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    A corrida pela vacina contra COVID-19 parece estar chegando a suas fases finais. A Sputnik explica qual o estágio de desenvolvimento e as diferenças entre as principais candidatas a frearem a propagação do novo coronavírus.

    O ano de 2020 pode ter sido um dos mais agitados para cientistas, imunologistas e executivos de empresas farmacêuticas da história moderna.

    Após o sucesso em decodificar o genoma do vírus SARS-CoV-2, em janeiro, foi dada a largada da corrida pelo desenvolvimento de uma vacina eficaz contra a COVID-19.

    Atualmente, cerca de 54 vacinas passam por testes em humanos, enquanto 87 encontram-se em estágio pré-clínico de testes em animais.

    Cerca de 28 vacinas estão na chamada fase 1 de desenvolvimento, na qual cientistas testam se o imunizante é seguro e qual a dosagem necessária. Na fase 2, será testada a segurança da vacina. Cerca de 17 imunizantes encontram-se nesse estágio.

    A prova de fogo vem na fase 3, quando a vacina tem sua eficácia testada em larga escala. Doze imunizantes encontram-se nesta fase. Na fase 4, a vacina recebe autorização governamental para uso limitado. Seis vacinas já atingiram essa etapa.

    Na fase 5, a vacina é aprovada para uso civil em massa. Nenhum imunizante contra a COVID-19 chegou a esse nível ainda.

    Vacinas normalmente demoram décadas para serem desenvolvidas, mas, confrontada com uma pandemia que já deixou mais de 1 milhão de vítimas, a comunidade científica está apertando o passo e conduzindo algumas fases simultaneamente.

    Agente de saúde mede temperatura de moradora na capital da província de Tigré Mekelle, Etiópia, 9 de setembro de 2020
    © AP Photo / Não Especificado
    Agente de saúde mede temperatura de moradora na capital da província de Tigré Mekelle, Etiópia, 9 de setembro de 2020

    Apesar de algumas vacinas já estarem próximas de serem aprovadas, algumas questões continuarão sem resposta por algum tempo.

    Primeiro, ainda não sabemos quanto tempo vai durar a imunidade gerada pelos imunizantes. Somente o acompanhamento de longo prazo da resposta imunológica dos voluntários vai responder a essa questão.

    Tampouco está claro se a vacina vai apenas prevenir que as pessoas fiquem doentes ou se também as vai impedir de propagar o vírus.

    Mesmo com questões em aberto, é consensual que a aprovação de vacina para uso em massa será essencial para a batalha mundial contra a COVID-19.

    Vacina da empresa Moderna: fase 3

    Uma das vacinas mais promissoras para o combate ao novo coronavírus é a desenvolvida pela empresa farmacêutica norte-americana Moderna.

    Essa vacina é baseada em um RNA mensageiro (mRNA), que produz proteínas virais no corpo do paciente. Baseado no modelo "deep freeze", o imunizante deve ser armazenado em temperatura de -20 graus até o momento da administração.

    Possível vacina contra COVID-19 testada pela Moderna.
    © REUTERS / Dado Ruvic
    Possível vacina contra COVID-19 testada pela Moderna.

    Para desenvolver a vacina, a Moderna contou com aporte de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5 bilhões) do governo dos EUA. Em agosto, a empresa recebeu mais US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 8 bilhões) para ter acesso a até 100 milhões de doses do imunizante.

    A vacina foi testada com sucesso em macacos. Em março, começou a ser testada em humanos, com resultados positivos. Em julho, a empresa iniciou testes da fase 3 com cerca de 30 mil voluntários.

    Durante testes da fase 3, uma parte dos voluntários recebem doses da vacina e outra parte recebe um placebo. Posteriormente, os cientistas avaliam quantos participantes dos testes foram infectados pela COVID-19.

    Dos 95 participantes da pesquisa que contraíram a doença, somente 5 haviam tomado a vacina. Segundo a empresa, isso indica que a taxa de eficácia do imunizante é de 94,5%.

