'Entrada da Ucrânia na UE é fantasia política'

© AFP 2022 / JOHN MACDOUGALL Chanceler da Alemanha Angela Merkel, presidente da França François Hollande e presidente da Ucrânia Pyotr Poroshenko durante encontro em Berlim
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O comportamento da União Europeia demonstra que a entrada da Ucrânia no bloco não é uma prioridade para os países europeus. As autoridades de Kiev, por sua vez, não se apressam para realizar reformas, porque não veem nenhuma recompensa desejável pelos seus esforços, conforme escreveu o jornalista Dalibor Rohac para o Financial Times.

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De acordo com Rohac, a União Europeia enfrentou uma série de dificuldades nos últimos tempos, que devem resultar em efeitos negativos para os não membros e, em particular, para a Ucrânia. Para ele, embora o bloco tenha condições de lidar com essas dificuldades, e resistir a elas, sua política em relação aos seus parceiros orientais deve sofrer mudanças significativas. 

“Em toda probabilidade, a UE vai eventualmente se atrapalhar no caminho para sair dos problemas atuais. No processo, no entanto, ela será obrigada a se tornar mais introspectiva e cautelosa na hora de se envolver com seus parceiros orientais". 

Segundo o jornalista, mais cedo ou mais tarde, os "interesses nacionais" dos Estados europeus se tornarão a prioridade número 1, e a sua frente unida antirrussa será substituída por uma "forma mais crua de realismo". Nesse sentido, as recentes visitas do vice-chanceler alemão, Sigmar Gabriel, e do ex-presidente francês, Nicolas Sarkozy, a Moscou são um claro sinal de que os políticos europeus querem reduzir as sanções contra a Rússia e manter certos laços econômicos importantes para os dois lados. 

"Mas o retorno da Realpolitik pode não ser a pior parte. Se a UE for pelo caminho da 'Fortaleza Europa', a perspectiva de uma futura ampliação vai para o reino da fantasia política, jogando a Ucrânia e outros países para debaixo do ônibus". 

Rohac acredita que países como Ucrânia, Moldávia e Geórgia, que iniciaram algumas reformas econômicas nos anos 1990 e 2000 com o objetivo de um dia fazer parte da União Europeia, podem acabar se voltando para a Rússia novamente, por não serem tratados como prioridade pela UE e por não verem recompensas interessantes do lado ocidental. 

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