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    Pesquisadores de Hong Kong demonstraram a alta eficiência das máscaras médicas na luta contra o novo coronavírus, podendo o risco de transmissão ser substancialmente reduzido quando usadas.

    Cientistas da Universidade de Hong Kong, efetuando pesquisas com hamsters, obtiveram a primeira prova de que o uso de máscaras cirúrgicas pode reduzir significativamente a taxa de transmissão do coronavírus SARS-CoV-2.

    Experimento pioneiro

    A novidade foi adiantada em 17 de maio pelo jornal de Hong Kong em língua inglesa South China Morning Post e refere que o estudo em causa – que a equipe de cientistas considerou pioneiro – apurou que a taxa de transmissão sem contato, ou seja, quando o vírus é transmitido por gotículas respiratórias ou partículas transportadas pelo ar, caiu em até 75% quando as máscaras foram usadas.

    "As descobertas demonstram ao público e a todo o mundo que a eficácia do uso de máscaras contra a pandemia do coronavírus é enorme", afirmou Yuen Kwok-yung, microbiologista e líder da equipe de cientistas da Universidade de Hong Kong, sem deixar de alertar que o risco de infecção permanece mesmo com máscaras.

    O experimento consistiu em construir gaiolas especiais, com divisórias feitas de máscaras cirúrgicas, com um hamster infectado de um lado e três hamsters saudáveis do outro. Um ventilador foi então colocado no meio para garantir que o vírus circulasse pelas gaiolas.

    Mulher usando máscara e luvas faz exercícios no parque Jingshan, em Pequim, na China, 30 de abril de 2020
    © REUTERS / China Daily
    Mulher usando máscara e luvas faz exercícios no parque Jingshan, em Pequim, na China, 30 de abril de 2020

    Foram usados como cobaias nos testes 52 hamsters, sendo criados três cenários que replicavam situações da vida real: com barreiras de máscara colocadas apenas em gaiolas que mantinham os hamsters infectados; com separações colocadas apenas no lado não infectado; e sem nenhuma separação.

    Resultados elucidativos

    Após sete dias, 10 em cada 15 hamsters saudáveis, ou 66,7%, colocados em gaiolas sem separação, haviam sido infectados.

    Mas quando foram colocadas barreiras de máscara cirúrgica no lado dos hamsters infectados, apenas dois dos 12 hamsters na gaiola adjacente, ou 16,7%, deram positivo para o coronavírus.

    Esse número subiu para quatro em 12 quando a separação foi colocada apenas na gaiola com hamsters saudáveis.

    "Este nosso experimento com hamsters mostra muito claramente que se hamsters infectados ou humanos – especialmente assintomáticos ou sintomáticos – colocarem máscaras, eles realmente protegem outras pessoas. Esse é o resultado mais positivo que mostramos no estudo", afirmou Yuen.

    "A transmissão [do vírus] pode ser reduzida em 50 [pontos percentuais] quando máscaras cirúrgicas são usadas, especialmente quando as máscaras são usadas por indivíduos infectados", precisou o cientista.

    O estudo também descobriu que hamsters infectados pelo SARS-CoV-2 por injeção direta apresentavam sintomas mais graves do que aqueles que o contraíam através das separações com máscara. Este último grupo apresentou escores clínicos mais baixos, alterações histopatológicas mais leves e cargas virais mais baixas nos tecidos do trato respiratório.

    Não se deve baixar a guarda

    "Nesta fase, não dispomos de uma vacina segura e eficaz. O que permanece aconselhável ainda são as medidas de distanciamento social ou uso de máscaras", acrescentou Yuen.

    O microbiologista revelou ter notado uma falta de cautela nas pessoas que vivem em Hong Kong, evidenciada na queda de 97% para menos de 90% no uso de máscara nos últimos dias.

    Os residentes, advertiu Yuen, devem permanecer em alerta, especialmente porque o vírus pode ter muitos transmissores "silenciosos".

    "Eu sei que usar máscaras será difícil durante o verão. Mas meu conselho é que, especialmente quando você estiver em um ambiente fechado, onde não haja circulação livre de ar, em lugares lotados ou em transporte público, você deve sempre usar uma máscara", aconselhou.

    A mesma equipe de pesquisa liderada por Yuen já havia estabelecido em fevereiro que os hamsters – que possuem receptores enzimáticos muito semelhantes aos humanos – poderiam transmitir o vírus de uns para os outros através de contato direto ou indireto.

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    novo coronavírus, pandemia, COVID-19
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