05:57 16 Setembro 2019
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    Seção eleitoral nas Eleições Municipais de 2016

    Resultado das eleições 2016 reflete onda conservadora no país

    Sumaia Villela/ Agência Brasil
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    O flagrante revigoramento do PSDB, a força ostensiva do PMDB e o fortalecimento de partidos que hoje compõem a base aliada do Presidente Michel Temer nas eleições municipais de 2016 refletem o forte conservadorismo em curso no país.

    O PSDB sai como grande vitorioso do pleito municipal de 2016. A partir de 1.º  de janeiro de 2017, com a posse dos prefeitos eleitos em 2 e 30 de outubro, o PSDB estará à frente dos destinos de 34,4 milhões de eleitores.

     

    O segundo partido em importância é aquele que os candidatos de outras agremiações mais rejeitaram em termos de apoio para o segundo turno, o PMDB. O partido do Presidente Michel Temer estará à frente de 20,6 milhões de eleitores. 

    O terceiro partido em importância crescente é o PSB, com 11,8 milhões de eleitores. E a quarta agremiação é o PSD, com 9,7 milhões. 

    Somados, os quatro partidos (PSDB, PMDB, PSB e PSD) terão 53% do eleitorado brasileiro, que, segundo o Tribunal Superior Eleitoral, reúne no total 144 milhões de pessoas.

    Analisando para Sputnik Brasil os resultados do primeiro e do segundo turno das eleições, o cientista político Carlos Eduardo Martins, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, constata:

    "As eleições municipais de 2016 refletem fortemente a ofensiva conservadora em curso no país. Esta ofensiva foi deflagrada com o golpe de Estado que resultou na deposição da Presidente Dilma Rousseff, com o processo de impeachment. Houve uma grande ofensiva política e ideológica que respaldou o golpe de Estado no país e que não foi rechaçado pelas forças de esquerda. Ora, tudo isto teve reflexo nas urnas, resultando numa nova hegemonia do PSDB." 

    Carlos Eduardo Martins lembra que deve ser destacado o fortalecimento da ala paulista do partido [leia-se Governador Geraldo Alckmin], com a vitória no primeiro turno do seu candidato, João Dória. 

    "A ala paulista do PSDB se fortaleceu em detrimento da ala mineira [leia-se Senador Aécio Neves], que viu seu candidato em Belo Horizonte, João Leite, ser derrotado por Alexandre Kalil (PHS). Isto leva a sucessão presidencial de 2018 a pender em favor de Geraldo Alckmin, enquanto a esquerda se mostra cada vez mais dispersa e bem menos mobilizada. Neste momento, tudo indica que PSDB e PMDB estarão unidos em 2018 para disputar a sucessão presidencial.”    

    O enfraquecimento do PT – Partido dos Trabalhadores conseguiu eleger apenas um prefeito de capital, Marcus Alexandre, de Rio Branco, no Acre. "Este é um problema a ser discutido e enfrentado internamente", diz o Deputado Federal Ênio Verri (PT-PR). 

    Professor de Economia e presidente do Diretório Regional do Partido dos Trabalhadores no Paraná, Ênio Verri declarou à Sputnik que "o PT terá de admitir, reconhecer e discutir internamente os muitos erros que cometeu nos últimos anos. Eu acredito que o Partido tem fôlego e futuro para sobreviver, mas primeiramente terá de debater e reavaliar suas posições."

    O deputado petista informa que a discussão terá início na segunda-feira, 7 de novembro, quando o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá se reunir com deputados federais e senadores do Partido, provavelmente, em Brasília.

     

    "Depois, nos dias 10 e 11 de novembro, haverá uma grande reunião no Diretório Nacional, em São Paulo, uma espécie de preparatória para a grande convenção de março de 2017, em que o Partido dos Trabalhadores deverá definir sua linha de atuação com vistas às eleições de 2018.”

    Sobre as próximas eleições, Ênio Verri disse que em princípio o Partido dos Trabalhadores deverá ter candidato próprio à sucessão presidencial, e este nome provavelmente será o de Lula. Mas que, se o ex-presidente não quiser ou não puder disputar o pleito, uma alternativa terá de ser cogitada:

    “Temos um excelente quadro no PT, que é o ex-governador da Bahia e ex-ministro-chefe da Casa Civil, Jaques Wagner. E, em último caso, podemos pensar numa aliança, por exemplo, com o PDT, que terá Ciro Gomes como candidato à Presidência da República.”

    Ainda sobre os resultados das urnas de 2016, Ênio Verri destaca que "o eleitorado brasileiro demonstrou seu descontentamento com o status quo da política nacional. Isso mostra o desgaste da classe política e o quanto ela precisa se repensar. Por outro lado, não podemos esquecer dos fatos novos que permearam estas eleições municipais no Brasil, o avanço da direita não só no país como em todo o mundo, além do poder midiático dos grandes grupos de comunicação que demonizaram o PT e levaram boa parte do eleitorado a acreditar que o Partido dos Trabalhadores é uma organização criminosa. Ora, o PT é um partido de lutas: em seus 36 anos de história, sempre foi um partido que esteve ao lado do povo e lutou pelas causas sociais. O Partido dos Trabalhadores não é eleitoral nem eleitoreiro. Seu compromisso é com o bem-estar do povo, e assim deve continuar sendo”.

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    Tags:
    Eleições2016, governos de esquerda, rejeição, golpe de Estado, impeachment, PDT, PSDB, PT, Ciro Gomes, Ênio Verri, Michel Temer, Jaques Wagner, Lula, Geraldo Alckmin, Brasil
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