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    Coronavírus no mundo no início de junho de 2021 (22)
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    Cerca de 121 mil brasileiros que vivem em Portugal podem ser vacinados contra COVID-19 em Portugal a partir de junho. O número representa 64% dos 188.993 cidadãos do Brasil residentes em terras lusitanas em 2020, segundo dados fornecidos pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras à Sputnik Brasil.

    Como a quantidade não inclui os brasileiros que também têm nacionalidade portuguesa ou outra da União Europeia (UE) nem aqueles que vivem de forma irregular em Portugal, é provável que mais de 121 mil cidadãos do Brasil estejam aptos a tomar a vacina em junho em território lusitano, seis vezes mais do que os que já foram imunizados. O cálculo leva em consideração pessoas com idades compreendidas entre 30 e 54 anos, faixas etárias anunciadas pelo governo português para tomar a primeira dose neste mês.

    De acordo com o Ministério da Saúde, 19.682 cidadãos de nacionalidade brasileira já foram inoculados com pelo menos uma dose de vacina contra COVID-19. Os dados desagregados por grupos etários enviados pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) à Sputnik Brasil estimam que aproximadamente 18.130 brasileiros que vivem em Portugal têm mais de 55 anos, faixa etária que já iniciou a vacinação. 

    Atualmente, pessoas que têm entre 50 e 54 anos podem realizar o autoagendamento on-line por um site disponibilizado pela Direção-Geral de Saúde (DGS). Em tese, basta preencher com a data de nascimento, selecionar o local e a data disponíveis. Na sequência, será enviado um SMS, que deve ser respondido para a confirmação do agendamento.

    Cerca de 60 mil pessoas na lista de espera

    No entanto, a alta demanda com a ampliação das faixas etárias fez com que as vagas se esgotassem em muitos centros de vacinação. Nesta segunda-feira (31), havia cerca de 60 mil pessoas em lista de espera, esperando a abertura de novas datas. 

    De acordo com o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, coordenador do plano nacional de vacinação, essa fila de espera foi reduzida para 4 mil pessoas, nesta terça (1º). Ele negou que haja grandes dificuldades e confirmou que o calendário está mantido e que, a partir deste domingo (6), maiores de 40 anos serão chamados para o agendamento local. 

    "Depois de uma semana, vamos começar com o autoagendamento. Não tem causado problemas. Quando essa capacidade termina, há pessoas que ficam em lista de espera. O afluxo foi tão grande que ficaram 60 mil pessoas à espera de ser agendadas. Quando abriu uma nova semana, já estão com 4 mil", disse Gouveia e Melo à imprensa na saída de um evento em Lisboa.

    Na sequência, a partir do dia 22 de junho, está previsto o início do agendamento para maiores de 30 anos, justamente a faixa etária que concentra o maior número de brasileiros em Portugal. São 51.800 cidadãos do Brasil com idades entre 30 e 39 anos, segundo os dados do SEF. Eles devem ser vacinados a partir do fim do mês e ao longo de julho. Conforme Gouveia e Melo, a imunização de maiores de 20 começará em agosto.

    A carioca Ana Carolina Figueiredo, de 43 anos, na expectativa para agendar a vacina contra COVID-19 em Portugal
    © Foto / Divulgação
    A carioca Ana Carolina Figueiredo, de 43 anos, na expectativa para agendar a vacina contra COVID-19 em Portugal

    A produtora audiovisual carioca Ana Carolina Figueiredo, de 43 anos, está na expectativa para marcar sua primeira dose a partir deste domingo (6). Em Portugal há quase quatro anos e meio, ela se mudou com seu companheiro para Aveiro em novembro e, desde então, não encontra familiares que moram em Lisboa. É uma das primeiras coisas que planeja logo que estiver imunizada. 

    "Estou bastante ansiosa pela vacina e, sem dúvidas, vou me sentir mais segura e com muito menos medo! Assim que abrir, vou agendar. Tenho evitado ir a Lisboa ver a familia e os amigos. Isso é algo que pretendo fazer assim que for vacinada. Desde que mudamos para cá, ainda não fui ver meus sogros e sobrinhos", conta Ana Carolina à Sputnik Brasil.

    O grupo de 40 a 49 anos é a segunda faixa etária com mais brasileiros residentes em terras lusitanas, com 37.900. Na sequência, figuram as pessoas com idades entre 20 e 29, com 34.925. Em seguida, aparece a faixa de 50 a 59, com 18.230 cidadãos do Brasil, conforme dados do SEF.

    'É uma sensação de alívio', diz carioca que tomou 1ª dose da Moderna

    Também carioca, a empreendedora Katia Gonzaga, de 57 anos, tomou a primeira dose da Moderna na última semana de maio, em um centro de vacinação em Odivelas, na Área Metropolitana de Lisboa. A segunda está prevista para 26 de junho. Morando em Portugal há quatro anos, ela conta os dias para estar completamente imunizada e poder viajar de férias, de forma mais segura, em setembro, para o Rio de Janeiro.

