Ron Paul: complexo militar americano precisa da Rússia como inimigo

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Durante uma convenção de Jovens Americanos para a Liberdade, o ex-candidato a presidente dos Estados Unidos Ron Paul atacou a indústria militar americana. Segundo ele, o país sempre precisa de um inimigo e vem forçando para que a Rússia ocupe esse papel hoje em dia.

"As pessoas precisam da propaganda para convertê-las em alguém que elas odeiam para que elas possam odiar", disse o ex-deputado nesta sexta-feira, em Washington D.C.



"… você precisa de um Saddam Hussein, um Aiatolá ou mais alguém, e hoje é a Rússia."

No discurso, Paul lembra que enquanto a Guerra Fria pode ter abastecido a necessidade americana de gastar com os militares, a época deixou Washington sem um inimigo claro para demonizar. O governo americano agora vem espalhando desinformação sobre assuntos como a crise na Ucrânia para pintar a Rússia como vilã.

"De repente, acabou a Guerra Fria e há uma explicação enorme sobre o que está acontecendo na Ucrânia, e não é tudo culpa dos russos, estou dizendo para vocês. Mas temos que ter inimigos para manter isso agitado."

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"Vocês conseguem acreditar que talvez o complexo militar-industrial tenha algo a ver com isso?", insistiu Paul. "Porque eles provavelmente não dizem 'bem, isto começou uma guerra', mas 'isto começou um problema que terminou em uma guerra muito maior.'"

Paul também criticou as ações agressivas do governo dos EUA.

"Se você e eu não podemos, se nós não podemos machucar pessoas, se não podemos roubar e se não há agressão, então por que permitir que nosso governo faça? Por que permitimos que nosso governo tire nossas liberdades, cobre mais impostos do que o necessário e nos mande para guerras sem sentido?"

O tema é bastante familiar para o ex-deputado, que já escreveu vários textos sobre o militarismo americano.

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"As novas 'ameaças' que estão sendo ressaltadas trazem grandes lucros para os contratantes militares e para uma rede de think tanks que são pagas para produzir propaganda pró-guerra", escreveu Paul em abril.

Desde 2013, o Pentágono concedeu US$ 850 milhões em contratos no setor de Defesa. A Raytheon, sozinha, recebeu US$ 700 milhões para instalar um novíssimo equipamento em um bunker nuclear dos tempos da Guerra Fria.

"A Raytheon é a principal financiadora de think tanks como Instituto para o Estudo da Guerra, que continuamente alimenta a propaganda pró-guerra. Tenho certeza que contratos gordos são um ótimo retorno para esse investimento", escreveu Paul.

"Não importa que a Rússia não tenha invadido nem ameaçado nenhum país na região… É surpresa que os burocratas e generais da OTAN continuem a nos assustar com contos sobre a nova ameaça russa? Eles precisam justificar seus planos de expansão!

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