    Os resultados, divulgados em 16 de novembro, também indicaram que a vacina pode prevenir que pacientes desenvolvam sintomas graves de COVID-19.

    Em Los Angeles, nos EUA, profissionais de saúde dentro de um navio-hospital tratam um paciente como parte de um esforço de apoio aos hospitais da região para liberar leitos em meio à pandemia da COVID-19, em 29 de março de 2020
    © AP Photo / Erwin Jacob Miciano
    Em Los Angeles, nos EUA, profissionais de saúde dentro de um navio-hospital tratam um paciente como parte de um esforço de apoio aos hospitais da região para liberar leitos em meio à pandemia da COVID-19, em 29 de março de 2020

    A Moderna selou acordos para o fornecimento de doses de seu imunizante para os EUA, Canadá, Japão e Qatar.

    A vacina da Moderna faz parte do programa Fundo de Acesso Global à Vacina para COVID-19, o COVAX, coordenado pela Organização Mundial da Saúde.

    O Brasil poderá ter acesso à vacina da empresa, uma vez que adquiriu cotas da Covax equivalentes a R$ 2,5 bilhões, o que garante uma reserva de mercado de 42 milhões de doses de vacinas que fazem parte do programa.

    Vacina da Pfizer: fases 2 e 3 combinadas

    Outra vacina que avança é a da farmacêutica norte-americana Pfizer e da alemã BioNTech. Também baseada no mensageiro mRNA, essa vacina deve ser armazenada a -70 graus Celsius.

    O imunizante encontra-se em testes combinados das fases 2 e 3, com cerca de 43 mil voluntários em países como EUA, Brasil, Argentina e Alemanha.

    Vacina da Pfizer contra a COVID-19.
    © AFP 2021 / Justin Tallis
    Vacina da Pfizer contra a COVID-19.

    Os resultados preliminares apresentavam resultados tão promissores que levaram o presidente Trump a anunciar que a vacina poderia estar disponível antes das eleições nos EUA, celebradas em 3 de novembro.

    Mas, em 27 de outubro, o diretor executivo da Pfizer, Dr. Albert Bourla, disse que os testes precisavam de mais casos de COVID-19 entre os voluntários para determinar se a vacina realmente funciona.

    Em 9 de novembro, a empresa declarou que sua vacina é eficaz em 90% dos casos. A vacina teria sido bem-sucedida não só em produzir anticorpos nos pacientes, mas também células de imunidade chamadas células T.

    O governo dos EUA já fez aporte de US$ 1,9 bilhões (cerca de R$ 10 bilhões) para garantir 100 milhões de doses da vacina. O Japão selou contrato para obter 120 milhões de doses e a UE – 200 milhões.

    A vacina da Pfizer não integra o programa COVAX, por isso o Brasil poderá ter acesso somente por via de acordo bilateral com a empresa.

    Vacina contra a COVID-19 que será testada no Brasil
    © Folhapress / Adailton Damasceno/Futura Press
    Vacina contra a COVID-19 que será testada no Brasil

    Nesta terça-feira (17), o Ministério da Saúde informou ter recebido executivos da empresa, mas não anunciou compra preliminar.

    A empresa disse, em nota publicada em 18 de novembro, ter feito "uma proposta ao governo brasileiro [...] que permitiria vacinar alguns milhões de brasileiros no primeiro semestre".

    Sputnik V: fase 4, aprovada para uso restrito na Rússia

    A primeira vacina contra a COVID-19 a ter sido registrada no mundo foi a russa Sputnik V. Baseada em tecnologia de vetor viral, a vacina usa dois adenovírus, Ad5 e Ad26, para gerar resposta imunológica contra a COVID-19.

    No início de setembro, a revista científica The Lancet publicou os resultados da fase 2 de testes com o imunizante, atestando a segurança e eficácia da vacina. O nível de anticorpos nos voluntários vacinados foi 1,4-1,5 vezes maior do que nas pessoas que venceram a doença.

