Pesquisa: Reino Unido entrou na guerra no Iraque antes disso ser o último recurso

© AFP 2022 / STEPHEN HIRD / POOLSoldados da artilharia britânica recebem um canhão lançado do helicóptero, península Fao, sul do Iraque, março de 2003
Soldados da artilharia britânica recebem um canhão lançado do helicóptero, península Fao, sul do Iraque, março de 2003 - Sputnik Brasil
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Hoje (6), a comissão especial divulgou os resultados da investigação das ações do governo Blair tomadas antes da intervenção no Iraque.

O coordenador do inquérito John Chilcot afirmou nesta quarta-feira (6), durante a apresentação do relatório sobre o envolvimento britânico na guerra no Iraque, que o Reino Unido entrou na guerra sem o apoio da maioria dos membros do Conselho de Segurança da ONU.

"Sem o apoio à campanha militar da maioria [dos membros do Conselho de Segurança da ONU], consideramos que o Reino Unido, com efeito, minou o prestígio do Conselho de Segurança da ONU", disse.

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As razões legais para realizar uma invasão não eram suficientes.

"Concluímos que o Reino Unido escolheu se juntar à invasão antes de ter esgotado todas as possibilidades de desarmamento pacífico… As ações militares naquela altura não eram o último recurso", declarou Chilcot.

A invasão não era necessária porque as sanções introduzidas contra o regime iraquiano eram eficientes. O Iraque não era capaz de criar armas nucleares. O governo de Tony Blair tomou esta decisão partindo de dados de inteligência incorretos.

© AFP 2022 / JEFF J MITCHELL / POOLCoordenador do inquérito do envolvimento britânico na guerra no Iraque John Chilcot apresenta relatório, Londres, Reino Unido, 6 de julho de 2016
Coordenador do inquérito do envolvimento britânico na guerra no Iraque John Chilcot apresenta relatório, Londres, Reino Unido, 6 de julho de 2016 - Sputnik Brasil
Coordenador do inquérito do envolvimento britânico na guerra no Iraque John Chilcot apresenta relatório, Londres, Reino Unido, 6 de julho de 2016

Apesar de todos os avisos, "as consequências da invasão foram menosprezadas".

"As condições em que se decidiu que havia base legal para iniciar operações militares estavam longe de ser satisfatórias", afirmou Chilcot.

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O coordenador do inquérito disse que o então primeiro-ministro britânico Tony Blair tem sido informado sobre a ameaça crescente do Al-Qaeda ao Reino Unido. Segundo Chilcot, as consequências da invasão são perceptíveis até agora e são os iraquianos que sofreram mais que os outros. 

A guerra no Iraque se iniciou em março de 2003 com a invasão do território do país pelas tropas dos EUA e seus aliados, do Reino Unido, em particular, com o objetivo de derrotar o regime de Saddam Hussein. A questão do envolvimento britânico provocou uma divisão no governo de Blair. A decisão de enviar tropas foi tomada somente após a declaração de Blair de que Hussein possuía armas de destruição em massa que não foram encontradas no país. Desde setembro de 2010, as autoridades norte-americanas anunciaram oficialmente o fim da operação militar no Iraque.

Em resultado de invasão morreram 200 soldados britânicos e mais de 150 mil iraquianos.

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