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Mulheres sírias nas linhas de combate

© Sputnik/Khaled Al-KhatibCorrespondentes de guerra sírias Aurora Isa (esquerda) e Samar Abbas (direita)
Correspondentes de guerra sírias Aurora Isa (esquerda) e Samar Abbas (direita) - Sputnik Brasil
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A mulher síria, durante os anos de uma dura guerra declarada ao seu país por grupos radicais armados, se transformou no símbolo do sofrimento e do luto. As correspondentes de guerra como Samar Abbas e Aurora Isa, entretanto, mostram que o povo sírio está longe de desistir do seu país.

A Síria é retratada pela mídia árabe como uma mulher ensanguentada, que se mantém de pé, apesar dos sofrimentos e das perdas. No entanto, entre todas as mulheres que participam de modo imediato da guerra, há algumas que a própria população síria destaca. Trata-se de correspondentes de guerra que, desde o primeiro dia do “caos armado” no país, arriscam as vidas para obter as informações em primeira mão das linhas de combate. 

Essas mulheres, de capacetes e coletes a prova de balas com distintivo da imprensa, já inscreveram seus nomes na história da República Árabe da Síria e são verdadeiras defensoras do seu país.  

A agência Sputnik entrevistou algumas correspondentes de guerra e perguntou, por que elas optaram por deixar a vida civil e se empenhar no trabalho no centro das ações militares.

Posso até morrer, mas consigo a imagem

© Sputnik/Khaled Al-KhatibCorrespondente de guerra síria Samar Abbas
Correspondente de guerra síria Samar Abbas - Sputnik Brasil
Correspondente de guerra síria Samar Abbas
Samar Abbas, que no início da guerra se alistou como voluntária para a milícia armada de apoio ao exército sírio e depois se tornou correspondente de guerra, acha que assim ela defende a honra e a dignidade de todas as mulheres sírias.

“A mentira e a hipocrisia da mídia me provocou a ingressar na profissão de jornalista de guerra. Quando a mídia publicava fotografias forjadas de manifestações populares em Damasco, eu me dirigia imediatamente para as localidades mencionadas e fotografava toda a verdade. Para que as pessoas vissem que não havia manifestação alguma ali”, disse Samar.

Uma miliciana da Unidade de Proteção do Povo (YPG) curda posa para uma foto com sua arma, na cidade síria de Ain Issi, cerca de 50 quilômetros norte de Raqqa, o chamado capital do Estado Islâmico. - Sputnik Brasil
Comandante das YPJ: mulheres respondem por 45% das forças militares curdas na Síria
Segundo Samar, sua atividade era, inicialmente, uma reação às notícias fabricadas sobre os acontecimentos no seu país. O momento de ruptura, entretanto, o momento no qual ela decidiu vestir o uniforme militar e se transformar em correspondente de guerra, foi uma reportagem de seus colegas da cidade de Jisr al-Shughur sobre assassinato em massa de policiais e alguns civis, e logo depois, o atentado terrorista no bairro de Kafar Sousah de Damasco. Sua primeira cobertura foi em Ghouta, no subúrbio de Damasco.

“Me descloquei para a frente de Ghouta Oriental e comecei a trabalhar lado a lado com o meu marido, que morreu em 2013. Sua morte heroica me deu forças para continuar o seu trabalho e realizar a cobertura de todas as ações do nosso exército em outras frentes de batalha. Meu único objetivo é — morrer pelo país, ou apresentar a cobertura da nossa vitória”, complementou Samar.

Mesmo depois de ter sido seriamente ferida em resultado de ataques de mísseis e morteiros na região de Hama, Samar não cogita em abandonar a profissão. Ela afirma que o pensamento sobre os seus colegas que perderam a vida para cobrir o conflito do exército sírio com os terroristas não permite que ela se aposente. 

“Mulher-bomba” com uma câmera

© Sputnik/Khaled Al-KhatibAurora Isa, correspondente de guerra síria
Aurora Isa, correspondente de guerra síria  - Sputnik Brasil
Aurora Isa, correspondente de guerra síria
Aurora Isa foi apelidada de brincadeira pelos soldados de “mulher-bomba”. Segundo eles, a jornalista sempre “sai atropelando” tudo com a câmera para, literalmente, “arrancar” uma imagem da linha de frente de combate. Ela encara a sua profissão como o maior tributo que pode oferecer ao seu povo. Aurora estudou para ser jornalista. Ser correspondente de guerra sempre foi um desejo, mas nunca pensou que fosse se realizar. Com o início da guerra síria ela entendeu, porém, que pode servir ao seu país somente na qualidade de correspondente militar. 

“Quando meu irmão morreu em batalha, isso serviu de convocação para mim. Naquela ocasião eu fiquei em frente a todos prometi que vou defender o meu povo com as minhas armas, com o jornalismo. Desde então eu sigo o tempo todo para a frente de batalha com os meus companheiros armados”, disse Aurora. 

Seu trabalho começou quando uma das milícias populares armadas de apoio ao exército da Síria pediu  para que se tornasse sua jornalista permanente. Ali ela demonstrou coragem e destemor à morte, filmando reportagens sobre as operações militares.

“Depois do que eu vi durante a guerra, compreendi que a vida é um caminho para a dignidade. A vida pode acabar em um segundo e aquilo que você deixa de si para as páginas da história é algo muito importante”, concluiu Aurora. 

© Sputnik/Khaled Al-KhatibAurora Isa, correspondente de guerra síria
Aurora Isa, correspondente de guerra síria  - Sputnik Brasil
Aurora Isa, correspondente de guerra síria
Além de civis e soldados, a Síria perdeu muitos jornalistas durante a guerra. Um dos exemplos mais chocantes foi o assassinato da correspondente de guerra do canal sírio Al Ekhbariya, Yara Abbas, em Homs, por um Sniper terrorista. O terrorista matou Abbas, apesar dela estar vestindo um colete com o distintivo da imprensa. Esta foi a sua última reportagem, diretamente da linha de frente dos combates: 

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