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Policiais afirmam: Forte esquema de segurança no Rio não inibe a criminalidade

© Fernando Frazão/ Agência BrasilForça Nacional de Segurança
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Apesar de os quase 90 mil agentes de segurança pública estarem atuando no megaesquema de proteção dos Jogos do Rio 2016, permanecem as ações criminosas na cidade. A prova está nos assaltos que continuam acontecendo, nos ataques a ônibus e nos tiros disparados contra integrantes da Força Nacional.

Para o oficial reformado da Polícia Militar, Coronel Paulo César Amêndola, comentarista de Segurança Pública, “os marginais nunca irão parar de orquestrar crimes”. Fundador do BOPE – Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar, unidade de elite da corporação, Amêndola não descarta a possibilidade de os criminosos estarem querendo desafiar as autoridades com a onda de violência que têm provocado:

"É possível que alguns deles estejam dando para as autoridades o recado de que estão vivos, que podem atuar e ameaçar a segurança da população”, diz o especialista. “Mas, apesar do grande efetivo policial e militar na cidade, trata-se de um contingente que está mais voltado para a segurança das instalações olímpicas, dos participantes das competições e das pessoas que vieram ao Rio assistir às provas. É evidente que o policiamento regular da cidade não foi afetado, porque os contingentes da Força Nacional, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e do Exército ocupando as áreas de interesse olímpico liberaram espaço para que a Polícia Militar possa agir. Entretanto, a marginalidade não para, e mesmo um efetivo bem maior de segurança não consegue evitar os seus crimes."

Outro fator que estimula a atuação dos marginais é o grande número de dificuldades que as Polícias Civil e Militar estão enfrentando para cumprir as suas tarefas do dia a dia. Quem diz isso é o ex-presidente e hoje diretor do Sindicato dos Policiais Civis do Rio de Janeiro, Fernando Bandeira:

"A situação é muito precária. O efetivo da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, segundo uma lei de 1983, deve ser de 22 mil policiais. Hoje, nós trabalhamos com menos de 10 mil. Ora, o efetivo sendo pequeno, com as condições de trabalho cada vez mais precárias, dispondo de poucas viaturas, pouco combustível, não se pode fazer muita coisa. A Polícia Civil não pode, por exemplo, realizar a contento a sua principal função, o trabalho de investigação. Os policiais civis do Rio recebem baixos salários e, ao contrário dos policiais que vieram de outros Estados, não receberam qualquer adicional ou gratificação para trabalhar na segurança das Olimpíadas. Tudo isso dificulta a ação do policial."

O policial Fernando Bandeira conclui:

"Por maior que seja o esforço da corporação, sempre haverá problemas como um caso mal resolvido e uma investigação feita de forma inadequada. A Polícia Militar enfrenta estas mesmas dificuldades. Entretanto, nós não deixamos de reconhecer o esforço do Governo Federal no apoio à segurança do Rio de Janeiro ao enviar para cá efetivos da Força Nacional, da Polícia Federal, da Polícia Rodoviária Federal e das Forças Armadas."   

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