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    Face à crescente presença de fotos e vídeos "falsos" no Twitter, a rede social irá, a partir de março, iniciar a remoção de publicações suspeitas de pretenderem influenciar as eleições americanas.

    O Twitter anunciou esta quarta-feira (5) que, à semelhança de outras redes sociais, iniciaria a luta contra fotos e vídeos "falsificados" que possam vir a interferir na campanha presidencial americana.

    Sabemos que alguns tweets incluem fotos ou vídeos manipulados que podem causar danos às pessoas. Hoje estamos introduzindo uma nova regra e uma etiqueta de advertência que abordará isso e dará às pessoas mais confiança em nossa rede

    A plataforma pretende sobretudo concentrar-se em conteúdos modificados - montagens de vídeo ou áudio e imagens editadas, que se destinem a enganar o público ou que pretendam prejudicar terceiros, incitando à violência ou infringindo a sua liberdade de expressão.

    Os tweets assim catalogados serão removidos ou publicados com uma etiqueta de advertência, entrando as novas regras em vigor já no próximo mês de março.

    Como medida adicional, a rede pode igualmente reduzir a visibilidade das mensagens ou adicionar contexto.

    Combate às 'fake news'

    A maioria das grandes redes sociais implementou medidas que combinam inteligência artificial e recursos humanos para combater a desinformação, desde notícias falsas até às "deep fakes", passando por fotos ou vídeos de tal maneira bem falsificados que facilmente são tomados como reais.

     Fake news (imagem referencial)
    © Foto / Pixabay / S. Hermann & F. Richter
    Fake news (imagem referencial)

    Esta rede social reage assim às pressões das autoridades europeias e norte-americanas, que têm defendido que houve massivas campanhas de manipulação no Facebook em 2016 que poderiam ter influenciado o eleitorado aquando da eleição presidencial nos EUA e do referendo sobre o Brexit no Reino Unido.

    "Esta nova regra se soma às muitas outras regras já existentes" para regular o Twitter, disse Yoel Roth, diretor do departamento de conformidade da plataforma, em uma coletiva de imprensa. "A título de exemplo, desde há vários anos que vimos impedindo a difusão de imagens e vídeos de conteúdo sexual forjado ou falsificado, muito em voga na Internet".

    A rede tem como alvo falsificações de áudio ou vídeo, mas não ataca diretamente mensagens escritas falaciosas, embora tenha banido a publicidade com motivação política.

    Dois pesos e duas medidas?

    Roth ressalvou que as novas regras não pretendem proibir o uso de técnicas de efeitos especiais nos áudios e vídeos. Não se pretende banir a manipulação caseira. O Twitter estará de olho, sim, no conteúdo e não na forma de apresentação dos áudios e vídeos.

    Para ajudar a identificar conteúdos potencialmente problemáticos, as equipes de supervisão do Twitter em todo o mundo pretendem a colaboração dos usuários, sobretudo através de denúncias.

    Fake news
    © Foto / Pixabay / Gordon Johnson
    Fake news (imagem referencial)

    Roth admitiu que as imagens e os vídeos satíricos possam conduzir a juízos de valor errados. Por isso, o usuário poderá sempre apelar da decisão, sendo o conteúdo revisado.

    O YouTube, a plataforma de vídeo do Google, anunciou medidas semelhantes nesta segunda-feira (3) sobre conteúdos manipulados ou falsificados que pretendam enganar os usuários ou que possam vir a causar danos a terceiros.

    O Facebook, pelo contrário, ainda permite anúncios políticos, isentando-os mesmo do seu sofisticado sistema de verificação de fatos.

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    Tags:
    manipulação, eleições, desinformação, You Tube, Facebook, Twitter, redes sociais, notícias falsas, fake news
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