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    Pandemia de COVID-19 no mundo em meados de novembro (90)
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    Quantidade enorme do produto e exigências de manutenção de temperaturas abaixo de zero são apenas alguns dos dilemas que empresas do setor vão enfrentar em breve.

    Primeiro, o desafio de achar uma vacina contra a COVID-19. A seguir, a luta para transportá-la. Mesmo ainda sem a cura para o coronavírus, companhias aéreas começam a pensar na logística de levar milhões de doses pelo mundo considerando, entre outras dores de cabeça, as exigências de temperatura para que elas cheguem em perfeito estado a seus destinos, informou nesta quarta-feira (18) a agência Reuters.

    A franco-holandesa Air France-KLM, por exemplo, está preparando uma série de testes nos próximos dias a partir do seu centro de operações no aeroporto Schiphol, em Amsterdã, na Holanda. Melhor testar mesmo porque gigantes farmacêuticos envolvidas em pesquisas da vacina, como a Pfizer e a Moderna, exigem que as temperaturas de armazenamento variem de 80 a 20 graus Celsius abaixo de zero.

    "Será um grande desafio logístico", constatou o chefe de carga da empresa, Christophe Boucher.

    O transporte aéreo da COVID-19 está sendo planejado em meio a uma parada parcial das viagens aéreas globais. As companhias advertiram que estas restrições de deslocamentos poderiam dificultar o esforço já que cerca de 45% da carga normalmente vai em porões de aviões de passageiros.

    A Air France-KLM não descarta a possibilidade de trazer jatos ociosos de volta ao serviço para o transporte de vacinas, disse o gerente de cargas farmacêuticas Florent Gand.

    "Temos alguns aviões parados atualmente que podemos usar, se necessário, para transportar as vacinas da COVID-19 ao redor do mundo", completou.

    As estratégias preveem até transformar aviões de passageiros em transporte de vacinas desde que armazenados em contêineres especialmente fabricados, de acordo com a maior companhia aérea europeia de carga.

    80 graus abaixo de zero

    Nenhum avião, mesmo um cargueiro construído com este fim, seria capaz de manter as vacinas a 80 graus Celsius abaixo de zero sem sofrer algumas modificações, segundo o diretor executivo da Cargolux Airlines International SA, Richard Forson. Isso faria do embarque em caixas personalizadas a única opção viável.

    "O contêiner adaptado pode permanecer na temperatura ambiente porque está protegido por dentro", disse ele em um webinar do Clube de Aviação de Londres, acrescentando que a capacidade não será um problema. "Todos os aviões de passageiros do mundo serão mobilizados para transportar estas vacinas", explicou.

    Um obstáculo potencial é a sensibilidade das vacinas, disse Forson, já que a Pfizer informou que a caixa que transporta o produto terá uma vida útil de apenas dez dias. A caixa com os imunizantes também não pode ser aberta mais de duas vezes por um período máximo de um minuto de cada vez, acrescentou.

    "A parte mais curta da vida útil dessa vacina vai estar a bordo de nossas aeronaves e estamos bastante acostumados a voar com produtos farmacêuticos. O importante é a última milha, ou seja, levá-la ao hospital ou clínica onde ela será usada", contou.

    A melhor solução seria a vacina ser fabricada no maior número possível de locais "em vez de produzir bilhões e voar com elas ao redor do mundo", comentou.

    Mesmo assim a armazenagem será um enorme desafio, segundo Forson, cuja empresa sediada em Luxemburgo opera uma rede global de armazenagem e alimentadores rodoviários, além de sua frota de 30 cargueiros Boeing 747.

    "É preciso ter a capacidade de refrigeração. No Ocidente, eles podem talvez ter recursos para adquirir tais equipamentos. Se você olhar para a África, América do Sul e outros países em desenvolvimento, você tem que perguntar como eles vão armazená-los", concluiu.
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    Tags:
    Boeing 747, KLM, Air France, Pfizer, COVID-19
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