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FT começa novo ataque ao Brasil: Existe uma campanha midiática contra os BRICS?

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O jornal britânico Financial Times aproveitou o corte de rating do Brasil para grau especulativo pela Fitch Ratings para dizer que o País está à beira da pior recessão desde a Grande Depressão, reforçando, segundo alguns analistas, uma campanha midiática internacional para desestabilizar os BRICS e manter a hegemonia do dólar.

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Em matéria intitulada "o horrível 2015 para o Brasil fica pior", o FT afirma que a economia está uma bagunça, com o real continuando a se desvalorizar mesmo após já ter perdido quase um terço de seu valor ante o dólar. Além disso, a publicação destaca a repercussão negativa nos mercados financeiros causada pelo escândalo de corrupção na Petrobras, que atinge políticos e empresários brasileiros, bem como pela ameaça de impeachment contra a Presidenta Dilma Rousseff e os rumores da saída do ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

O jornal britânico sugere que a situação ficou ainda pior para o Brasil na quarta-feira (16) com o rebaixamento de rating do Brasil, de BBB- para BB+, pela agência Fitch – que se torna, assim, ao lado da Standard & Poor's, a segunda agência a classificar o País como “junk”.  

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Entretanto, nas palavras do economista, cientista político e professor de Relações Internacionais Theotonio dos Santos, estes sinais devem ser vistos com reserva e cautela. Em entrevista à Sputnik logo após o rebaixamento de rating do Brasil pela Standard & Poor's, no final de julho, ele disse não acreditar nos critérios e análises desses avaliadores internacionais. “Em 2007, por exemplo, eles diziam que o mundo estava uma maravilha e que a economia mundial estava estabilizada sem correr quaisquer riscos. Pois bem, veio a crise econômica de 2008 e todos sabemos o que aconteceu durante e depois dela”, lembrou o professor.

“O que nós vemos hoje são tentativas do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional de quererem ditar normas e rumos para as economias. Claro que isso não pode dar certo”, disse ainda o renomado economista brasileiro. 

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Segundo a Fitch, não há sinais claros de melhora nos ambientes político e econômico do país. A avaliação é endossada pelo FT, que ressalta as novas previsões da agência de que o Brasil terá queda de 3,7% no PIB em 2015 e de 2,5% em 2016. De acordo com Theotonio dos Santos, a hipótese de que parte da imprensa internacional está alinhada aos interesses financeiros dos EUA não pode ser desprezada, “principalmente em relação aos países BRICS”.

“Os Estados Unidos, que terão um crescimento máximo de 2,5% este ano, são elogiados. Já a China, que crescerá ‘apenas’ 7%, é criticada por não crescer 7,5% como o seu Governo previa. A Índia também tem a sua importância diminuída, e Brasil e Rússia são constantemente atacados. Então, não há como não ver uma certa animosidade contra os BRICS e um papel discutível por parte de alguns órgãos da imprensa internacional. Mas quem quiser que acredite neles”, pontuou o especialista.

Em entrevista à Sputnik nesta quarta-feira, o cientista político e historiador Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira defendeu a tese de que os EUA têm interesse na desestabilização dos BRICS para tentar manter o monopólio do dólar.

"Embora, aparentemente, o dólar esteja forte, há na verdade uma contradição muito grande na economia americana. Porque o consumo, os gastos, o déficit, a dívida pública supera todo mês o Produto Interno Bruto. Então existe um monopólio da moeda de reserva internacional pelos Estados Unidos. E isso eles não querem perder. [O presidente da Rússia, Vladimir] Putin está desafiando esse monopólio, assim como a China e o Brasil, com a formação do Banco dos BRICS", disse o analista.

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De fato, a difícil situação econômica do País se deve em grande parte ao mercado externo, com a queda dos preços das commodities, a desaceleração da economia chinesa e o aperto geral das condições financeiras internacionais, segundo avaliou a própria Fitch.

Para Levy, entretanto, o rebaixamento do rating não significa fuga de investidores do país. "As pessoas querem investir no Brasil", disse o ministro da Fazenda. Prova disso, destacou, foi o sucesso do leilão das usinas hidrelétricas, que, segundo ele, deve injetar US$ 4 bilhões no país. "Pela primeira vez sem pegar dinheiro do BNDES", acrescentou. Na avaliação de Levy, isso mostra que os investidores têm confiança no Brasil.


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