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    Mundo enfrenta coronavírus no final de dezembro (111)
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    O Reino Unido informou à OMS que uma cepa mais transmissível do novo coronavírus circula rapidamente pelo país. A Sputnik explica quais os riscos dessa nova mutação e quais medidas podemos tomar para nos protegermos.

    No dia 18 de dezembro, o governo do Reino Unido informou à Organização Mundial da Saúde (OMS) que uma mutação do novo coronavírus chamada VUI-202012/01 se propaga rapidamente pelo país.

    Em resposta, cerca de 40 países ao redor do mundo restringiram o trânsito de pessoas e mercadorias advindas do Reino Unido.

    O governo local decidiu pela imposição de quarentena em diversas regiões do país, inclusive na capital, Londres.

    Mas qual o perigo que essa mutação representa para as pessoas? E para as campanhas de vacinação? O Reino Unido deveria ter tomado providências mais cedo para impedir a sua propagação?

    VUI-202012/01

    A mutação VUI-202012/01 (sigla que, em inglês, quer dizer "a primeira variante sob investigação em dezembro de 2020") foi identificada pela primeira vez na cidade de Kent, no Reino Unido, em meados de setembro.

    A agência de saúde pública do país, Public Health England (PHE), teria concluído, em 18 de dezembro de 2020, que a cepa era mais transmissível do que as anteriores, o que representaria um risco à saúde pública global.

    Pedestre passa ao lado de novo trabalho do artista de rua Banksy, na cidade de Bristol, Reino Unido, 11 de dezembro de 2020
    © REUTERS / Rebecca Naden
    Pedestre passa ao lado de novo trabalho do artista de rua Banksy, na cidade de Bristol, Reino Unido, 11 de dezembro de 2020

    De acordo com dados da agência, seis em cada dez londrinos que contraíram a COVID-19 na primeira semana de dezembro, estavam infectados pela nova variante do vírus, registrando um aumento de 34% em relação ao nível detectado três semanas antes.

    De acordo com o doutor em medicina e imunologista Vladislav Zhemchugov, a nova cepa do coronavírus pode se tornar predominante.

    "O vírus atualizado substituirá gradualmente as variantes existentes, devido às suas vantagens evolutivas", disse Zhemchugov à Sputnik Brasil.

    Com as alterações, a nova cepa pode ser até 70% mais transmissível, e atingir taxa de propagação de 0.4 ou superiores.

    Os dados disponibilizados pelas autoridades britânicas ainda não seriam suficientes para apontar a razão pela qual essa cepa é mais transmissível do que as demais.

    No entanto, até agora, não existem evidências de que a nova variante produza sintomas mais severos, seja mais mortal ou demande hospitalização de pacientes com maior frequência.

    Restrições de viagem podem ajudar a conter a nova cepa?

    Cerca de 40 países impuseram restrições de viagens ao Reino Unido. Após hesitação, nesta quarta-feira (23), o Brasil proibiu a chegada de voos provenientes do Reino Unido e a entrada de estrangeiros que tenham passado pela Inglaterra e Irlanda do Norte nas últimas duas semanas.

    Mas, como a mutação está em circulação pelo menos desde setembro, a nova cepa do coronavírus provavelmente já se espalhou globalmente.

    Brasileiro desembarca de voo proveniente do Reino Unido, no aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 2020
    © REUTERS / Pilar Olivares
    Brasileiro desembarca de voo proveniente do Reino Unido, no aeroporto do Galeão, Rio de Janeiro, 21 de dezembro de 2020

    Países como Dinamarca, Países Baixos, Itália, Austrália e Israel já confirmaram a detecção da VUI-202012/01 em seus territórios.

    Apesar de necessárias, as restrições não poderão eliminar a nova cepa de forma eficiente.

    "As restrições de transporte só podem desacelerar um pouco a propagação do vírus com genoma atualizado, mas não parar", disse Zhemchugov.

    O Reino Unido tem sido alvo de críticas por ter informado a comunidade internacional sobre a existência da mutação somente três meses após a sua identificação.

    Compradores passam por um sinal de distanciamento social em meio à pandemia da doença do coronavírus (COVID-19) em Londres, Reino Unido, 16 de dezembro de 2020
    © REUTERS / Toby Melville
    Compradores passam por um sinal de distanciamento social em meio à pandemia da doença do coronavírus (COVID-19) em Londres, Reino Unido, 16 de dezembro de 2020

    No entanto, Zhemchugov explica ser necessário tempo para distinguir mutações virais recorrentes de outras potencialmente perigosas.

    "Para identificarmos a influência de uma determinada mutação nas propriedades de um vírus, em particular na sua patogenicidade, leva tempo e um certo número de pacientes para garantir a confiabilidade das conclusões", disse o especialista.

    "Dois a três meses é o período mínimo demandado para tais observações e conclusões", concedeu Zhemchugov.

    E as vacinas?

    De acordo com o especialista ouvido pela Sputnik Brasil, as empresas que desenvolvem as vacinas foram unânimes ao declarar que a mutação não deve afetar a eficiência das vacinas disponíveis contra a COVID-19.

    A mutação é uma característica essencial dos vírus, e cerca de quatro mil delas já foram identificadas no novo coronavírus somente nesse ano.

    Voluntária recebe dose de vacina contra a COVID-19 durante testes, Simferopol, Rússia, 12 de novembro de 2020
    © Sputnik / Konstantin Mikhailchevsky
    Voluntária recebe dose de vacina contra a COVID-19 durante testes, Simferopol, Rússia, 12 de novembro de 2020

    Além de mutar, o vírus deve absorver essas mutações, isto é, elas devem se tornar parte integrante de seu funcionamento. Apesar de se modificar naturalmente, o novo coronavírus não absorve tantas mutações como outros adenovírus, como o da gripe, por exemplo.

    Muitas mutações absorvidas serão necessárias para que as vacinas se adaptem, o que deve levar tempo para acontecer.

    "De acordo com relatórios de empresas que desenvolvem vacinas, os imunizantes já desenvolvidos serão eficazes no caso do SARS-CoV-2 atualizado", disse Zhemchugov.

    Segundo ele, "muitas plataformas de vacinas e tecnologias permitem a rápida renovação e liberação de substâncias para vacinas", o que garante que as mutações sejam incorporadas aos imunizantes.

    Portanto, não é necessário pânico: as vacinas seguem como o meio mais confiável no combate à pandemia nesse momento.

    Para nos protegermos da nova mutação, "não são necessárias medidas especiais, exceto o uso da máscara e a observância da distância sanitária, aumentando a frequência da troca de ar em ambientes fechados", lembrou Zhemchugov.

    O imunologista lembra que "a mutação de setembro [ocorrida no Reino Unido] é uma dentre as milhares que já ocorreram neste ano", portanto, não há motivo para pânico.

    "A mutação discutida aumentou ligeiramente a transmissibilidade do vírus, sem afetar sua virulência. O rebuliço que está sendo feito em torno dela é desnecessário", concluiu Zhemchugov.

    Neste sábado (18), o Reino Unido informou à Organização Mundial da Saúde (OMS) que a nova variante do coronavírus estaria circulando rapidamente pelo país. Após o anúncio, dezenas de países, inclusive o Brasil, anunciaram restrições de viagem provenientes do Reino Unido, que retornou parcialmente ao regime de quarentena.

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    Reino Unido, novo coronavírus, COVID-19, pandemia, vacina, mutação, genética
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