23:06 15 Outubro 2019
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    Presidente dos EUA Donald Trump e líder norte-coreano Kim Jong-un durante encontro na linha demilitarizada, 30 de junho de 2019

    Cúpula inesperada de Trump e Kim: passo ao avanço ou mero show político?

    Susan Walsh/AP
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    O domingo passado foi marcado por um encontro muito especial. O presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, se encontraram pela terceira vez. Será que é mesmo tão notável?

    A Sputnik explica como pode ser visto aperto de mão entre os líderes norte-coreano e americano que já foi denominado histórico.

    O que faz essa reunião ser tão extraordinária?

    A resposta é simples: em geral, tudo se explica pela escolha do lugar para o encontro. A Zona Desmilitarizada, situada entre as duas Coreias, é considerada uma das fronteiras mais protegidas do mundo e que muitas vezes foi palco de tensão na península.

    Outra raridade é, sem dúvida nenhuma, um presidente americano pisando em solo norte-coreano. Não é segredo que Trump gosta de palavras e ações que atraem atenção de todo o mundo e essa vez não virou uma exceção. Como primeiro presidente dos EUA a visitar a Coreia do Norte, ele não apenas entra para a história, mas também de certa forma ganha pontos antes das eleições presidenciais de 2020.

    Presidente dos EUA Donald Trump e líder norte-coreano Kim Jong-un durante encontro na linha demilitarizada, 30 de junho de 2019.
    Susan Walsh
    Presidente dos EUA Donald Trump e líder norte-coreano Kim Jong-un durante encontro na linha demilitarizada, 30 de junho de 2019

    O que está em jogo?

    A chegada de Donald Trump ao poder trouxe certo progresso na questão da península coreana, mas o principal ponto de discordância continua sem solução: Pyongyang não parece pretender suspender seu programa nuclear, e Washington, por sua vez, não menciona mitigação ou cancelamento das sanções.

    Tanto Trump quanto Kim precisam de avanço nas negociações. Para Trump é uma questão de muita importância já que desnuclearização da Coreia do Norte, mesmo parcial, significaria grande sucesso na política internacional.

    Kim Jong-un está interessado em continuar negociações para livrar seu país das sanções que ferem seriamente a situação econômica. Mas ele também depende muito dos resultados das eleições americanas, porque não se sabe que rumo tomarão relações entre EUA e Coreia do Norte se Trump não for reeleito.

    Comentando medidas econômicas severas dos EUA após encontro em Panmunjom, Trump afirmou esperar cancelá-las. Segundo próprio presidente, ele não gosta de ver Coreia do Norte submetida a sanções, mas elas permanecem ativas.

    Presidente dos EUA Donald Trump e líder norte-coreano Kim Jong-un durante encontro na zona demilitarizada, 30 de junho de 2019
    © AP Photo / Susan Walsh
    Presidente dos EUA Donald Trump e líder norte-coreano Kim Jong-un durante encontro na zona demilitarizada, 30 de junho de 2019

    "Show" na fronteira pode dar frutos?

    Aqui será preciso relembrar cúpulas anteriores entre Trump e Kim.

    A primeira, realizada um ano atrás em Singapura, foi uma sensação pelo simples fato de ser ocorrida. Levando em consideração relações extremamente tensas entre países que marcaram o ano de 2017. Na época, os norte-coreanos anunciaram vários testes exitosos de mísseis, e Washington respondeu com envio de navios militares para a região. Declarações fortíssimas e com toque de ameaça não saíram das capas dos jornais por semanas.

    Já a outra cúpula, que se deu nos últimos dias de fevereiro de 2019 na capital vietnamita, que também pode ser considerada excepcional, porque aconteceu pela segunda vez em menos de um ano, foi encerrada antes do planejado devido a desentendimento e impossibilidade de chegar a um acordo. No entanto, negociações entre as partes continuaram.

    Levando em consideração o resultado do encontro de fevereiro, é difícil imaginar que a conversa de Kim Jong-un e Donald Trump na Zona Desmilitarizada possa apresentar avanços imediatos nas relações, já que fica cada vez mais claro que a Coreia do Norte não tenciona realizar desnuclearização total. O que deve ser considerado agora é possibilidade de poder controlar programa nuclear de Pyongyang. Possivelmente, disso se ocuparão os grupos de trabalho, cuja criação foi anunciada após a conversa que Kim e Trump tiveram no domingo passado.

    Trump ainda tem jeito de surpreender o mundo no diálogo com Kim?

    Após o encontro, as partes não pouparam palavras calorosas destacando simbolismo e importância do evento. Analisando os resultados de cada um deles, dá para ver que, aparentemente, eles só passam a servir  para melhorar relações entre líderes e não para empreender ações.

    Surge uma pergunta: o que mais pode ser feito para pegar o mundo de surpresa se não anunciar avanços concretos nas negociações? Donald Trump já convidou Kim a visitar Estados Unidos, mas, sem progresso visível, as futuras reuniões destes dois podem virar simples encontros protocolares. 

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