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Especialista: Faltou mobilização ou a opinião pública está saturada com o impeachment?

© Ueslei MarcelinoUm participante de protestos contra a presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Brasilia, 16 de agosto de 2015.
Um participante de protestos contra a presidente do Brasil, Dilma Rousseff. Brasilia, 16 de agosto de 2015. - Sputnik Brasil
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Mais de 90 cidades em 22 Estados, além do Distrito Federal, viveram no domingo manifestações de apoio ao processo de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff. Nestes protestos, chamou atenção o reduzido número de pessoas em relação aos anteriores.

Como das outras vezes, as pessoas foram para as ruas protestar contra as denúncias de corrupção em empresas e órgãos do Governo, em companhias privadas e no meio político, além de apoiar os fundamentos do pedido de impeachment contra a Presidenta Dilma Rousseff. Agora, porém, a presença do público foi menor, o que levantou dúvidas entre os especialistas.

O jornalista Mário Russo, em comentário para a Sputnik Brasil, compara os eventos anteriores com as manifestações de domingo.

“O que nós observamos foi um número bem mais reduzido de manifestantes”, diz Russo. “Se nós considerarmos a última manifestação em São Paulo, na Av. Paulista, houve um número estimado entre 250 e 300 mil participantes, e agora, neste domingo, não chegaram nem a 50 mil. Há sempre uma divergência muito grande entre o número de participantes que os organizadores divulgam e a conta que a Polícia Militar faz. Em Recife falavam em mil pessoas, quando na verdade mal chegavam a 300. Víamos claramente nas imagens. Em Salvador, também, eram grupos bem pequenos. Claro que em cidades como São Paulo, apesar de não ter reunido os 300 mil, foi um número significativo, mas muito aquém da última manifestação.”

Sobre a dúvida se a diminuição no número de manifestantes teria sido resultante de falha na mobilização ou de saturação da opinião pública, Mário Russo responde: um pouco de cada.

“A mobilização, hoje, com as redes sociais, é quase que instantânea, tem um efeito catalisador e multiplicador fenomenal. Este é um dos motivos, talvez até contraditório, porque era de se esperar que essas manifestações fossem, pelo menos, idênticas à última em número de manifestantes. No mínimo, porque de lá para cá o clima político se acirrou agudamente, com mais denúncias, mais brigas, há a questão da Câmara, do Senado, um leque de fatores que poderiam aquecer esse caldeirão de indignação – e não foi o que aconteceu. Há quem diga que pode ser uma consequência do cansaço da população com essa enxurrada de denúncias, de processos, de prisões. Algo aconteceu. Talvez seja muito cedo para termos uma leitura acurada, mais imparcial, mais sensata do que aconteceu.”

Mário Russo lembra ainda que o Brasil tem uma semana muito difícil pela frente, em termos políticos e jurídicos, já que as atenções estarão voltadas para o Supremo Tribunal Federal e para o Congresso Nacional. O Plenário do STF deverá apreciar em sua sessão da quarta-feira, 16, como e qual será o rito que o eventual processo de impeachment contra a presidente deverá seguir. E o Congresso, além de estar mobilizado para esta sessão da mais alta Corte de Justiça do país, também estará às voltas com a nova sessão do Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, que poderá resultar na cassação do mandato do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, acusado de mentir na CPI da Petrobras sobre suas contas bancárias no exterior e, desta forma, ter incidido em quebra do decoro parlamentar.

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