14:39 22 Janeiro 2021
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    Resultados de 2020, o pior ano da história, e esperanças para 2021 (14)
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    2020 está sendo tachado como um dos piores anos da história. Porém, ele também contou com fatores positivos, que podem nos nutrir de esperança nessa virada para 2021.

    Não há dúvidas de que o ano de 2020 foi difícil e exaustivo para todos. As adversidades vieram no âmbito da pandemia, das finanças pessoais, da atividade econômica, e da falta de eventos marcantes, como viagens e comemorações coletivas.

    Mas para levantar o espírito antes da virada do ano, a Sputnik Brasil relembra alguns dos melhores momentos do ano, cujas dificuldades trouxeram muito aprendizado.

    Quarentena dá uma pausa para o meio ambiente

    O período de imposição dos lockdowns pode ter sido muito ruim para a saúde mental e para a atividade econômica. Mas, como tudo na vida tem dois lados, o meio ambiente pode ter se beneficiado dessa "pausa" na emissão de gases causadores do efeito estufa e da poluição atmosférica.

    Todos se lembram das belas imagens dos canais da cidade italiana de Veneza, finalmente azuis, depois de tantos anos de poluição, ou dos animais selvagens que andavam pacificamente pelas ruas de comunidades rurais em confinamento.

    ​Veneza, águas claras em função de semanas de quarentena

    Em abril de 2020, auge do período de imposição de quarentenas em países de alto desenvolvimento relativo, estimativas apontam que a emissão de carbono, dióxido de enxofre e de nitrogênio, advindas sobretudo da atividade industrial, transportes e geração de energia recuaram em até -17% quando comparado ao mesmo período do ano anterior. O Índice de Qualidade do Ar (AQI) melhorou de maneira significativa em regiões bastante poluídas, como as grandes cidades da Índia e da China. 

    ​Dióxido de nitrogênio sobre o céu da China se reduz durante a quarentena do coronavírus, o Ano Novo Chinês e redução da atividade econômica associada

    Aplausos para agentes da Saúde

    Uma das primeiras tendências mundiais do lockdown foi o aplauso noturno aos agentes da Saúde. A prática surgiu pela primeira vez em meados de janeiro, em Wuhan, na China, e logo se espalhou pelo Ocidente. Os italianos aprimoraram os aplausos e incluíram instrumentos musicais e coro às homenagens aos trabalhadores da linha de frente contra a COVID-19.

    Até abril, o fenômeno já havia sido reportado em Paris, Londres, Istanbul, Madrid, São Paulo e Buenos Aires. No Reino Unido, o próprio ministro, Boris Johnson, participou das festividades, antes do próprio ser internado em decorrência do novo coronavírus.

    ​Do lado positivo, a COVID-19 está nos unindo como seres humanos, habitantes de um único planeta. Em Madrid, onde estamos em regime de lockdown, as pessoas saíram para aplaudir e demonstrar apoio aos agentes da Saúde, que trabalham incessantemente para ajudar os doentes e combater o vírus. Enorme respeito por eles

    Mas, como tudo em 2020, a prática gerou polêmica. Para os críticos, os aplausos deveriam ser transformados em pressão política para garantir condições seguras de trabalho para agentes da Saúde. Para outros, era importante realizar demonstrações públicas de gratidão, em um ano que ainda prometia muitas dificuldades em função do novo coronavírus.

    Solidariedade

    A pandemia atuou como um lembrete bastante severo de que estamos todos no mesmo barco. Desafios como o combate à pandemia só podem ser efetivos se forem realizados de forma coletiva.

    Nesse contexto, campanhas de arrecadação de fundos e alimentos para pessoas prejudicadas pelas quarentenas e pelo próprio vírus tomaram conta da sociedade.

    Quem poderá se esquecer da campanha lançada pelo veterano britânico da Segunda Guerra Mundial de 99 anos, capitão Tom Moore?

    Ao prometer dar 100 voltas ao redor de sua casa antes de seu aniversário de 100 anos, Moore pretendia arrecadar cerca de mil libras esterlinas para o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS, na sigla em inglês) equivalente ao SUS brasileiro.

    No entanto, o capitão arrecadou impressionantes £32 milhões (cerca de R$ 244 milhões) e foi condecorado pela Rainha Elisabeth II na primeira cerimônia real realizada respeitando protocolos de distanciamento social da história da monarquia britânica.

