Quem está vencendo: Pentágono ou Estado Islâmico?

© AFP 2022 / VANO SHLAMOVFoto de arquivo. Fuzileiros navais norte-americanos participam nos exercícios militares
Foto de arquivo. Fuzileiros navais norte-americanos participam nos exercícios militares - Sputnik Brasil
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O programa dos EUA de treinamento da assim chamada oposição síria “moderada” foi um fracasso, segundo divulgam analistas e a mídia árabe.

Baseando-se numa matéria do jornal internacional árabe Al-Hayat, o artigo do site analítico What They Say About USA (O que dizem sobre os EUA), publicado nesta quarta-feira (7), analisa os resultados do programa norte-americano de treinamento dos combatentes na Síria.

“Este programa foi mal sucedido desde o início porque os EUA não podiam colocar condições que obrigassem os homens treinados a combater somente o Estado Islâmico, se abstendo de atacar as forças de Assad, porque os EUA não querem eles próprios remover o atual regime sírio com uma solução militar, eles querem travar uma guerra por procuração contra o EI.” 

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Lembramos que o programa dos EUA foi desenhado para treinar 5 mil rebeldes sírios “moderados” anualmente durante três anos para combater o Estado Islâmico, mas até o momento, somente treinou 54 combatentes oposicionistas, segundo confessou o Departamento de Defesa. 

O programa tinha problemas logo desde o início, segundo o artigo:

“Os primeiros obstáculos ao programa do Pentágono surgiram nos primeiros meses, quando os recrutas ameaçaram se retirar do treinamento quando lhes disseram para assinar um compromisso em que se afirmava que só lutariam contra o Estado Islâmico, e não contra as forças de Assad ou outros grupos de oposição.”

Parece que os estadunidenses não compreendem que não é possível controlar um dos elementos do caos: não é possível escolher um grupo armado e ordenar-lhe que combata somente contra um lado, porque numa guerra civil todos lutam contra todos. A única coisa que pode ser feita é comunicar com o governo legítimo numa tentativa de buscar uma solução do conflito, mesmo se não gostas deste governo como é no caso de Bashar Assad e os EUA. 

Além disso, o caráter moderado da oposição síria apoiada pelos EUA também é duvidoso. Assim, o porta-voz do Departamento de Defesa Peter Cook em setembro manifestou que “não está claro o local onde se encontram os rebeldes sírios que participaram do programa dos EUA de treinamento e equipamento para que lutassem contra o Estado Islâmico”.

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O mais interessante, segundo Cook, é que o Departamento de Defesa dos EUA “teria preocupações” se qualquer dos combatentes treinados pelos EUA se juntasse às fileiras de grupos como Frente al-Nusra, afiliado da Al-Qaeda na Síria.

“Os EUA falharam porque a política de duplos padrões que usam todo o tempo para abordar situações delicadas na região contribui para o aumento do sectarismo e estimula regimes repressivos a derramar mais sangue e a destruir áreas residenciais com bombas de barril”, conclui a edição What They Say About USA.

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