03:00 20 Julho 2019
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    Manifestação contra o impeachment de Dilma Rousseff no Rio de Janeiro

    Brasil, o ‘exportador de corrupção’: Como o país já foi descrito por ONGs e mídias?

    Serguei Monin / Sputnik Brasil
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    O representante da ONG Transparência Internacional no Brasil afirmou nesta semana que o Brasil é visto como um país "exportador de corrupção". A Sputnik faz uma análise das expressões associadas ao país quando o assunto é transparência e corrupção.

    Em documento publicado em julho deste ano, a Transparência Internacional fez um estudo sobre a transparência e os programas anticorrupção das 100 maiores empresas de países emergentes.

    Segundo o representante da Transparência Internacional no Brasil, Bruno Brandão, citado pelo Estadão, o país ganhou uma fama de "exportador de corrupção" por conta das poucas empresas brasileiras que receberam sanções previstas por casos de práticas de subornos transnacionais. 

    Que o Brasil enfrenta graves problemas no quesito transparência e corrupção não é segredo. Desde os escândalos envolvendo grandes empresas brasileiras até as revelações da delação premiada na Operação Lava Jato, o Brasil vem sendo alvo de diversas alcunhas, positivas e negativas, por organizações internacionais e mídias do mundo inteiro.

    ‘Queda do Brasil’

    Antes mesmo de ser concretizado o impeachment da presidente Dilma Rousseff, a revista britânica ‘The Economist’, em sua primeira capa de 2016, na contramão da possível euforia com a realização das Olimpíadas no Rio de Janeiro neste ano, publicou a manchete com o título ‘Queda do Brasil’, mostrando uma presidente de cabeça baixa, prevendo um ano desastroso para a política e economia do país. 

    Na ocasião, citando o escândalo de corrupção da Petrobrás e o processo de impeachment, a revista escreveu que, sendo parte do BRICS, o Brasil "deveria estar na vanguarda do crescimento das economias emergentes", mas, em vez disso, enfrentava "uma turbulência política". 

    Em outro artigo especial, a mesma revista publicou em abril uma imagem do Cristo Redentor segurando um cartaz escrito "SOS", alarmando para a crise política e econômica instaurada no país. 

    "A insurreição dos hipócritas"

    Grande atenção também foi dada ao Brasil após a votação do impeachment na Câmara dos Deputados, em abril deste ano, e as reações da mídia estrangeira não foram sutis em relação aos políticos brasileiros. 

    O site da revista alemã Der Spiegel publicou um artigo intitulado ‘A insurreição dos hipócritas’, em que destacava que "inúmeros parlamentares que impulsionaram o impeachment de Dilma são, eles próprios, alvos de processos por corrupção". 

    Mais simpático ao governo de Dilma Rousseff, a publicação lembrou que o processo contra Rousseff foi controverso e considerado político, ressaltando que "contra Dilma nenhum ato de corrupção foi comprovado".

    ‘Exemplo no combate à corrupção’

    Em contrapartida, a própria Transparência Internacional já manifestou uma abordagem positiva em relação ao combate à corrupção no país, vendo com bons olhos a indignação da população nas ruas pedindo o impeachment da presidente Dilma e o sucesso da Operação Lava Jato. 

    "Se a indignação contra a corrupção levou a população às ruas, essa indignação tem que continuar. Agora é o momento de provar as coerências dessas motivações. É o momento de buscar mudanças reais no quadro político do país", afirmou o representante da Transparência Internacional no Brasil, Bruno Brandão, em meados de abril. 

    Já em agosto deste ano, a BBC Brasil publicou uma entrevista com o juiz federal do Estado de Maryland, nos Estados Unidos, Peter Messitte, também destacando elogios ao combate à corrupção no Brasil. 

    Segundo o juiz norte-americano,  o "julgamento do mensalão e a Operação Lava Jato deixaram para trás os tempos em que escândalos de corrupção política terminavam em pizza no Brasil".

    ​É importante destacar que a imagem internacional do Brasil nos últimos anos teve uma variação notável, tendo em vista as diferentes conjunturas políticas em que o país se encontrou. 

    Além das diferentes publicações da própria The Economist, que já dedicou especiais tanto ao próspero futuro do Brasil, no auge da euforia em relação às economias emergentes do BRICS, quanto à ‘queda’ do país no contexto da crise econômica e política, houve uma mudança de abordagem no cenário internacional com o sucesso dos Jogos Olímpicos Rio-2016.

    ‘O Centro do Mundo’ 

    Apesar do inicial tom pessimista de alguns veículos sobre os Jogos Olímpicos, em que reportagens destacaram “jogos manchados” por crises internas e escândalos de corrupção, a mídia internacional rasgou elogios à organização brasileira do maior evento esportivo da Terra.  

    Logo após a abertura da Rio-2016, a edição francesa do "Le Figaro" destacou que o estádio do Maracanã era "o centro do mundo", protegido por um esquema impressionante.

    Até mesmo o norte-americano Washington Post, que havia publicado que o evento seria marcado como a ‘Olimpíada da sujeira’, escreveu que após vários problemas na organização, o "Rio, pelo menos por uma noite, está fazendo o que faz de melhor".

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    Tags:
    imprensa internacional, imagem, ONG, transparência, impeachment, corrupção, mídia, Transparency International, The Economist, BBC, Dilma Rousseff, Brasil
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