    Sputnik V: como funciona a vacina russa contra COVID-19?
    © Sputnik
    Sputnik V: como funciona a vacina russa contra COVID-19?

    A fase 3 de testes em larga escala está sendo conduzida com cerca de 40 mil voluntários em países como Rússia, Emirados Árabes Unidos, Bielorrússia e Venezuela.

    Em 16 de outubro, a vacina começou a ser testada em pessoas com mais de 60 anos, que são mais sensíveis aos efeitos colaterais de imunizantes.

    Em 11 de novembro, o Fundo Russo de Investimentos Diretos (RFPI, na sigla em russo) publicou dados preliminares da fase 3, indicando que a vacina tem taxa de eficácia de 92%.

    Existem acordos para o fornecimento de doses da vacina para países como Argentina, Brasil, México e Índia.

    A farmacêutica sul-coreana GL Rapha selou acordo para produzir 150 milhões de doses da vacina russa na Coreia do Sul.

    A ministra da Saúde da Rússia, Tatiana Golikova, informou que seu país planeja produzir 500 mil doses em novembro deste ano e 1,5 milhão de doses em janeiro de 2021. Em abril, a Rússia quer atingir a marca de 6 milhões de doses produzidas mensalmente.

    Funcionária demonstra vacina em desenvolvimento no Centro Gamaleya
    © AP Photo / Aleksandr Zemlianichenko
    Funcionária demonstra vacina em desenvolvimento no Centro Gamaleya

    No Brasil, os governos do Paraná e da Bahia fecharam acordos para testar e produzir a Sputnik V.

    Nesta quarta-feira (18), representantes da Rússia e da empresa brasileira que produzirá o imunizante no Brasil, a União Química, se reuniram com dirigentes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para debater a aprovação do preparado no Brasil.

    AstraZeneca/Oxford: fases 2 e 3

    A farmacêutica britânica e sueca AstraZeneca está desenvolvendo, em parceria com a Universidade de Oxford, uma vacina baseada em adenovírus de chimpanzé, chamado ChAdOx1.

    O projeto recebeu aporte financeiro do governo dos EUA de cerca de US$ 1,2 bilhão (cerca de R$ 6 bilhões) para o desenvolvimento do imunizante e fornecimento de 300 milhões de doses, caso seja comprovada sua eficácia.

    Voluntário recebe dose de vacina da AstraZeneca no hospital Chris Hani Baragwanath, em Joanesburgo, África do Sul (arquivo)
    © AP Photo / Siphiwe Sibeko
    Voluntário recebe dose de vacina da AstraZeneca no hospital Chris Hani Baragwanath, em Joanesburgo, África do Sul (arquivo)

    A vacina se saiu bem durante testes com macacos. Durante as fases 1 e 2, foi comprovado que o produto gera resposta imunológica eficiente em humanos.

    As fases 2 e 3 estão sendo conduzidas de forma simultânea em países como Reino Unido, Índia, Brasil, EUA e África do Sul.

    Os testes com a vacina foram pausados em 6 de setembro, após um voluntário desenvolver mielite transversa, uma síndrome inflamatória que afeta a medula espinhal e normalmente causada por infecções virais. Os testes foram retomados cerca de uma semana após o incidente.

    Em 21 de outubro, o médico brasileiro e voluntário dos testes com a vacina de Oxford, João Pedro Rodrigues Feitosa, de 28 anos, faleceu em decorrência da COVID-19. A empresa não comentou o caso e manteve os testes, o que pode indicar que o falecido tenha tomado placebo.

    Menina segura vela em cemitério de Belém, no estado do Pará, 2 de novembro de 2020
    © AFP 2021 / Tarso Sarraf
    Menina segura vela em cemitério de Belém, no estado do Pará, 2 de novembro de 2020

    O governo brasileiro tem acordo para compra da vacina da AstraZeneca/Oxford, que prevê parceria com a Fundação Oswaldo Cruz para produzir a vacina no Brasil. O governo federal deve investir cerca de R$ 1,9 bilhão para produzir 100 milhões de doses no país.

