04:03 30 Maio 2020
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    Especialistas da Universidade Estatal de Psicologia e Pedagogia de Moscou (UEPPM) revelaram os desafios que os professores das escolas enfrentam ao lidar com bullying. Os cientistas elaboraram recomendações para as escolas reagirem da melhor maneira a tais situações.

    Ao analisar pesquisas russas e internacionais sobre assédio e bullying, cientistas da UEPPM revelaram os principais desafios que surgem ao lidar com estas situações. Os resultados podem ajudar as escolas a elaborar programas eficazes de combate e prevenção do bullying. A respectiva pesquisa foi publicada na revista Sovremennaya Zarubezhnaya Psikhologia (Psicologia Estrangeira Contemporânea).

    O professor é uma das figuras chave para lidar com o bullying, acreditam os especialistas. Ele é um modelo para os alunos e sua maneira de reagir ao assédio se reflete no comportamento das crianças e no nível de confiança nos adultos em situações de assédio e ofensas. Porém, não é raro o professor ter dificuldades em enfrentar casos de bullying, agindo incorretamente ou se abstendo de agir.

    "Frequentemente os professores consideram o bullying como um comportamento normal no âmbito de grupo e que não afeta negativamente as crianças. Quer dizer, eles acham que é uma forma de conflito. Não consideram como bullying o assédio psicológico, a exclusão social, etc. Ao serem capazes de distinguir apenas o bullying físico, os professores muitas vezes não sabem como reduzir o nível de agressividade, costumando se basear em sua experiência cotidiana pessoal e não em conhecimentos profissionais", comenta a chefe do departamento de Psicologia Jurídica e Direito da UEPPM, Rimma Chirkina.

    Bullying entre adolescentes (imagem de arquivo)
    © flickr.com / Lee Morley
    Bullying entre adolescentes (imagem de arquivo)

    A especialista observa que é comum o professor achar ser suficiente descobrir o agressor e falar com ele, instando-o pedir perdão à vítima. Proceder deste modo significa deixar de lado as testemunhas, que também ficam afetadas pela situação. Em uma turma cujos professores preferem ignorar comportamentos manifestamente agressivos, ou abstrair-se dos problemas das crianças, apenas alguns alunos seriam capazes de compartilhar informações sobre essas situações com o professor.

    Sem explicar o problema a todos os participantes da situação, mesmo havendo envolvimento das autoridades escolares, dos pais e até da polícia, isso não terá resultado positivo, explica a cientista. Na maioria dos casos semelhantes, a agressão torna-se encoberta e não desaparece por completo.

    "A análise das pesquisas russas (que ainda são poucas) e da maioria das estrangeiras demonstra que a falta de métodos eficazes de profilaxia do bullying nas escolas é relacionada à personalidade do professor, à falta de conhecimentos teóricos e práticos e às abordagens estereotipadas ao bullying", afirma Chirkina.

    Os professores mais eficientes no combate ao bullying são aqueles que possuem alto nível de empatia e competências comunicativas. Isso, junto à compreensão da natureza e dos sintomas de bullying, ajuda a intervir nas situações de agressão com maior eficácia, fortalecendo a confiança nas relações com os alunos.

    Rimma Chirkina comenta que as pesquisas estrangeiras confirmam a eficácia de certas ferramentas para lidar com o bullying.  São as regras internas da turma, elaboradas e respeitadas por todos, o patrulhamento dos "pontos quentes" e um bom gerenciamento. Como observam os especialistas, a gestão da turma consiste em três componentes essenciais: o monitoramento da situação, a organização da comunicação e o manejo de instrumentos de gestão.

    Professora em aula de educação de redes sociais e Internet, na Alemanha (foto de arquivo)
    © AP Photo / Martin Meissner
    Professora em aula de educação de redes sociais e Internet, na Alemanha (foto de arquivo)

    "As capacidades de gestão dos professores também constituem um elemento de profilaxia do bullying. O professor deve conhecer os papéis de todos seus alunos, sabendo influir na sua distribuição, e não se permitir distinguir entre 'favoritos' e 'menosprezados', criar desigualdades, nomear 'chefes' e 'subordinados'", explica a cientista.

    Rimma Chirkina deu o exemplo de uma boa ferramenta de gestão: a criação de situações de êxito, a designação de tarefas criativas conjuntas, a formação de valores e regras que excluam a violência e a desigualdade nas relações.

    Os psicólogos sugerem aos professores lançar a iniciativa de criar, em conjunto com todas as crianças, as regras da turma, fomentar o respeito das mesmas e elaborar avaliações concretas, do ponto de vista da moral, do seu descumprimento. Será ótimo se este processo começar com conferências na escola com participação dos alunos e seus pais, para os mesmos comprovarem que toda a escola está participando.

    "Conferências escolares são um dos métodos mais eficientes de fazer toda a escola participar e também de garantir um apoio sensível da administração. Estes eventos ajudam a ganhar a lealdade ao programa não somente entre professores, mas também entre os gestores", nota Chirkina.

    Os cientistas acreditam que programas antibullying que abrangem a escola inteira, e não uma turma só, permitem envolver todos os adultos que interagem com a criança na escola.

    Ao nível da turma, técnicas de recuperação podem ser implementadas. Elas estão se desenvolvendo na Rússia ativamente e sua eficiência já foi comprovada. São reuniões comunitárias, conferências escolares e de turma, mediação recuperativa e outras técnicas organizadas pelos serviços de reconciliação escolares e territoriais.

    Os cientistas contam que, em uma escola, a convocação de uma reunião com a participação só com professores e os outros alunos (sem a presença do agressor e da vítima) permitiu às crianças explicar sua atitude perante o fato de assédio, adotando a postura de resistência ativa à humilhação de outros. Em resultado, o agressor teve que cessar a violência.

    Crianças estudam em Curitiba.
    Fotos Públicas / SMCS / César Brustolin
    Crianças estudam em Curitiba.

    "O trabalho conjunto dos professores e especialistas auxiliares ajuda a reduzir o nível de agressão e vitimação. Por exemplo, a cooperação entre o professor e o psicólogo escolar no âmbito de programas de profilaxia precoce com métodos lúdicos (projeto 'Força do Jogo Popular' da UEPPM, programa russo-finlandês 'Turma com Jeito', baseado no método Skilful Class da autoria de Ben Furman, etc.). Programas de recuperação com participação dos curadores dos serviços escolares de reconciliação também têm bom efeito", diz Chirkina.

    Isso melhora o ambiente nas turmas, forma capacidades sociais importantes e métodos de controle do comportamento das crianças, o que ajuda a reduzir o nível de agressão em ambiente escolar.

    Pesquisadores confessam que a implementação de todos os instrumentos exige formação adicional dos professores para apreenderem os procedimentos em situações de agressão e assédio. A organização do trabalho no âmbito da escola permitirá aos professores receber apoio da administração escolar para realizar todos os programas antibullying.

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    Tags:
    adolescentes, crianças, escolas, assédio, bullying
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