Donetsk não se opõe ao envio de pacificadores a Donbass

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A autoproclamada República Popular de Donetsk (RPD) não se opõe ao envio de pacificadores para Donbass, mas denuncia o descumprimento dos acordos de Minsk, declarou o representante da RPD, Denis Pushilin, em briefing neste sábado (25).

"A Ucrânia regularmente (…) aborda a incorporação de forças complementares para controlar (Donbass), o que contradiz o conjunto de medidas (previstas pelo Minsk-2); somos a favor do envio de pacificadores, mas contra a violação dos acordos de Minsk", disse o representante.

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No entanto, continuou, é inadmissível que no controle no leste da Ucrânia participe uma missão de paz da ONU, já que os acordos de Minsk "estipulam somente a presença da OSCE" (Organização para Segurança e Cooperação na Europa).

Pushilin denunciou "infrações flagrantes" dos acordos de Minsk, entre as quais destacou o rechaço por Kiev em realizar uma reforma constitucional.

"Todas as modificações da constituição (introduzidas por Kiev) não cumprem a cláusula correspondente (dos acordos de Minsk), haja visto não terem sido acordadas conosco e, portanto, não as reconhecemos", alertou, exortando a "estabelecer um diálogo sobre as modalidades das eleições locais (na região)".

Segundo Pushilin, Kiev sequer terminou a retirada de armamento pesado.

"O equipamento ucraniano permanece por razões diversas em posições de combate, mas está camuflado; o que comunicamos a OSCE", disse.

Acrescentou ainda que as campanhas de mobilização e de transferência de equipamento militar para a linha de separação entre os territórios indica que "Kiev continua a priorizar a solução militar para o conflito."

Pushilin assegurou que as forças independentistas de Donetsk "procuram promover uma solução pacífica até onde é possível", mas advertiu que "não descartamos a possibilidade de nos vermos obrigados a redistribuir as armas, pois a população está descontente e exige mudar a situação."

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O representante das forças independentistas ressaltou que, enquanto isso, a RPD concluiu antes do prazo a retirada de equipamentos militares pesados e "continua a libertar os presos ucranianos unilateralmente".

Ele alegou ainda que batalhões voluntários não controlados por Kiev, em particular o Setor de Direita e o Azov, lançam ataques de duas áreas principais de tensão em Donbas — o aeroporto de Donetsk e da cidade de Shirokino — e afirmou que, por vezes, as forças de Donetsk são forçadas a reagir.

Kiev está realizando, desde meados de abril, uma operação militar para esmagar os independentistas no leste da Ucrânia, que não reconhecem a legitimidade das novas autoridades ucranianas, chegadas ao poder em resultado do golpe de Estado ocorrido em fevereiro de 2014 em Kiev. Segundo os últimos dados da ONU, mais de seis mil civis já foram vítimas deste conflito.

Desde 9 de janeiro, a intensidade dos bombardeios na região aumentou, bem como o número de vítimas do conflito. Isto fez regressar ambas as partes às negociações.  O novo acordo de paz, firmado em Minsk entre os líderes da Rússia, da Ucrânia, da França e da Alemanha, inclui um cessar-fogo global no leste da Ucrânia. Segundo o acordo, o armistício deve ser seguido pela retirada das armas pesadas da zona de conflito.

"Esperamos que a Europa exerça pressão sobre Kiev para retornar à resolução pacífica do conflito", concluiu Pushilin.

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