Suíços vão as urnas entre divergências com a UE

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Os cidadãos da Suíça vão às urnas no domingo (18) para eleger os deputados das duas câmaras da Assembleia Federal, por um mandato de quatro anos. A Sputnik entrevistou alguns candidatos para saber como os partidos vão lidar com a crise migratória.

A votação vai terminar à meia-noite.

O eleitorado está escolhendo entre um total de 11 partidos políticos. 

Mesmo a Suíça, que não é um estado-membro da UE, tem dificuldade em suportar o fardo da crise de refugiados. A última pesquisa do instituto de pesquisas gfs.bern mostrou que quase metade dos inquiridos nomeou a imigração como a questão mais importante que o país enfrenta.

Pesquisas de opinião 

De acordo com a recente pesquisa do gfs.bern, o partido de direita governante, o Partido Popular Suíço (SVP), está prestes a ganhar novamente as eleições, devendo obter cerca de 28 por cento dos votos.

O SVP é seguido pelos social-democratas (SP) com 19,2 por cento e pelos Democratas Livres (FDP) com 16,7 por cento.

De acordo com outras sondagens, que chegam a conclusões semelhantes, o SVP deverá ter o apoio de cerca de 29 por cento dos eleitores, enquanto o Partido Social-Democrata obterá 18,4 por cento e o Partido Radical Democrático Suíço e os liberais, respectivamente, podem ganhar 15,8 por cento cada um.

Partido Democrata Cristão tem chance de obter 11,4 por cento nas eleições atuais.

Crise de refugiados na UE

Cerca de 12.000 pessoas procuraram asilo na Suíça no primeiro semestre de 2015. Em setembro, o país concordou em acolher 1.500 migrantes no âmbito do programa da UE para a redistribuição de 40.000 refugiados. Apesar de o país não ser um Estado-membro da UE, faz parte dos acordos de Schengen e Dublin.

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O crescimento da popularidade do SVP é atribuído principalmente à sua retórica anti-imigração.

Alfred Heer, do SVP, disse à Sputnik que as pessoas que fogem para a Europa a partir das zonas de guerra no Oriente Médio devem ser enviadas para os Estados Unidos, pois é Washington o responsável pelo caos na região.

Ao mesmo tempo, Luc Recordon, do Partido Verde, que deverá receber cerca de oito por cento dos votos, disse à Sputnik que a Suíça é capaz de acolher refugiados adicionais devido ao seu alto padrão de vida. Ele ressaltou que a Suíça tem uma população bastante idosa, por isso poderia se beneficiar de um afluxo de jovens para "equilibrar a nossa sociedade e a nossa economia".

Doris Fiala, um parlamentar suíço do FDP, disse à Sputnik que a Suíça tem mantido a questão da imigração sob controle:

"O mais importante é que nós compartilhamos este fardo na Europa. Nenhum país pode lidar com isso sem a ajuda e solidariedade de outros países. Na Suíça… até agora a situação está sob controle".

Imigração na UE

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A imigração domina a agenda da eleição também no contexto da recente imposição de certas limitações aos estrangeiros que vêm para a Suíça, incluindo de países da União Europeia.

Em 2014, 50,4 por cento da população suíça votou a favor da introdução de quotas relativamente aos migrantes que entram vindos de países da União Europeia. O movimento foi muito criticado em Bruxelas e azedou as relações com a União Europeia.

"De um lado temos contratos bilaterais mas, por outro lado, temos esse desejo da população de reduzir os estrangeiros ", disse Fiala à Sputnik, explicando a divisão política no país sobre a questão.

Luc Recordon apelou a Berna para encontrar uma maneira de modificar ou cancelar as restrições à imigração para aqueles que entram a partir da União Europeia, a fim de restaurar os laços da amizade com o bloco.

"Esta é a questão principal, tem de ser cancelada ou temos de encontrar uma solução muito boa que a UE possa aceitar", disse Recordon.

O Partido Popular Suíço tem sido firme em termos de impor restrições aos imigrantes da UE. Alfred Heer salientou que a Suíça deve preservar a sua independência da União Europeia "porque se vê que a UE não está funcionando". Ele também disse que Berna não deve ceder aos interesses de Bruxelas.

Eleições com financiamento pouco transparente

Vale notar que estas eleições serão as mais caras na história no país. Segundo as estimativas, neste ano os partidos gastaram mais de 170 milhões de francos (cerca de $178 milhões). A lei do país deixa os partidos manter em segredo as fontes do financiamento e, por isso, as eleições suíças são muito criticadas pela Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) e Grupo de Estados Contra a Corrupção (GRECO).

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