00:24 01 Dezembro 2020
Ouvir Rádio
    Sociedade
    URL curta
    Coronavírus no mundo no fim de outubro (54)
    280
    Nos siga no

    A maioria dos cientistas acredita que medidas de controle rigorosas, envolvendo teste e isolamento, distanciamento social e uso de máscara, são necessárias para limitar a propagação do SARS-CoV-2.

    Alguns países tentaram a abordagem de COVID-19 zero, tentando eliminar o vírus em vez de conter sua disseminação. A Nova Zelândia, por exemplo, quase conseguiu, mas após 100 dias sem nem um caso, novas infecções surgiram em viagens internacionais e outras fontes desconhecidas.

    Embora seja possível nivelar a curva usando medidas de controle exigentes, chegar ao nível nulo de COVID-19 é mais difícil, mesmo que estas sejam completamente respeitadas.

    O exemplo da Nova Zelândia mostra que é necessário evitar que o vírus seja importado, o que exige restrições de viagem prolongadas e severas, bem como testes rigorosos aos passageiros antes e depois da viagem.

    Sendo o encerramento prolongado de fronteiras bastante desfavorável e as medidas de controle da comunidade por si mesmas insuficientes para eliminar o vírus, chegar ao desejado nível de COVID-19 zero atualmente é impossível. Contudo, tal pode ser possível no futuro se forem utilizadas abordagens diferentes, segundo o portal Science Alert. 

    Imunidade é a melhor estratégia

    A forma mais eficaz de conter COVID-19 advém do mecanismo de defesa natural do corpo: o sistema imunológico.

    A recuperação de uma infecção viral geralmente está associada ao desenvolvimento de imunidade. Ainda não se sabe se a infecção pelo SARS-CoV-2 protege da possível reinfecção pelo mesmo, embora haja poucos exemplos de pessoas sendo reinfectadas, salienta o portal.

    A maioria das pessoas infectadas desenvolve anticorpos contra o vírus e, mesmo que aquelas que não desenvolvem os sintomas possam não gerar anticorpos, a infecção ainda pode ativar as células T do sistema imunológico, que fornecem uma defesa alternativa. Deste modo, parece que a infecção gera imunidade na maioria das pessoas estudadas, pelo menos a curto prazo.

    Enfermeira coleta sangue de voluntária durante teste de vacina do Colégio Imperial de Londres, 5 de agosto de 2020
    © AP Photo / Kirsty Wigglesworth
    Enfermeira coleta sangue de voluntária durante teste de vacina do Colégio Imperial de Londres, 5 de agosto de 2020
    Sabendo isto, alguns cientistas sugeriram recentemente que o vírus deveria se espalhar pela população – enquanto protegia os idosos e vulneráveis – para permitir o desenvolvimento da imunidade coletiva. 

    É aqui que um número suficiente de pessoas em uma população se tornou imune para impedir que uma doença se espalhasse livremente. O limite para que isso aconteça é tão alto quanto 90% a 95% para um vírus altamente transmissível como o sarampo. Alguns sugeriram que pode ser tão baixo quanto 50% para o SARS-CoV-2. O consenso deverá ficar em torno de 60% a 70%.

    As consequências de tentar atingir esse limite por meio da infecção natural ocasionariam mais mortes nos grupos de risco: pessoas mais velhas, pessoas com obesidade e indivíduos com problemas médicos subjacentes. Além disso, algumas pessoas infectadas desenvolvem complicações de saúde de longo prazo, mesmo que a infecção inicial não seja muito grave.

    Portanto, avança Science Alert, para a maioria da população, os riscos associados à obtenção de imunidade coletiva tornam essa estratégia inaceitável para suprimir o vírus, e eliminá-lo.

    Vacinas não são uma solução rápida

    Teoricamente, a obtenção de imunidade de rebanho por meio da vacinação tem o potencial de nos levar ao indescritível nível de COVID-19 zero. É mais que sabido que as vacinas reduziram a incidência de difteria, tétano, sarampo, caxumba, rubéola e haemophilus influenzae tipo B para quase zero em muitos países desenvolvidos.

    Existem mais de 200 vacinas em desenvolvimento contra o SARS-CoV-2. Porém, ter um eliminador de COVID-19 é uma expectativa muito alta. Qualquer das vacinas produzidas teria de ser altamente eficaz para prevenir a doença, e impedir a propagação do vírus para pessoas que não o contraíram.

    As vacinas atualmente em desenvolvimento, no entanto, têm como objetivo uma meta muito menor: ter pelo menos 50% de eficácia, que é o limite necessário para que sejam aprovadas pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA na sigla em inglês).

    Estudo de vacina contra COVID-19 nos EUA
    © REUTERS / Marco Bello
    Estudo de vacina contra COVID-19 nos EUA
    Criar uma vacina altamente eficaz na primeira tentativa pode ser otimista demais. As vacinas também precisam ser eficazes em todas as faixas etárias e seguras para serem usadas em toda a população. A segurança é fundamental, pois qualquer complicação em qualquer faixa etária não só reduzirá a confiança, como também a aceitação da vacina.

    Adicionalmente, a vacina também precisará ser produzida em quantidades suficientes para vacinar mais de sete bilhões de pessoas, o que levará tempo.

    Em conclusão, embora uma vacina eficaz ofereça a melhor chance de atingir nível nulo de COVID-19, devemos ser realistas sobre o que é possível. A eliminação do vírus em grande parte do mundo, embora não seja impensável, pode levar vários anos para ser concretizada.

    Tema:
    Coronavírus no mundo no fim de outubro (54)

    Mais:

    Putin fala sobre COVID-19, armas e outros temas em reunião anual do Clube Valdai
    Fiocruz avalia se vacina já existente tem efeitos contra COVID-19
    Segundo pesquisa, 53% dos brasileiros tomariam vacina russa contra coronavirus
    Tags:
    pandemia, medicina, vacina, mundo, COVID-19
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar na SputnikComentar no Facebook
    • Comentar