Torcedores brasileiros assistem o duelo contra a Costa Rica no Boulevard Olímpico, no Rio de Janeiro. Formats: picture

Brasileiro torce pelo hexa, mas não acredita que título trará mudanças ao país

© Foto : Fernando Souza/Divulgação/Ambev
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Milhares de pessoas se reuniram na Praça Mauá, que virou um dos símbolos do Rio de Janeiro pós-Olimpíada, para acompanhar a vitória do Brasil sobre a Costa a Rica nesta sexta-feira (22). A Sputnik Brasil conversou com algumas pessoas presentes para saber se há esperança de que o hexacampeonato possa trazer alguma mudança para o país.

Segundo os organizadores, apaixonadamente 25 mil pessoas acompanharam o jogo pelo telão colocado entre o Museu do Amanhã e o Museu de Arte do Rio de Janeiro. Uma delas era Pamela Martins, que trabalha como auxiliar administrativa no centro da cidade e aproveitou para acompanhar a partida próxima ao trabalho. Para ela, o hexa é sinônimo de alegria, mas não é sinônimo de mudança.

"Para mim na verdade não muda nada, vou ficar feliz com o Brasil sendo campeão, mais uma estrela na nossa camisa, mas para a população pobre não muda nada, não vai mudar a saúde, não vai mudar a educação, mas é importante para um povo que sofre tanto ter um pouco de felicidade", afirmou.

O clima na praça era o de um verdadeiro estádio de futebol, a cada chegada do Brasil no ataque a torcida incentivava e a cada falta marcada contra o Brasil a torcida pedia cartão. Essa vibração que trouxe Sidney Rodrigues, auxiliar de serviços gerais, para a Praça Mauá nesta manhã.

"Não é a primeira vez que eu venho. Depois do jogo tem um pagode, muita gente boa, na paz. Eu depois do jogo vou para o trabalho, mas depois do expediente eu estou de volta", disse dando risada.

Para ele, o clima de alegria e superação do povo brasileiro na Copa pode ajudar a trazer mudanças para o país.

"O hexa traz alegria, mas não muda nada. O que tem que mudar é lá em Brasília, os políticos precisam olhar para a alegria e vontade de superação do povo brasileiro, isso nós temos de sobra", disse.

Torcedores brasileiros assistem o duelo contra a Costa Rica no Boulevard Olímpico, no Rio de Janeiro.
© Sputnik / Victor Labaki
Torcedores brasileiros assistem o duelo contra a Costa Rica no Boulevard Olímpico, no Rio de Janeiro.

A atmosfera do povo reunido para ver a seleção e o show do cantor e compositor carioca Diego Nogueira fez com que Rayane Victorino trouxesse o filho de 8 anos para o centro da cidade. Apesar de levar uma hora e meia para chegar de Duque de Caxias, local onde mora, ela disse que prefere vir para a Praça Mauá.

"Na baixada fluminense está meio fraco. Não tem nenhuma festa de rua, não tem nada. Eu queria dar um passeio com ele e com para cá. Vou voltar na quarta-feira [data da partida entre Brasil x Sérvia], achei muito bem organizado, com policiamento, botaram até pulseira para identificar meu filho. Me senti muito segura". Para a promotora de vendas, apesar dos problemas o povo brasileiro tem que continuar torcendo pela seleção.

"É a diversão que o povo brasileiro tem, não adianta a gente dizer que não vai torcer porque está cheio de problema, mas não muda nada do que precisa mudar", completou.

O ambulante Diego Gomes veio para a Praça Mauá na intenção de trabalhar, mas acabou desistindo e ficou para assistir o jogo. Ele não acredita em mudança porque depois do pentacampeonato em 2002 o Brasil continuou igual.

"Ganhou o penta e não mudou nada por que se ganhar o hexacampeonato vai mudar? É o único momento do país aparecer de alguma forma, mas creio que vai continuar a mesma corrupção, a mesma precariedade na saúde, na educação, nada vai mudar", disse.

Na próxima quarta-feira, a Praça Mauá vai exibir a partida contra a Sérvia e depois haverá show da banda de rock brasileira Paralamas do Sucesso, a partir das 17h.

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