China cria sua 'almofada financeira' em iuanes

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A desvalorização do iuan registrada nesta quarta-feira (12) é a maior desde 2012 e a segunda em uma só semana. A medida, anunciada inicialmente pela China como pontual, pode sinalizar a criação pelo país de uma espécie de “colchão de segurança” econômico.

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A desvalorização da moeda chinesa gerou preocupação nos EUA. As mercadorias que os EUA exportam para a China se tornam mais caras, e as que a China exporta, por seu turno, para os EUA, mais baratas. Desta maneira, o lucro das exportações norte-americanas à região enfrenta o risco de cair significativamente.

A Tesouraria estadunidense anunciou inclusive que iria continuar pressionando a China para que o país se oriente pela demanda, e não pelos interesses das exportações. 

Por sua parte, o senador Democrata Sander Levin ficou irritado pela desvalorização do iuan, que, segundo ele, é feita para que as exportações obtenham privilégios “desonestos”.

Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) vê com bons olhos a decisão do Banco Popular da China. Uma fonte do FMI disse à Sputnik que a vantagem será para as forças do mercado, que terão um papel mais importante na definição do câmbio.

Em uma entrevista exclusiva concedida à Sputnik, o vice-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS (NBD), o brasileiro Paulo Nogueira Batista Júnior, considera que a desvalorização intencional tem como objetivo fomentar a economia nacional:

“A China, embora continue crescendo a taxas muito altas, sofreu também um pouco com a desaceleração do crescimento do PIB. E esta depreciação – embora não seja uma depreciação “mega” ou “maxi” pode reverter este comportamento [tendência de desaceleração do crescimento]”.

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Já o professor Nikita Maslennikov, do Instituto do Desenvolvimento Moderno da Rússia, acha que a desvalorização tem a ver com o aumento da taxa de juros da Reserva Federal dos EUA. Segundo o especialista, as moedas nacionais dos países da região correm o risco de cair até 15% com o aumento da taxa de juros dos EUA:

“Os passos dados pelas autoridades monetárias da China devem ser vistas inclusive neste contexto – suavizar, tanto quanto for possível, não só para si mesmos mas para todos os mercados dos países emergentes e desenvolvidos, as consequências do aumento da taxa da Reserva Federal”. 

O iuan não é a única ameaça que o dólar teme. Ontem, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, comentando a situação em torno do acordo nuclear e do levantamento das sanções do Irã, frisou que a vontade do Congresso de anular o acordo alcançado implicaria uma queda brusca do dólar, podendo até deixar de ser uma moeda de reserva internacional.

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