    "É uma sensação de alívio e esperança de que as coisas podem melhorar para todos. Ainda bem que Portugal começou a acelerar as doses e já vai começar a vacinar os mais jovens, porque, com a chegada do verão e [volta do] turismo, meu medo era de uma terceira onda. Estava preocupada de não conseguir tomar a tempo de ir ao Brasil, mas estou feliz que já estarei imunizada", comemora Katia.
    A brasileira Katia Gonzaga, de 57 anos, depois de tomar a primeira dose da Moderna em Lisboa
    © Foto / Divulgação
    A brasileira Katia Gonzaga, de 57 anos, depois de tomar a primeira dose da Moderna em Lisboa

    Dona da marca Gira Soul Table Decor, ela conta que não teve dificuldades em agendar pelo site, recebeu o SMS de confirmação menos de 24 horas depois e conseguiu uma vaga para 12 dias após a marcação. Agora, pretende começar a retomar o "novo normal", mas ainda cercada dos devidos cuidados.

    "Foi muito rápido [o processo da vacinação]. Talvez me reunir um pouco mais com amigos, ir à praia, barzinhos, organizar um churrasco... desde que todos estejam vacinados", ressalva.

    Se optasse por ser imunizada no Rio, Katia poderia tomar a primeira dose a partir da próxima segunda-feira (7), de acordo com o calendário da prefeitura carioca. Já Ana Carolina, que em tese poderá marcar sua primeira dose a partir do dia anterior, só a tomaria a partir do fim de julho em sua cidade natal. Ambas nem cogitaram a hipótese.

    Tampouco a conterrânea delas Anna Elizabeth de Souza. Aposentada aos 78 anos, ela já está imunizada com as duas doses da Pfizer. Nascida em Nova York, mas tendo morado no Rio desde os 2 anos, ela vive há três no Porto com o marido, Carlos Alberto Barbosa, de 73, que foi imunizado junto com ela. 

    Ambos tomaram a primeira dose em 9 de abril, e a segunda, em 7 de maio. Poderiam ter tomado no Rio a partir de março, mas, em entrevista à Sputnik Brasil, Elizabeth diz que não se sentiria à vontade para ser inoculada com a CoronaVac. 

    "Com toda certeza, não tomaria CoronaVac de jeito nenhum. Não tenho segurança. Publicaram que a CoronaVac tem menos efeito nas pessoas acima de 70 anos", justifica.
    Anna Elizabeth de Souza com o comprovante das duas doses de Pfizer: segura para voltar a viajar
    © Foto / Divulgação
    Anna Elizabeth de Souza com o comprovante das duas doses de Pfizer: segura para voltar a viajar

    OMS aprova uso emergencial da CoronaVac e abre porta para UE

    Apesar disso, nesta terça-feira (1º), a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou o uso emergencial da CoronaVac. Mesmo não tendo sido ainda aprovada pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA), o reconhecimento pela OMS já é um primeiro passo para que o imunizante seja aceito pelo Certificado Digital COVID-19 da União Europeia.

    O documento vai permitir o livre trânsito no bloco de pessoas que tenham a vacinação completa com algum dos fármacos reconhecidos por uma das entidades, comprovem estar imunizadas por terem se recuperado da doença ou que apresentem um teste RT-PCR negativo. O certificado deve entrar em vigor em julho oficialmente, mas sete Estados-membros já estão emitindo o documento: Alemanha, Bulgária, Croácia, Dinamarca, Grécia, Polônia e República Tcheca.

    Enquanto isso, Elizabeth planeja fazer viagens mais curtas, no interior de Portugal, com o marido, sempre seguindo as medidas sanitárias recomendadas pelas autoridades de saúde, como distanciamento social, uso de máscara e limpeza das mãos com álcool em gel.

    "A única coisa que deixamos de fazer [antes da vacinação] seriam umas pequenas viagens aqui por perto, mas estávamos nos programando para outros passeios. Agora vamos fazer, com certeza, sempre com os cuidados", ressalta.

    A advogada gaúcha Raquel Maciel da Silva, de 57 anos, tomou a primeira dose da Pfizer na última quarta-feira (26) em Lisboa, onde vive há três anos e meio. A segunda está marcada para o dia 23 deste mês, dois dias depois do início do verão europeu. 

    "Foi muita emoção o momento! Só tenho elogios até agora com relação ao meu processo de vacinação. No meu caso, foi tudo perfeito. E quero muito viajar. Estou ansiosa pelo passaporte COVID-19", relata Raquel à Sputnik Brasil.
    A gaúcha Raquel Maciel, de 57 anos, durante a 1ª dose de Pfizer: ansiosa pelo passaporte da vacinação
    © Foto / Divulgação
    A gaúcha Raquel Maciel, de 57 anos, durante a 1ª dose de Pfizer: ansiosa pelo passaporte da vacinação

    Em Portugal, 19,86% da população já estão completamente vacinados, e 39,87% já tomaram pelo menos a primeira dose. No Brasil, os percentuais correspondentes são de 10,5% e 21,58%, respectivamente.

    As opiniões expressas nesta matéria podem não necessariamente coincidir com as da redação da Sputnik

    Tema:
    Coronavírus no mundo no início de junho de 2021 (22)

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    novo coronavírus, Brasil, Portugal, vacinação, COVID-19
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