“G7 alternativo” é indignado pela atitude da UE para com Ucrânia

© AFP 2022 / PHILIPP GUELLAND"G7 alternativo" na Alemanha
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Nem todo o mundo está contente com a cúpula do G7 que está prevista para este domingo, 7 de junho, na cidade de Elmau, na Baviera. Manifestantes contrários aos “sete grandes” (Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão, Reino Unido, União Europeia) começam a acampar nas imediações dos locais a serem visitados pelos participantes do encontro.

O acampamento poderá acolher mil pessoas.

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Segundo o jornal francês Le Monde, cerca de 35 mil pessoas realizaram uma marcha contra o G7 em Munique (capital da Baviera, região alemã em que ocorrerá a cúpula) na quinta-feira. O periódico frisa que a marcha passou em um ambiente geral pacífico.

Com palavras de ordem e cartazes contra o presidente dos EUA, Barack Obama, UE e TTIP (Acordo da Parceria Trans-Pacífico), a manifestação fez parte do "G7 alternativo", que reuniu economistas e cientistas políticos de vários países, críticos do acordo que pode, segundo eles, pode trazer sérias consequências à Europa.

Em uma entrevista à Sputnik Deutschland, Michael Riesch, um dos participantes da ação, comentou que o "G7 alternativo" pode ser sujeito a restrições por parte das autoridades locais.

Comentando os objetivos desta ação de protesto, Riesch destacou vários assuntos da política da União Europeia, inclusive a atitude europeia oficial para com a Ucrânia.

"Nós não podemos aceitar o comportamento do Ocidente em relação à crise ucraniana. Nós estamos a favor de uma política ativa de paz, e não do militarismo, não da guerra", disse.

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Além disso, o manifestante comentou o problema dos migrantes. A UE combinou recentemente umas "quotas" de refugiados que cada um dos países-membros deve acolher. Porém, os próprios países não concordam com o plano proposto pelo bloco.

Por exemplo, as autoridades europeias aconselharam em maio a Portugal continuar com ainda mais austeridade, cortando suas despesas. E ao mesmo tempo, propuseram ao país reinstalar 704 refugiados, sem explicar onde procurar dinheiro para eles.

Michael Riesch acredita que o plano da Europa significa um "processamento rápido" que não respeita a dignidade humana dos refugiados:

"Nós não concordamos com o novo acordo da UE, que prevê um "processamento rápido" dos refugiados. As pessoas não são uma mercadoria que deve ser registrada e armazenada. Nós não concordamos com essa atitude inumana. Isso contradiz aos direitos humanos, à Constituição da Alemanha, aos direitos essenciais pelos que nós lutamos".

A cúpula em Elmau não prevê participação do presidente russo, Vladimir Putin. Vários políticos e homens de negócios da Alemanha e outros países da Europa já lamentaram esta ausência. Várias vozes afirmam que o G7 não é viável, é um "G8 menos a Rússia".

Aliás, como se pode falar da Ucrânia sem a Rússia, e ao mesmo tempo declarar que "a Rússia não participa do diálogo"?

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Para Riesch, o próprio formato do encontro é "ilegítimo", por tratar de "questões como militarização, guerra e exploração".

"Nós queremos outra cúpula", disse o manifestante.

Além disso, o manifestante criticou os acordos TTIP, TiSA e CETA, que preveem privatização de serviços sociais essenciais sem possibilidade de retorno das entidades privatizadas para o patrimônio estatal, o que iria prejudicar o sistema social do país e da comunidade dos países europeus.

A cúpula em Elmau terá lugar no domingo. Antes disso, o governo alemão pode publicar os dados sobre os quase 500 mil objetos sujeitos à espionagem por parte da inteligência norte-americana (e-mails, telefones etc.).

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