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Antecipação de eleição presidencial, com aumento de protestos, ainda divide especialistas

© Tânia Rêgo/Agência BrasilGrito dos Excluidos
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As crescentes manifestações que vêm ocorrendo em várias cidades do Brasil contra o governo do presidente Michel Temer, como as da última quarta-feira, 7, com o Grito dos Excluídos, teriam força para pressionar os parlamentares a convocarem um plebiscito para saber se a população quer a antecipação de eleições presidenciais?

Há quem aposte que a intensificação desses movimento pode, sim, pressionar os parlamentares, mas há também que, além de não ver decisão política para essa convocação no Congresso, ainda veja como obstáculo o prazo de até 31 de dezembro.

Luiz Araújo, presidente nacional do Psol, é um dos que acredita em mudanças com a voz das ruas.

"Nossa geração nesse momento está aprendendo na prática uma das regras da ciência política: nenhum governo se sustenta sem legitimidade, mesmo os autoritários precisam de legitimidade. O que assistimos recentemente nesse período de impeachment foi como a perda de legitimidade pode facilitar um golpe institucional. Na semana anterior, nas manifestações no Rio e em São Paulo, e ontem (quarta) nas capitais e em muitas cidades, se mostrou o crescimento de uma insatisfação, com muitos jovens voltando às ruas, muito parecido com 2013 que começou pequeno e foi subestimado pelas autoridades e pelo governo Dilma e de repente começou a ter uma forte influência, ainda que difusa, na política nacional."

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A diferença entre 2013 e agora, na avaliação do presidente do Psol, é a volta da juventude e de uma parcela da população contra a continuidade do governo, o que pode colocar, a curto prazo, o governo em cheque. 

"Se vai ter força para sensibilizar, é uma pergunta difícil de responder. Depende do grau de disseminação, do grau de assertividade. Ao contrário de 2013, existe uma palavra de ordem que unifica: eleições antecipadas, ou seja, Diretas Já. Em 2013, você tinha uma panela de pressão que se abriu, mas não tinha um alvo definido. Essa tem um alvo, que é ilegitimidade do governo Temer e uma palavra para solucionar que é eleições diretas."

Mais cético sobre a possibilidade de um plebiscito e de antecipação de eleições, o senador Telmario Mota (PDT-RR) diz que a voz das ruas é importante, mas não necessariamente decisiva.

"O Congresso não tirou o apoio à presidente Dilma pelas forças das ruas, não. A força das ruas foi o álibi que eles buscaram para alegar que as ruas queriam a saída dela. A verdade foi a falta de entendimento com os parlamentares. Nesse ponto o Temer é especialista. Ele foi presidente da Câmara por várias vezes, e ele é muito mais habilidoso. Ele deve trabalhar com o Congresso com mais atenção, atender mais a demanda."

Para o senador por Roraima, o sistema político é que deve ser mudado, pois com a atual quantidade de partidos hoje no Brasil fica muito difícil alguém governar.

"Hoje eu vi uma fala do Fernando Henrique Cardoso muito interessante: ‘todo mundo quer tirar uma casquinha do Estado.’ Em vez de o cara ser parlamentar, legislador, ele acaba querendo ser Executivo. Isso faz parte da cultura que hoje reina dentro do Congresso, e com isso eles acabam fechando os ouvidos a esse grito de rua."

Na opinião de Mota, com as medidas que provavelmente virão, como terceirização, mudanças na Previdência, entre outras as manifestações tendem a recrudescer.

 O senador justifica seu ceticismo quanto a eleições antecipadas nesse momento.

"Não vejo nenhuma vontade política nesse sentido. O PT governava com o PMDB, se ajoelhava ao PMDB, que tinha mais cargos, mais ministérios e acabava tendo maior comando. Hoje o PMDB está no comando maior, mas está governando com o PSDB. O PMDB é radicalmente contra proposta de eleição direta agora, porque não tem quadro para disputar. O Hitler foi eleito num momento desses por um povo que intelectualmente estava mais preparado. De repente, sai um Bolsonaro desses da vida. Temos bons nomes, mas talvez eles estejam mornos. O PSDB também não tem quadros e há um litígio entre eles."

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