11:42 20 Novembro 2017
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    Ex-Presidente Lula entre militantes do PT

    Corrida eleitoral 2018: Lula contra todos ou todos sem Lula?

    Ricardo Stuckert/ Instituto Lula
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    A condenação do ex-presidente Lula, pelo juiz Sérgio Moro, na última semana, colocou um tempero a mais na já tumultuada disputa pela presidência em 2018. Favorito nas pesquisas de intenção de voto, o ex-chefe de Estado corre o risco de ficar de fora do pleito, enquanto possíveis candidatos começam a vislumbrar um futuro mais otimista.

    Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado em primeira instância, no dia 12 deste mês, a nove anos e seis meses de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Para o magistrado da 13ª Vara Federal de Curitiba, ficou evidenciada no processo a culpa do petista no suposto recebimento de propina da empreiteira OAS através da compra e reforma de um apartamento tríplex no Guarujá, São Paulo, em troca de favorecimentos em contratos com a Petrobras, como parte de um amplo esquema de corrupção envolvendo diretores da estatal, prestadoras de serviços e políticos.

    No entanto, como não teve sua prisão decretada, o ex-presidente, que nega as acusações, pode recorrer em liberdade, e, por enquanto, permanece elegível. Mas, se for condenado em segunda instância, deve ficar impedido de concorrer a um novo mandato de chefe da República no ano que vem. O que isso significaria para o cenário político do Brasil?

    Daqui a exatamente um ano, em 20 de julho de 2018, será iniciado o período no qual os partidos poderão realizar convenções para definir seus candidatos. Se a decisão da segunda instância, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), de Porto Alegre, for pela confirmação da condenação, Lula se torna inelegível com base na lei da Ficha Limpa. Se isso ocorrer antes do registro de sua candidatura, ele provavelmente não conseguirá se candidatar. Se ocorrer depois, ele terá seu registro anulado ou, dependendo de um recurso, poderá se candidatar e concorrer sub judice (na dependência de determinação judicial). Se concorrer e for eleito, ele, se condenado, poderá ter sua diplomação anulada antes de assumir a presidência. Caso assuma o cargo, o processo deve ser suspenso.

    O cientista político Carlos Pereira, da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (EBAPE), da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), acredita que é muito pouco provável Lula estar apto a disputar as eleições de 2018. Segundo ele, a sentença de Sérgio Moro foi bastante consistente e a tendência é a de que seja mantida na segunda instância. O professor destaca que, ao contrário do que teria tentado sugerir o ex-presidente, o futuro de Lula, como réu, deve ser, sim, decidido pela Justiça, e não pelo eleitorado. 

    "O eleitor avalia os governantes e potenciais governantes. Mas, para quem comete crime, o julgador não é o eleitor, como o ex-presidente Lula tentou sugerir quando tentou desmerecer a decisão do juiz Sérgio Moro. Então, eu acho que a maior probabilidade é a de que o ex-presidente Lula esteja fora do jogo."

    Em pesquisa recente do DataPoder360, realizada pouco antes da sentença do ex-chefe de Estado, Lula apareceu mais uma vez como grande favorito para 2018, mas com uma vantagem menos confortável. Isso porque, com 26% das intenções de voto, no melhor dos cenários analisados, ele estaria em empate técnico com o pré-candidato do PSC, o deputado federal Jair Bolsonaro, um dos principais nomes da direita brasileira, que aparece com 21%. 

    Populista como Lula, mas em outro espectro, Bolsonaro vem se apresentando como a melhor alternativa para moralizar a política e aproveitar todo o potencial que o país possui mas que estaria sendo desperdiçado por conta de gestões ineficientes e corruptas. Em seus discursos, o parlamentar, envolvido em inúmeras polêmicas, vem se fortalecendo com a defesa de valores cristãos e tradicionais, do militarismo, da meritocracia e do livre mercado e críticas ao desarmamento, à ideologia de gênero e a políticas afirmativas para minorias, entre outras. Nascido em Campinas, interior de São Paulo, representa o Rio de Janeiro, onde tem o apoio de grande parte da população. 

