Processo de distensão econômica entre EUA e Cuba avança, mas de Guantánamo não se trata

ENTREVISTA COM JONUEL GONÇALVES E
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Entraram em vigor nesta quarta-feira, 27, algumas medidas de abrandamento econômico dos Estados Unidos em relação a Cuba. O Presidente Barack Obama levantou certas restrições relacionadas às exportações e às viagens aéreas.

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De acordo com um comunicado dos Departamentos do Tesouro e do Comércio dos EUA, “estas alterações irão remover restrições sobre condições de pagamento e financiamento às exportações autorizadas e reexportações para Cuba de itens que não sejam agrícolas ou commodities".

O Professor Jonuel Gonçalves, da Universidade Federal Fluminense, acredita que este é um passo importante para a definitiva reaproximação entre os dois países, a qual, no entanto, só estará completa quando o Congresso norte-americano aprovar o fim do embargo ao Estado cubano.

“Estas são medidas de caráter técnico, mais fáceis de serem tomadas, mas contêm um item importante, que é a possibilidade de financiamento de determinadas exportações, desde que não incluam produtos agrícolas e matérias-primas. São decisões tomadas em nível do Executivo, pelo Departamento do Comércio e o Departamento do Tesouro. É um primeiro passo, e mais do que isso o Governo norte-americano parece não estar disposto a fazer, porque estabeleceu um plano de fases.”

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Sobre o fato de que itens agrícolas e commodities não constam das liberações que hoje entraram em vigor, o Professor Jonuel Gonçalves considera que, para um país que, em princípio, tem condições de produção agrícola, isso é algo de pouco impacto. E que, excluindo-se as commodities e os produtos agrícolas, ainda ficam os produtos industriais e serviços, dois aspectos que realmente têm um grande déficit em Cuba.”

E a questão de Guantánamo? Será resolvida de maneira plena? Jonuel Gonçalves pensa que não – “isto será a última coisa a ser feita”.

“O que pode acontecer é que Guantánamo não seja mais usada como prisão. Depois, que nas relações no limite fronteiriço de Guantánamo com as regiões vizinhas possa haver uma certa distensão, com mais trabalhadores cubanos na base norte-americana, provavelmente algum comércio entre a base e as zonas vizinhas. Mais do que isso, em relação à Base de Guantánamo, considero que não será fechada, primeiro porque para os Estados Unidos é um ponto estratégico, e em segundo lugar é uma questão que se transformou num símbolo, numa prova de força muito importante.”

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