Belgrado cria “Sérvia Interior” com parlamento para proteger sérvios do Kosovo

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As autoridades da Sérvia e do Kosovo assinaram na terça-feira (25) um acordo da criação de uma Associação de Comunidades Sérvias no Kosovo e Metohija. Especialistas dizem que o organismo é ao mesmo tempo favorável e polêmico.

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Tal instituição formalmente defenderá os direitos da minoria sérvia no Kosovo, país não reconhecido pela Sérvia. Mas simultaneamente, o acordo implica que Belgrado reconhece o Kosovo como país distinto, já que organizar comunidades sérvias na Sérvia não faria sentido.

Segundo fontes oficiais, este documento é o principal resultado do encontro dos primeiros-ministros de ambos os países, Aleksandar Vucic (da Sérvia) e Isa Mustafa (do Kosovo). Além do Kosovo, a Associação abrangerá os sérvios que vivem em outros países.

Vucic parabenizou os seus compatriotas, afirmando que o acordo viabiliza a entrada da Sérvia na União Europeia e garantirá “a segurança e sobrevivência dos sérvios do Kosovo”.

Por sua parte, Mustafa disse que o documento não contradiz a Constituição e as leis do Kosovo, “espalhando a soberania [de Pristina, capital] por todo o território do Kosovo”, inclusive o Norte, onde a população é principalmente sérvia.

Ambiente de segurança

O ministro da Gestão Local do Kosovo, Ljubomir Maric, disse à Sputnik que a Associação de Comunidades Sérvias no Kosovo e Metohija terá os seus direitos fixados juridicamente. Entre outras vantagens, os sérvios do Kosovo “poderão fazer negócios em um ambiente de segurança”, assegura Maric.

Por seu lado, o diretor da chancelaria política da Sérvia para o Kosovo e Metohija, Marko Djuric, disse que a Associação terá “poderes executivos concretos” e os seus funcionários terão o status de “funcionários públicos”. Quer dizer, esta instituição será estatal da Sérvia e não terá que pagar impostos ao Kosovo.

Djuric acrescentou que a Associação terá o seu próprio parlamento capaz de tomar decisões políticas.

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Quem ganha

Para o pesquisador do Instituto de Estudos Eslavos da Academia das Ciências da Rússia, Pyotr Iskenderov, Belgrado apenas cedeu à União Europeia.

“É claro que quem ganhou mais com este acordo foi a própria União Europeia, que demonstrou que, apesar da crise, ela conserva o seu papel-chave nos esforços de mediador nos Bálcãs”, disse Iskenderov.

Outro ganhador é o Kosovo, que teve a soberania de Pristina de fato formalmente reconhecida pela Sérvia.

Aleksandar Jablanovic, presidente do bloco político Srpska Lista (Lista Sérvia), que representa a minoria sérvia no Kosovo, saúda o acordo, mas não é otimista: “Temos que lembrar a experiência do passado e não nos deixarmos relaxar por o acordo ser assinado, é preciso ver se Pristina tem vontade política para realizar o que assinou”.

Em 1999, os Estados Unidos lideraram uma campanha militar de 78 dias chamada Operação Força Aliada contra Sérvia e Montenegro por causa de supostos abusos de direitos humanos no Kosovo. A campanha abriu caminho para a independência do Kosovo. A República do Kosovo declarou a independência da Sérvia em 2008.

A Rússia e o Brasil, entre outros muitos países, não reconhecem o Kosovo como um Estado independente.

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