    Embora forte e apoiado por uma militância apaixonada, Bolsonaro, de acordo com o professor Pereira, tem poucas chances de crescer até as eleições do ano que vem. Para o especialista, a maioria do eleitor brasileiro possui um perfil bem diferente daqueles que seguem o deputado, que ainda pode ser atrapalhado, no período de campanha, pelo fato de pertencer a um partido com pouca distribuição nacional.

    "Eu acho que a candidatura de Bolsonaro é uma candidatura muito específica, de um estrato populacional desiludido com a política e ávido por saídas desses conflitos de forma messiânica ou de forma individualista ou populista", afirmou o cientista político, sublinhando que, além disso, o candidato do PSC deve ter menos tempo de TV e menos conexões locais e estaduais. "Acredito que, ao longo do processo eleitoral, a candidatura de Bolsonaro tende a se esvaziar". 

    Outro nome forte na corrida para 2018, conforme apontam as pesquisas, é o do atual prefeito de São Paulo, João Dória, do PSDB, que aparece como terceiro colocado na pesquisa do DataPoder360, com 13%, em um cenário no qual Lula teria 23% e Bolsonaro, os mesmos 21%. Empresário bem sucedido e apresentador de programas de televisão, foi eleito no ano passado explorando a imagem de um gestor do setor privado, em oposição aos políticos tradicionais. Nos seus primeiros meses de governo, entrou em choque com defensores dos direitos humanos e artistas, criou problemas no trânsito, reduziu investimentos, criou um grande pacote de desestatização e atacou Lula. Para muitos, o prefeito gestor acabou perdendo um pouco do foco à frente da máquina pública, razão pela qual foi criticado até por colegas de partido, como José Aníbal e Fernando Henrique Cardoso. Ainda assim, conseguiu manter números expressivos de aprovação, acima dos 60%, segundo o Ipespe.

    Dória, segundo Carlos Pereira, mesmo não tendo o mesmo número de eleitores de Bolsonaro hoje, dispõe de um potencial maior de crescimento, se levados em conta o poder do seu partido e também suas características próprias. 

    "A figura pessoal permite a ele trilhar esse caminho mais individual, mais pessoal. Mas, ao mesmo tempo, Dória estaria inserido em uma estrutura partidária mais sólida, mais concreta do que Bolsonaro. No caso, Dória teria infinitamente mais chances de prosperar num cenário nacional, de disputa pela presidência", opinou, explicando que ainda é muito cedo para avaliar a administração do prefeito e lembrando que ele precisará vencer uma grande disputa interna, no PSDB, se quiser concorrer à presidência em 2018. 

    Além dos políticos citados, muitos outros nomes são cogitados para o pleito do ano que vem, na direita, na esquerda, no centro e em todas as outras direções e sentidos. Até as eleições, muita coisa ainda deve acontecer na política brasileira. O destino do presidente Michel Temer, do PMDB e de seus aliados começará a ficar mais claro, a operação Lava Jato seguirá adiante, políticos e eleitores indecisos começarão a ter ideias mais claras etc. Para o professor Pereira, os próximos meses devem confirmar a impossibilidade de Luiz Inácio Lula da Silva, um dos políticos mais populares da história do Brasil, concorrer ao Planalto, deixando o cenário bem aberto, inclusive para candidaturas que nem estão sendo consideradas no momento.

    Mas, e se Lula não for condenado? Seus adversários terão força para derrotá-lo no voto direto? Que impacto a condenação do ex-governante, em primeira instância, poderá ter sobre o processo eleitoral? Afinal, que tipo de alianças o PT e Lula estão dispostos a fazer para voltar a governar o país? Enfim, seja qual for o destino do ex-presidente, tudo indica que a corrida de 2018 deve ser marcada pelo Lula contra todos ou todos sem Lula. 

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    Tags:
    presidência, política, eleições, OAS, PMBD, PSC, FGV, PSDB, PT, Petrobras, João Dória Jr, Jair Bolsonaro, Carlos Pereira, Michel Temer, FHC, Luiz Inácio Lula da Silva, Fernando Henrique Cardoso, Lula, Brasília, Brasil
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