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Manifestantes fazem, em São Paulo, ato em defesa da Petrobras e do pré-sal

ENTREVISTA COM JOÃO CAYRES 2 DE 24 06 16
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Manifestantes convocados pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Frente Única dos Petroleiros (FUP), Frente Brasil Popular e Brasil sem Medo realizaram nesta sexta-feira, 24, um grande ato em frente ao prédio da Petrobras, no Centro de São Paulo, em defesa da estatal e contra os novos planos para o pré-sal anunciados pelo governo interino.

"O Eduardo Cunha fez escola ali (nesse novo governo) em uma manobra em que aprovaram o chamado Estatuto das Estatais, que prevê a privatização de várias empresas no Brasil. A questão da Petrobras é algo que já vem em disputa há algum tempo, desde o governo Fernando Henrique, quando eles tentaram privatizar a empresa, inclusive substituindo o nome Petrobras por Petrobrax, gastando milhões com um slogan que fizesse o nome soar mais anglo-saxão, mas com as lutas no passado a gente impediu isso", disse, em entrevista exclusiva à Sputnik, João Cayres, secretário-geral da CUT em São Paulo.

Segundo o sindicalista, a luta agora é contra a tentativa do governo interino de querer entregar a maior empresa do Brasil e uma das maiores empresas de energia do mundo. Cayres lembra que essas vozes, até há bem pouco tempo, falavam que a história do pré-sal era mentira e que a Petrobras não tinha condições de explorar petróleo em tão grande profundidade, embora a Petrobras seja a única a fazer isso hoje. O secretário geral da CUT diz ainda que houve grandes avanços não só com a Lei da Partilha, como também em relação ao pagamento dos royalties do petróleo, em que 75% dos recursos ficariam com a educação e os outros 25% com a saúde. 

"Isso é pensar o país, pensar o futuro da nossa nação com o dinheiro oriundo do petróleo, assim como foi feito na Noruega. O que eles querem agora apresentar para o Brasil é o que foi feito na Nigéria, o que é um horror. Essas pessoas que assumiram o governo através de um golpe faziam o mesmo discurso, que éramos incapazes de produzir os navios petroleiros aqui, mas foi nesses últimos 12 anos, através dos governos Lula e Dilma, que houve essa mudança. Antes a gente importava navio de Singapura, da Coreia. Um país tão grande como o nosso, com oito mil quilômetros de litoral e milhares de rios não produzia navios."

Com relação ao argumento de que o alto endividamento da empresa é um dos impeditivos para que ela continue com a participação de 30% nos projetos de partilha onde opera, Cayres diz que "isso é conversa para boi dormir".

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"Eles assumem, fazem um discurso bonito, vendem para o mercado, mas o interesse é abrir nossas reservas de petróleo, algo que no mundo inteiro vem sendo usado de forma estatal, até na maior do mundo, a Aramco, na Arábia Saudita, e na Rússia, que tem um controle estatal muito forte. A grande maioria das petrolíferas hoje tem controle estatal, tem investimento porque eles sabem do valor estratégico que têm não só o petróleo como o gás. Hoje o Brasil é referência disso, graças aos investimentos que foram feitos nos últimos anos, quando se descobriu o pré-sal. Hoje o Brasil só fica atrás da Arábia Saudita, da Rússia, da Venezuela e do Irã. É um dos maiores produtores de petróleo do mundo e pode crescer mais ainda. No pré-sal, estamos produzindo mais de um milhão de barris por dia desde março, e 30% da gasolina produzida hoje no Brasil são oriundos do petróleo do pré-sal."

O sindicalista afirma que esse é o mesmo discurso feito nos anos em que governaram. 

"O Pedro Parente (atual presidente da Petrobras) foi um dos que estavam no governo do Fernando Henrique e tem esse discurso privatista, feito para descaracterizar a empresa, para justificar lá na frente a privatização. Eles vão deixar de fazer investimentos, deixar a empresa inviável para depois dizer que ela não serve para nada e entregar para o capital internacional. Tanto é que um dos novos diretores da empresa veio da Shell, uma concorrente da Petrobras. Eles pegam esse discurso de corrupção e outras coisas mais para querer destruir a maior empresa brasileira." 

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