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Rússia investe na parceria com países da Ásia-Pacífico para driblar sanções do Ocidente

© Sputnik / Ramil Sitdikov / Abrir o banco de imagensA ponte Zolotoy na cidade de Vladivostok, Rússia
A ponte Zolotoy na cidade de Vladivostok, Rússia - Sputnik Brasil
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O Fórum Econômico do Oriente, realizado na cidade de Vladivostok, na Rússia, entre os dias 3 e 5 deste mês, foi considerado um sucesso por Diego Pautasso, professor de Relações Internacionais do Colégio Militar de Porto Alegre e da Unisinos – Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Ele falou com exclusividade para a Sputnik Brasil.

Fórum Econômico do Oriente se realiza em Vladivostok de 3 até 5 setembro - Sputnik Brasil
Fórum Econômico do Oriente tem resultados promissores
Segundo o especialista, o encontro foi bem-sucedido tanto no âmbito de negócios quanto ao chamar atenção para a importante cidade portuária da costa russa do Pacífico, Vladivostok, no que diz respeito ao desenvolvimento da economia local:

“Houve uma transação importante de negócios, e por outro lado projetou a cidade de Vladivostok como um polo econômico importante, que é o desejo russo para o curto e o médio prazo”, afirmou Pautasso.

Durante o Fórum Econômico do Oriente, que reuniu funcionários russos e dos países da região Ásia-Pacífico, além de grandes investidores e empresários, foram apresentados mais de 200 projetos de investimentos.

Diego Pautasso chama a atenção para o fato de que a prioridade da política externa da Rússia é hoje justamente investir nesses países, para enfrentar o embargo feito pelos Estados Unidos e seus aliados na Europa:

“O evento converge com os interesses russos, de por um lado aproveitar o dinamismo da região do Pacífico e de outro lado escapar aos embargos ocidentais, puxados pelos Estados Unidos e pelos seus aliados europeus, o que pode gerar um efeito reverso para a própria Europa e o Ocidente, no sentido do estreitamento das relações da Rússia com a China e com os países da região. E, ao mesmo tempo, o direcionamento do fornecimento energético para esses países em detrimento da Europa, o que pode no médio e no longo prazo comprometer a segurança energética europeia.”

O especialista em Relações Internacionais destaca ainda que a Rússia percebe que não precisa estar voltada apenas para o mercado europeu e traça uma rota para os países da Ásia-Pacífico.

“Cada vez mais a Rússia percebe que ela é um país voltado para dois grandes vetores, não só para o vetor europeu. Tanto pela sua formação étnico-social e geográfica quanto do ponto de vista do dinamismo da bacia do Pacífico. São países que demandam recursos naturais e energéticos. A Rússia já faz parte de alguns processos de integração da região. Parece que, sobretudo, há uma certa solidariedade, principalmente da China, com relação às questões de segurança que têm impactado a economia russa. O estreitamento das relações China-Rússia, que vêm se intensificando desde meado dos anos 1990, parece agora bastante maduro.”

Além da cooperação econômica, Diego Pautasso destaca também a parceria na área militar entre Rússia e China:

“Isso sinaliza também que a Rússia não está disposta a aceitar qualquer tipo de sanção, e que ela tem capacidade econômica e política de sustentar por um bom tempo os constrangimentos impostos a partir do Ocidente.”

As questões e propostas apresentadas durante o Fórum Econômico do Oriente da Rússia, que a partir de agora passa a ser realizado anualmente, vão voltar a ser debatidas no Fórum Econômico Mundial, a ser realizado na cidade de Dalian, na China.

De acordo com Diego Pautasso, o resultado positivo do Fórum da Rússia faz parte de um processo de integração da Eurásia como um todo que se mostra cada vez mais intenso.

A sala de exposições da Universidade Federal de Extremo Oriente, onde foi realizado o Fórum Econômico do Oriente, em Vladivostok - Sputnik Brasil
Participante brasileiro destaca importância do Fórum Econômico do Oriente Russo
“Podemos citar não só o Fórum Econômico do Oriente, mas a própria Organização para a Cooperação de Xangai, o estreitamento bilateral das relações russo-chinesas, o desenvolvimento de novas rotas da seda, como a tem chamado a diplomacia chinesa, a ligação dessa região da Eurásia com a bacia do Pacífico. São mecanismos de desenvolvimento que estão se consolidando, e mostrando que o peso do Atlântico Norte para o futuro do sistema internacional não é mais tão determinante quanto o era em passado recente.”

No balanço do primeiro Fórum Econômico do Oriente, os organizadores comemoram a assinatura de acordos no valor de 1,3 trilhão de rublos, o equivalente a cerca de US$ 18,9 bilhões. Na opinião do especialista em Relações Internacionais Diego Pautasso, os valores são considerados realmente significativos para uma primeira reunião e representam o grande potencial do porto de  Vladivostok.

“São valores expressivos para uma primeira iniciativa. E, como é possível observar, a posição desse porto, dessa nova área econômica, pode se transformar realmente em mais uma zona de processamento de manufaturas e de integração com as diversas outras cadeias produtivas que fazem parte do Extremo Oriente russo.”

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