    Capitão Tom Moore recebe o título de Cavaleiro da Rainha britânica, no Castelo de Windson, Reino Unido, 17 de julho de 2020
    © AP Photo / Chris Jackson
    Capitão Tom Moore recebe o título de Cavaleiro da Rainha britânica, no Castelo de Windson, Reino Unido, 17 de julho de 2020

    Exemplos como esse fizeram da solidariedade o valor ressurgente mais influente da pandemia, após anos esquecido sob os escombros do individualismo.

    Aprovação de auxílio emergencial no mundo

    Apesar do papel fundamental da quarentena para frear a propagação do novo coronavírus e garantir a disponibilidade de leitos de UTI para os pacientes mais graves, ela também gerou desemprego em massa e dificuldades financeiras incontornáveis para cidadãos ao redor do mundo.

     Os governos dos países centrais não tardaram a aprovar pacotes de ajuda para setores da economia severamente afetados pela chamada "coronacrise". Mas não estava claro se o cidadão comum e o micro e pequeno empreendedor teriam acesso ao auxílio financeiro.

    "A aprovação dos programas de auxílio foram um momento-chave do ano de 2020", disse o empresário Bruno Araújo à Sputnik Brasil.

    Ele conta ter "recebido todas as parcelas do auxílio normalmente", e acredita que "de fato, ajuda muito a circular a economia".

    Cheque com auxílio financeiro para cidadãos norte-americanos assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em residência de beneficiário, San Antonio, California, EUA, 23 de abril de 2020
    © AP Photo / Eric Gay
    Cheque com auxílio financeiro para cidadãos norte-americanos assinado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, em residência de beneficiário, San Antonio, California, EUA, 23 de abril de 2020

    "No caso do Brasil, já havia uma estrutura com programas de assistência social, e esse programa de auxílio veio na esteira de uma necessidade preexistente", explicou Araújo.

    Até março de 2020, mais de 45 países haviam aprovado algum tipo de pacote de ajuda para seus cidadãos, em sua maioria incluindo medidas como a transferência direta de renda, subsídio à salários e licença remunerada para cidadãos infectados.

    Vacina contra o câncer

    Em um ano dominado pela pandemia de COVID-19, os cientistas não interromperam as pesquisas para encontrar a cura para o câncer. Em julho, cientistas australianos divulgaram resultados positivos de fase preliminar de testes com uma vacina contra a doença.

    O imunizante poderá prevenir câncer de sangue, assim como de mama, rim, ovários e de pâncreas, informou o Instituto de Pesquisa Transnacional da Universidade de Queensland, na Austrália.

    ​Estou interessada em estudos científicos. A Universidade de Queensland, que desenvolveu a primeira pesquisa para a vacina contra o HPV (câncer cervical). Vamos torcer para que eles consigam novamente

    No segundo semestre do ano, a Conferência Anual da Sociedade Europeia de Médicos Oncologistas também foi portadora de boas notícias, ao divulgar resultados positivos de uma nova terapia para o tratamento de câncer de ovário.

    Nova Zelândia realiza quarentena vitoriosa

    Em agosto de 2020, finalmente recebemos uma notícia positiva, que atestava que a humanidade poderia sair vitoriosa da batalha contra o novo coronavírus.

    A Nova Zelândia reportou seu primeiro caso de COVID-19 em 26 de fevereiro de 2020. Em março, estava claro que o país não dispunha de testes, equipamento de proteção pessoal e logística suficientes para combater o vírus.

    Ao contrário de muitos países que adotaram estratégias de mitigação, a Nova Zelândia optou por uma abordagem de eliminação do coronavírus.

    Durante sete semanas, o país foi mantido sob regime rigoroso de quarentena. Em oito de junho, o último paciente infectado dentro do país recebeu alta e o governo declarou o fim da pandemia.

    Neozelandeses assistem à primeira partida de rúgbi celebrada no país após o lockdown, em Dunedin, Nova Zelândia, 13 de julho de 2020
    © AP Photo / Derek Morrison
    Neozelandeses assistem à primeira partida de rúgbi celebrada no país após o lockdown, em Dunedin, Nova Zelândia, 13 de julho de 2020

    Desde então, casos importados esporádicos fizeram soar os alarmes neozelandeses. Medidas de isolamento e restrições ainda são impostas conforme necessário. Mesmo assim, a Nova Zelândia com certeza será um caso de sucesso no combate a pandemias, e a ser estudado por muitos anos após 2020. 

