15:08 27 Setembro 2020
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    Em meio à pandemia da COVID-19, a morte de um menino de cinco anos no ambiente de trabalho da própria mãe, nesta semana, em Pernambuco, reacendeu as discussões sobre a falta de locais para acolher crianças quando os pais estão no trabalho.

    A pandemia que já matou cerca de 400 mil pessoas em todo o mundo e vem afetando significativamente a economia global também tem revelado uma série de problemas sociais, sobretudo no que diz respeito à desigualdade, no Brasil e em outros países. 

    Nesta semana, um incidente trágico no Recife, capital do estado de Pernambuco, a morte de uma criança de apenas cinco anos, chamou a atenção da sociedade brasileira para uma dificuldade que faz parte da rotina de milhões de mães e pais — principalmente mães — brasileiros: a necessidade de, muitas vezes, levar o seu filho para o trabalho por não ter com quem deixá-lo. 

    No caso citado, essa necessidade da mãe, a empregada doméstica Mirtes Renata Santana de Souza, forçada a continuar cumprindo suas funções normalmente mesmo com as recomendações gerais de isolamento, acabou levando a consequências imprevisíveis, à morte de seu filho em uma queda de mais de 30 metros por negligência de sua patroa. 

    ​Lugar de criança

    Pensando em pessoas como Mirtes, pessoas que, com ou sem pandemia, vivem o dilema de não ter onde deixar suas crianças quando têm que trabalhar, um grupo de amigos da cidade de Campinas, em São Paulo, decidiu se reunir para ajudar nos cuidados a menores de famílias da periferia. 

    Criado em 2015, mas estabelecido oficialmente em 2016, o Projeto Amigos que Ajudam se concentra em oferecer uma alternativa àqueles que não podem contar com creches públicas ou privadas na região, como explicou à Sputnik Brasil um de seus fundadores, Cleiton Rodrigues. 

    "Aqui em nosso projeto social, recebemos crianças e adolescentes o ano todo, são crianças e adolescentes que não têm vagas em creche. Nosso projeto social é localizado na periferia de Campinas, um bairro chamado Campo Belo, uma área de inovação onde vivem pessoas com menos de um salário mínimo. Eles não têm acesso a saneamento básico, segurança e escola ou creche", explica.

    "Nossa casa é um apoio à comunidade, onde recebo crianças a partir das 6h da manhã, para os pais trabalharem. Eles têm cinco refeições, e, à noite, retornam para seu lar. Não temos ajuda de prefeitura ou estado. Nossa ajuda vem de empresários e doações." 

    Devido ao surto do novo coronavírus e às medidas de distanciamento, das 60 crianças que costumam frequentar a instituição, apenas 12 puderam continuar comparecendo, em respeito a uma determinação municipal. 

    "As crianças filhas de pais que trabalham têm ficado sozinhas ou sob responsabilidade de terceiros, a mercê de violência e abuso sexual", afirma o responsável pelo projeto, destacando que as crianças que não estão frequentando a casa de apoio têm recebido almoço e jantar para serem consumidos em seu próprio lar, mas não é o bastante. "Temos pais que me ligam todos os dias perguntando quando retornam as atividades, porque são crianças que estão sob responsabilidade de terceiros ou até mesmo sozinhas."

    Para evitar essa defasagem, que não é exclusiva da situação criada pela pandemia, o ideal seria haver mais espaços de "acolhida" e "proteção" para as crianças, diz Cleiton Rodrigues. 

    O Projeto Amigos que Ajudam, que, segundo o fundador, completou cinco anos neste sábado (6), conta, além da creche, com outras quatro unidades de serviço de acolhimento institucional para crianças e adolescentes afastados do convívio familiar por meio de medida protetiva.

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    Tags:
    COVID-19, novo coronavírus, pandemia, trabalho, escola, creches, filhos, crianças, São Paulo, Campinas, Brasil
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