    EpiVacCorona: fase 3

    A vacina desenvolvida pelo Centro Estatal de Pesquisa de Virologia e Biotecnologia Vektor, localizado em Novossibirsk, na Rússia, foi desenvolvida não a partir de material genético, mas de proteínas virais.

    A vacina concluiu com sucesso as fases 1 e 2 de testes e foi registrada na Rússia em 14 de outubro.

    Vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pelo Centro Estatal de Pesquisa de Virologia e Biotecnologia Vektor, localizado em Novossibirsk, na Rússia
    © Sputnik / Rospotrebnadzor
    Vacina contra o novo coronavírus desenvolvida pelo Centro Estatal de Pesquisa de Virologia e Biotecnologia Vektor, localizado em Novossibirsk, na Rússia

    Segundo a diretora do Serviço Federal de Defesa dos Direitos dos Consumidores e Bem-Estar Humano da Rússia (Rospotrebnadzor), Anna Popova, os testes da fase 3 foram iniciados nesta terça-feira (17).

    Cerca de 3 mil voluntários receberão duas doses da vacina, incluindo 150 indivíduos maiores de 60 anos. Um quarto dos voluntários devem receber o placebo, como é norma em testes com imunizantes. É planejado que os testes durem seis meses a partir da primeira vacinação.

    CoronaVac: fase 4, aprovada para uso restrito na China

    A empresa chinesa Sinovac desenvolve vacina utilizando novo coronavírus inativado. No Brasil, o imunizante é desenvolvido em parceria com o Instituto Butantan.

    Os resultados das fases 1 e 2, divulgados em junho deste ano, comprovaram que a vacina produz resposta imune e não gera efeitos colaterais adversos.

    Governador de São Paulo, João Doria (à esquerda), e diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas (à direita), mostram dose da vacina CoronaVac, São Paulo, 9 de novembro de 2020
    © AP Photo / Andre Penner
    Governador de São Paulo, João Doria (à esquerda), e diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas (à direita), mostram dose da vacina CoronaVac, São Paulo, 9 de novembro de 2020

    Em julho, a vacina foi aprovada para uso limitado na China. Em outubro, a província de Jiaxing anunciou estar administrando a vacina em pessoas que trabalham na chamada "linha de frente de combate à COVID-19", como médicos, inspetores de aduana e agentes de segurança.

    No mesmo mês, a Sinovac e o Instituto Butantan iniciaram testes da terceira fase no estado de São Paulo. Mais tarde, países como Indonésia e Turquia se uniram aos esforços.

    Resultados preliminares dos testes da primeira e segunda fases, publicados no início de novembro na revista científica The Lancet, indicaram que a vacina é segura e eficaz, apesar de os voluntários terem gerado menos anticorpos do que pessoas recuperadas da COVID-19.

    A Indonésia selou acordo com a Sinovac para obter pelo menos 40 milhões de doses em março de 2021.

    Funcionário trabalha em fábrica de embalagem da vacina produzida pelo laboratório SinoVac, na China
    © REUTERS / Thomas Peter
    Funcionário trabalha em fábrica de embalagem da vacina produzida pelo laboratório SinoVac, na China

    No Brasil, o estado de São Paulo adquiriu doses da vacina CoronaVac e pretende aplicá-las após aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.

    Nesta manhã (19), o governo do estado de São Paulo recebeu 120 mil doses do imunizante de um lote de seis milhões previsto para chegar no país até o final de dezembro.

    O Instituto Butantan aguarda o recebimento de parte da matéria-prima para fabricar outras 40 milhões de doses, informou o governo de São Paulo em nota.

    Até o dia 19 de novembro, a pandemia de COVID-19 já havia feito mais de 1 milhão e 300 mil vítimas fatais no mundo. Os países mais atingidos em número de mortes são EUA, Brasil e Índia.

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    Tags:
    China, Brasil, EUA, Rússia, pandemia, vacina, COVID-19
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