    Nobel para o Programa Mundial de Alimentos

    O ano de 2020 foi muito conturbado para as organizações internacionais: o fechamento de fronteiras e restrições ao trânsito de pessoas inviabilizou operações humanitárias de larga escala, prejudicando milhares de refugiados, deslocados e pessoas carentes ao redor do mundo.

    Por isso, a concessão do Prêmio Nobel da Paz ao Programa Mundial de Alimentos foi recebida como um dos momentos mais positivos do ano de 2020.

    Mulher coleta grãos que caem de saca de mantimentos providenciada pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) em Kandak, Sudão do Sul, 2 de maio de 2018
    © AP Photo / Sam Mednick
    Mulher coleta grãos que caem de saca de mantimentos providenciada pelo Programa Mundial de Alimentos (PMA) em Kandak, Sudão do Sul, 2 de maio de 2018

    "A concessão do Nobel foi um reconhecimento do papel do programa pela comunidade internacional", disse uma funcionária brasileira do programa à Sputnik Brasil.

    Em um mundo no qual cerca de 690 milhões de pessoas passam fome diariamente, o programa faz a sua parte, garantindo assistência a cerca de 100 milhões de pessoas em 88 países.

    Eleições se concretizam

    Como se não bastasse a pandemia, o ano de 2020 foi marcado pela polarização política. O lockdown fez com que milhões de pessoas passassem horas logadas em redes sociais, onde ficam expostas a teorias conspiratórias, discurso de ódio e desinformação sobre a vida política de suas comunidades.

    Nesse contexto, poucos acreditavam que eleições essenciais para a manutenção da segurança global fossem ser conduzidas de maneira pacífica.

    O maior temor, com certeza, girava em torno das eleições norte-americanas. Haverá enfrentamento no dia das eleições? O candidato derrotado permitirá uma transição pacífica de poder?

    Eleitora usa máscara protetora com a frase deixe meu povo votar, em Atlanta, Geórgia, EUA, 14 de dezembro de 2020
    © REUTERS / Elijah Nouvelage
    Eleitora usa máscara protetora com a frase "deixe meu povo votar", em Atlanta, Geórgia, EUA, 14 de dezembro de 2020

    A boa notícia é que, até os últimos dias de novembro, não houve ruptura grave no processo eleitoral norte-americano. Tampouco há indicativos sérios de problemas na transição de poder entre o atual presidente Donald Trump e seu rival, Joe Biden.

    "Uma das coisas boas deste ano é que a epidemia global do coronavírus não levou ao colapso econômico e à desobediência civil em nenhum país do mundo, embora os pré-requisitos para isso fossem bastante óbvios", disse o professor do Instituto de Relações Internacionais de Moscou (MGIMO, na sigla em russo) Sergei Druzhilovsky, à Sputnik Brasil.

    Apesar do cenário desfavorável, a democracia no país mais poderoso do mundo se mostrou resiliente.

    Vacinação em massa

    O melhor momento de 2020 veio somente no final do ano: o início da campanha de vacinação em massa em diversos países do mundo.

    O início da vacinação não só nos dá esperança de que, em 2021, a pandemia possa ser controlada, mas também demonstra que a humanidade é capaz de feitos científicos notáveis, quando canaliza seus esforços para algo positivo.

    Na Rússia, a campanha de vacinação começou em 1º de dezembro. Agentes da Saúde, trabalhadores de instituições de ensino, funcionários de setores econômicos essenciais e idosos já podem tomar a vacina no país.

    "O início da campanha de vacinação foi, ao meu ver, o melhor momento de 2020", disse o engenheiro russo Kirill Epishin à Sputnik Brasil, após receber a primeira dose da vacina Sputnik V.

    Para ele "a melhor notícia foi o início da vacinação de pessoas acima de 60 anos, porque tenho parentes mais velhos e estava muito preocupado com eles".

    Homem fantasiado de Papai Noel nas ruas de Moscou, Rússia, 11 de dezembro de 2020
    © Sputnik / Ilia Pitalev
    Homem fantasiado de Papai Noel nas ruas de Moscou, Rússia, 11 de dezembro de 2020

    Cerca de 40 países deram início às campanhas de vacinação em massa e cerca de cinco milhões de pessoas já foram imunizadas.

    Nesta virada do ano, a esperança é que o Brasil, país com grande expertise em vacinação em massa, se junte a esse clube de países e comece a imunização contra a COVID-19.

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