Analista: embaixadores dos EUA comportam-se na República Tcheca como em seu território

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Petr Hajek, ex-conselheiro do antigo presidente tcheco Vaclav Klaus e cientista político fala sobre o escândalo em torno do embaixador norte-americano na República Tcheca Andrew Shapiro e do presidente do país Milos Zeman.

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Lembramos que o embaixador norte-americano Andrew Shapiro, em seu recente discurso na televisão nacional, criticou a visita planejada do presidente tcheco a Moscou para celebrar o 70º aniversário da vitória sobre o nazismo. Em resposta, o presidente Zeman disse que não iria permitir a interferência em suas viagens ao exterior por parte de qualquer embaixador e que, a partir deste momento, as portas da sua residência infelizmente ficam fechadas para o embaixador dos EUA.

Petr Hajek acredita que isto não é apenas um “tiroteio diplomático”, mas sim um problema sério. O embaixador Shapiro, segundo o cientista político, comporta-se como a República Tcheca fosse um protetorado dos EUA e não um país independente, mostrando atitudes imperialistas. Hajek lembra um conflito parecido à época da presidência de Vaclav Klaus na véspera da operação dos EUA e seus aliados no Iraque. O antigo presidente tcheco, em uma conversa privada com o embaixador estadunidense, disse que a existência de armas químicas no Iraque lhe parecia um pretexto para a invasão, e não um fato autêntico. Após isso Vaclav Klaus parou de receber convites para encontros com George Bush, presidente dos EUA na época.         

Segundo Hajek, a tensão nas relações entre os EUA e a República Tcheca sempre existiu. Nada de novo, mas as tendências pioraram. 

© SputnikCaricatura sobre o escândalo em torno do embaixador norte-americano na República Tcheca Andrew Shapiro e do presidente do país Milos Zeman.
Caricatura sobre o escândalo em torno do embaixador norte-americano na República Tcheca Andrew Shapiro e do presidente do país Milos Zeman. - Sputnik Brasil
Caricatura sobre o escândalo em torno do embaixador norte-americano na República Tcheca Andrew Shapiro e do presidente do país Milos Zeman.
“Prevejo as consequências – o aumento de pressão por parte das nossas forças políticas que apostam em prejudicar a nossa soberania em favor dos EUA e UE. Mas estas contrariedades parecem-me menos sérias do que a alternativa. Nomeadamente se o líder do Estado se comportasse como um satélite de um outro país… A República Tcheca tem seus próprios interesses. Neste caso consistem em que o presidente efetue uma viagem a Moscou. Isto é… o reconhecimento pela República Tcheca de que a URSS (da Rússia como sua herdeira) foi a força principal que libertou a Tchecoslováquia dos nazistas”, frisou.

Petr Hajek confessou também que a sociedade tcheca neste momento está dividida em duas. Uma parte  está sob influência da propaganda em favor dos EUA e da União Europeia e a outra metade entende em que consistem os interesses nacionais tchecos. Estas pessoas apoiam o presidente Zeman na sua intenção de juntar-se com os russos na comemoração da vitória em 9 de maio.

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