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Representante do ACNUR cita Brasil como exemplo no tratamento dos refugiados sírios

ENTREVISTA COM LUIZ FERNANDO GODINHO
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O ACNUR – Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados promoveu nesta quarta-feira, 30, em Genebra, uma conferência especial para debater a situação e o destino dos refugiados sírios. O porta-voz do ACNUR no Brasil, Luís Fernando Godinho, falou sobre o assunto à Sputnik.

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O evento reuniu em Genebra representantes de 92 países, 10 organizações intergovernamentais, agências da ONU e 24 ONGs, que concordaram que o mundo vive uma das piores crises humanitárias da história no que diz respeito ao tema dos refugiados, e que grande parte dessa crise se refere às consequências do conflito da Síria.

A guerra na Síria entra no seu sexto ano, e já conta quase 5 milhões de pessoas refugiadas, que tiveram que deixar o país e cruzar fronteiras internacionais para buscar proteção, enquanto outros 6,6 milhões de pessoas estão deslocados internamente na Síria.

De acordo com o ACNUR, mais de 10% desta população de 4,8 milhões de refugiados sírios já registrados que estão nos países vizinhos da Síria e no Norte da África necessitam ser reassentados em outras regiões do mundo. E com a continuidade do conflito na Síria, mais de 450 mil vagas de reassentamento serão necessárias até o final de 2018.

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O representante do ACNUR no Brasil, Luís Fernando Godinho, informa que o Comissariado da ONU tem colocado a busca de uma solução para o problema desses refugiados como sua prioridade número um. Ele explica que a conferência desta quarta-feira foi a sequência de um encontro sobre a Síria ocorrido em fevereiro deste ano, em Londres e que teve como foco os desafios financeiros e operacionais da resposta humanitária para os refugiados ainda na Síria e os já acolhidos em outros países.

“Em fevereiro o encontro foi mais da questão financeira, de como a comunidade internacional pode se comprometer ou apoiar as operações humanitárias que atendem esses refugiados. A reunião de hoje tratou das questões operacionais, ou seja, o que fazer para solucionar ou mitigar as necessidades humanitárias dos milhões de pessoas vítimas da guerra na Síria.”

O evento desta quarta-feira também serviu como preparação para o encontro sobre refugiados que acontecerá na Assembleia-Geral da ONU, em setembro.

Luís Fernando Godinho também comentou as declarações do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que pediu a toda a comunidade internacional que se mobilize para receber os quase 500 mil refugiados da Síria até 2018. Para o representante do ACNUR, o comentário de Ban Ki-moon foi muito oportuno, porque os países vizinhos à Síria já estão além da capacidade e das condições para receber os refugiados sírios.

“O que se vê hoje, por um lado, é a consequência de um conflito que não se extingue, que não é negociado e solucionado. Por outro lado se vê também uma falência das respostas que vêm sendo dadas a essas pessoas, principalmente nos países vizinhos à Síria, que já possuem cerca de 4,8 milhões de refugiados sírios registrados. É importante que todos os países, que a sociedade global civil, incorporem essa responsabilidade e se movimentem, se juntem a esse esforço que tem sido feito  para responder a essas necessidades.”

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De acordo com dados do ACNUR, no Brasil já são mais de 2.200 sírios vivendo como refugiados reconhecidos, formando o maior grupo entre os 8.600 estrangeiros reconhecidos como refugiados pelas autoridades brasileiras.

Em 2013, uma resolução do Comitê Nacional para Refugiados (Conare) facilitou a emissão de vistos de entrada no Brasil para cidadãos sírios e de outras nacionalidades afetados pela guerra na Síria. Em 2015, a medida foi prorrogada, e desde então cerca de 8 mil vistos já foram expedidos pelos consulados brasileiros, principalmente os localizados no Líbano, Jordânia, Turquia e Egito.

“O Brasil tem dado um exemplo muito importante para toda a comunidade internacional. O país estabeleceu um procedimento de vistos especiais para facilitar a entrada dessas pessoas aqui e, uma vez em território brasileiro, apresentar o seu pedido de refúgio e conseguir reconstruir a sua vida.”

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