Porque precisa a Coreia do Sul do tanque K-2, apesar de ser o mais caro do mundo?

© Fotobank.ru/Getty Images / Chung Sung-JunSouth Korea's K-2 battle tanks fire live rounds during the live fire drill at the complex training field on February 11, 2015 in Gyeonggi-do, South Korea.
South Korea's K-2 battle tanks fire live rounds during the live fire drill at the complex training field on February 11, 2015 in Gyeonggi-do, South Korea. - Sputnik Brasil
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O Ministério da Defesa da Coreia do Sul mostrou pela primeira vez um vídeo do novo tanque sul-coreano K-2 Pantera Negra atravessando um rio. No momento do seu desenvolvimento foi caraterizado como o tanque mais caro do mundo. Mas por que razão as autoridades do país têm tanta certeza sobre a necessidade do tanque?

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A situação difícil na península da Coreia força Seul a ampliar ativamente o potencial das suas Forças Armadas, apesar de alguns desenvolvimentos serem economicamente injustificadas, sublinha o especialista militar russo Vasily Kashin em um comentário à Sputnik.

O projeto de produção do seu próprio tanque na Coreia do Sul, especialmente de um como o K-2, não faz sentido econômico e dá pouco à Coreia do Sul em termos da segurança militar no médio prazo. Mas ele é importante do ponto de vista da política e da estratégia.

Como outros países da Ásia Oriental, inclusive o Japão, a Coreia do Sul está pronta para grandes sacrifícios financeiros para alcançar a independência total na área de produção militar. Por trás disso está uma incerteza profunda na durabilidade do sistema existente das relações internacionais na Ásia, assim como na capacidade dos EUA de desempenhar o papel do garante da segurança no futuro.

O primeiro tanque sul-coreano K-1, na sua primeira modificação, foi entregue ao exército ainda em 1999. Foi desenvolvido com a participação decisiva da empresa americana General Dynamics Land Systems e usava muito equipamento importado, inclusive o motor (no início da produção norte-americana, depois – alemã) e elementos-chave do sistema de pontaria.

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Uma das exigências feitas ao K-2, além do aperfeiçoamento de uma série de caraterísticas táticas e técnicas, era o uso do motor a diesel sul-coreano (da empresa Doosan Infracore) e da transmissão (S&T Corporation). Isto resultou no adiamento dos trabalhos de desenvolvimento do tanque e no crescimento do preço. O K-2 é, como já dissemos, um dos tanques mais caros do mundo, o seu custo unitário é cerca de 8,5 milhões de dólares.

Ele é destinado a fazer frente aos tanques norte-coreanos que, na sua maioria, são velhos veículos soviéticos ou “novos desenvolvimentos norte-coreanos” que de fato são tentativas de aperfeiçoar radicalmente o antigo tanque soviético T-62. A Coreia do Sul podia, usando uma parte pequena dos meios gastos no programa de produção do seu próprio tanque, comprar um volume necessário de tanques Leopard ou Abrams, visto que, nos países da OTAN há muitos tanques excessivos. Provavelmente estes veículos teriam na mesma vantagem absoluta sobre os tanques norte-coreanos e não seriam muito inferiores ao K-2. Graças à sua construção, eles seriam mais seguros, simples e baratos na exploração. 

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Mas, se pensarmos em futuro mais distante, a escolha torna-se um pouco mais óbvia. As relações internacionais tornam-se cada vez mais instáveis. Não há certeza de que o sistema existente de alianças e, com ele, o acesso aos fornecimentos de armas e peças de reposição dos EUA e da Europa, permaneça para sempre. Por isso, os aliados dos EUA, inclusive o Japão, a Coreia do Sul e parcialmente Taiwan investem meios crescentes em produção militar própria, mesmo nos casos em que a importação poderia resolver os seus problemas atuais.

A Coreia do Sul faz esforços extraordinários na área da autossuficiência em armamento, tendo organizado a produção dos seus próprios sistemas antiaéreos com ajuda da Rússia, submarinos com ajuda alemã, tanques e aviões de combate com ajuda dos EUA. Apesar de o país já começar a entrar no mercado mundial de armas como exportador importante, não é possível contar com o retorno do investimento através da exportação. Trata-se de investimentos consideráveis na sua própria independência e segurança a longo prazo.

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