Iranofobia: a Arábia Saudita tem medo de quê?

© AFP 2022 / ATTA KENARETeerã
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Na segunda-feira (18) durante uma entrevista à televisão iraniana, o chanceler do Irã Mohammad Javad Zarif, comentando o levantamento de sanções ocidentais, caracterizou o dia 16 de janeiro como a data mais importante no processo de realização do Plano Abrangente de Ação Conjunta sobre o programa nuclear.

Ao mesmo tempo, o diplomata sublinhou que esse dia pode ser também considerado a data de começo de outras dificuldades. Zarif acentuou em particular a crise nas relações do Irã com a Arábia Saudita, dizendo:

“As ações agressivas de Riad são ditadas pelo medo das autoridades sauditas frente ao retorno do Irã à política internacional. A retórica da Arábia Saudita de divulgação de mentiras e iranofobia não deu resultados. A inimizade com o Irã nunca deu qualquer vantagem a ninguém”.

Mas o que é realmente a iranofobia? O especialista iraniano no Oriente Médio, ex-conselheiro do chanceler iraniano Sabbah Zanganeh, partilhou a sua opinião sobre esta questão com a Sputnik.

Segundo ele, o termo iranofobia é usado no contexto político pelo menos durante as últimas três décadas, mas nos últimos 4-5 anos é muitas vezes usado literalmente.  

“Este termo inclui várias características conceptuais e é determinado pelos eventos que ocorrem na região. O Irã saiu do controle e das esferas de influência dos Estados Unidos e dos países ocidentais, o que resultou no crescimento da hostilidade para com a República Islâmica na mídia ocidental,” disse.

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Segundo o especialista, o Irã atualmente é descrito como um Estado que ameaça outros países. Além disso, o especialista relaciona a irritação em relação ao Irã por parte dos seus vizinhos com o desenvolvimento econômico e industrial e a posição política dura dos iranianos.

Zanganeh sublinhou que, em vez de aceitar o estado atual do Irã, os países até começaram a propaganda contra o país:

“Chegaram ao ponto de, através da criação de grupos terroristas, tais como o Talibã no Afeganistão, a Al-Qaeda no Oriente Médio e, mais tarde, o Daesh e Frente al-Nusra na Síria e no Iraque, os países ocidentais tentaram envolver o Irã nos conflitos regionais e na confrontação. Eles tentaram através desta via enfraquecer o poderio iraniano.”

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O especialista em Oriente Médio entrevistado pela Sputnik Sabbah Zanganeh, que nos anos 1980-1985 foi deputado do Parlamento do Irã, também chamou o programa nuclear iraniano de mais um pretexto para o aumento da iranofobia. Mas agora que o acordo foi atingido, a retórica contra o país pode não cessar.

“Mesmo assim, a Arábia Saudita continua vendo no Irã um inimigo sério e não está pronta a resignar-se [à assinatura do acordo]. É claro que os EUA não vão negar o apoio ao seu aliado quando este ataca o Irã, fazendo-o inclusive através de várias démarches e protestos. Não estão excluídas provocações.”

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