem de proteger uma agricultura totalmente obsoleta e que há mais de 60 anos é protegida e não é mais adequada ao mundo contemporâneo. Acredito que será uma negociação difícil, dura, mas necessária. Temos resistências enormes, não só da França, mas da Irlanda, um país pequeno, que tem uma indústria de carne muito pequena e se sente ameaçada pela América do Sul. Se não fizéssemos isso com nossos sistemas de informática e automotivo, onde estaríamos? O que vale para um vale para o outro. É o jogo da competitividade internacional. Estamos nos abrindo e precisamos que façam o mesmo."


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