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Fortalecimento militar da OTAN mina reaproximação entre Rússia e Turquia

© AFP 2021 / ADEM ALTANPresidente russo Vladimir Putin durante a entevista coletiva conjunta com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, Ancara, Turquia, 1 de dezembro de 2014 (foto de arquivo)
Presidente russo Vladimir Putin durante a entevista coletiva conjunta com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, Ancara, Turquia, 1 de dezembro de 2014 (foto de arquivo) - Sputnik Brasil
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A instalação de sistemas da defesa antimíssil na Turquia pode interferir com o recente "degelo" nas relações entre Moscou e Ancara, opinam especialistas em declarações à Sputnik.

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A Aliança Atlântica tem vindo a instalar sistemas de mísseis Patriot na Turquia sob pretexto de uma ameaça de ataques de mísseis proveniente do território sírio, declarou na quinta-feira (30) à Sputnik o embaixador russo à OTAN Aleksandr Grushko.

Na segunda-feira (27) o porta-voz do presidente russo Dmitry Peskov disse que o presidente turco Recep Tayyip Erdogan na carta dirigida a Vladimir Putin pediu desculpas por um caça turco ter abatido um avião russo Su-24 e apresentou condolências à família do piloto morto no acidente.

O especialista em geopolítica e redator-chefe do site StopImperialism.org Eric Draitser disse, em declarações à Sputnik:

"É isso que leva os Estados Unidos e a OTAN a tentar e escalar e militarizar… [bem como] evitar quaisquer tentativas por parte do governo turco de uma  reaproximação legítima a Moscou".

O mesmo especialista sublinhou que a Rússia pode agora fazer exigências à Turquia porque a visão de Erdogan sobre o derrube do presidente sírio Bashar Assad e a sua substituição por um governo liderado pela Irmandade Muçulmana (movimento islâmico declarado terrorista e proibido na Rússia) se tornou um "sonho impossível" para o presidente turco.

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Ainda de acordo com Draitser, os Estados Unidos e a OTAN têm usado a Turquia como a sua vanguarda na "guerra" contra a Rússia, que ora para, ora recomeça. 

Enquanto isso, sinais recentes indicam que a Turquia pode querer retornar o seu estatuto prévio de membro "não alinhado" da OTAN, ao que Washington resiste porque quer ver Ancara como aliado obediente.

"A Turquia tem a posição perfeita para jogar em ambos os lados do conflito entre o Oriente e o Ocidente, mas ela não pode fazer isso se não melhorar as relações com a Rússia, sublinha Draitser.

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David Kearn, professor da St. John's University (Nova York) declarou à Sputnik que Erdogan é um dos líderes mais difíceis de compreender, especialmente tendo em conta a sua política externa muito "desconcertante":

"O jogo duplo de permitir o fluxo de voluntários europeus rumo à Síria para lutar a favor do ISIS [também conhecido como Daesh e proibido na Rússia] e ao mesmo tempo fazer parte da coalizão anti-ISIS foi claramente um tiro pela culatra, o que era completamente previsível", disse Kearn.

Comentando a implantação dos sistemas de mísseis Patriot na Turquia pela OTAN, o especialista acha que existem razões legítimas porque Ancara pode querer fortalecer a sua defesa.

"Eu não rejeitaria a ameaça [da Síria] completamente… A Síria ainda tem supostamente aproximadamente 100 sistemas móveis de mísseis balísticos de curto alcance, principalmente baseados em velhos modelos SCUD [de origem soviética]," notou.

Wilson Michael Kofman, acadêmico do centro Woodrow, declarou à Sputnik que o compromisso entre a Rússia e a Turquia é inevitável e permitirá a ambos os países e, o que é mais importante, aos seus líderes, salvar a face relativamente o caso do avião abatido russo. No entanto, "eu suspeito que o anterior grau de cooperação e confiança não será restaurado".

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