Chantagem aceita? Obama desfruta 'hospitalidade' de financiadores dos ataques de 11/09

© REUTERS / Kevin LamarquePresidente dos EUA Barack Obama conversa com o rei saudita Salman bin Abdulaziz, durante visita à Arábia Saudita
Presidente dos EUA Barack Obama conversa com o rei saudita Salman bin Abdulaziz, durante visita à Arábia Saudita - Sputnik Brasil
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Teria a Casa Branca enviado uma mensagem para as famílias das vítimas do atentado de 11 de setembro e para o mundo de que os EUA vão se curvar às exigências dos financiadores do terrorismo?

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Em julho passado, a Casa Branca revelou um memorando de 47 páginas, oriundo de uma investigação do FBI de 2003, que provava que altos funcionários da Arábia Saudita haviam financiado e orquestrado os devastadores ataques de 11/09/2001.

Os documentos receberam nova atenção após o ex-senador democrata Bob Graham, da Flórida, ter pressionado o governo Obama no último dia 10 de abril para tornar públicas 28 páginas do relatório da Comissão do 11/09 que detalham a conexão saudita na trama.

O relatório estabelece que Ghassan al Sharbi, um extremista da al-Qaeda capturado no Paquistão e atualmente detido na Baía de Guantânamo, em Cuba, recebeu um envelope da embaixada saudita em Washington contendo seu itinerário de voo. Al Sharbi frequentou um escola de pilotos com os sequestradores do 11/09, mas acabou não participando dos ataques.

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Abdullah bin Laden, meio-irmão do infame líder da Al-Qaeda Osama bin Laden, foi designado para a embaixada da Arábia Saudita em Washington como um oficial administrativo antes de a representação diplomática ter enviado o itinerário de voo a al Sharbi. 

Outro cúmplice do ataque, Hamad Alotaibi, visitou um sequestrador do 11/09 pouco antes dos atentados e também servira na embaixada saudita em Washington, na divisão militar da missão. 

Além disso, a embaixada da Arábia Saudita também pagou a passagem aérea de Mohammed al-Qudhaeein e de Hamdan al-Shalawi, estudantes sauditas que supostamente participaram de um “ensaio” para os ataques de 11/09, durante um voo em 1999.

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Após as revelações — e das renovadas pressões para responsabilizar criminalmente a Arábia Saudita e permitir que as famílias das vítimas processassem o governo saudita em um tribunal dos EUA —, o ministro das Relações Exteriores do reino, Adel al-Jubeir, ameaçou desfazer os investimentos sauditas que somavam US$ 750 bilhões em ativos do Tesouro dos EUA.

Muitos legisladores norte-americanos, incluindo o senador Bernie Sanders, que atualmente luta pela nomeação do Partido Democrata para concorrer à presidência dos EUA, denunciaram a ameaça saudita, pedindo ao governo Obama para enfrentar a “chantagem” do regime.

O presidente Obama imediatamente prometeu vetar qualquer legislação que daria às famílias das vítimas o direito de processar a Arábia Saudita, e tomou uma postura evasiva sobre a liberação das 28 páginas editadas do relatório da Comissão do 11/09.

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Na quarta-feira (20), Obama teve um encontro cara-a-cara com o rei saudita Salman bin Abdulaziz em Riad, onde ele supostamente teria empregado uma retórica agressiva em relação ao Irã, principal adversário regional da Arábia Saudita, afirmando que os EUA continuam nutrindo "sérias preocupações" a respeito de Teerã.

Por outro lado, em uma demonstração única de desrespeito a um presidente norte-americano em exercício, o reino saudita enviou uma modesta delegação de baixo escalão para receber Obama quando ele desembarcou em Riad, com o rei Salman recusando-se a cumprimentar o líder norte-americano no aeroporto.

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