21:06 19 Setembro 2018
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    Bandeira do Brasil enfeita ruas do país para a Copa do Mundo Rússia 2018

    Argentino junta brasileiros e refugiados para torcer pelo Brasil

    © REUTERS / Bruno Kelly
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    Argentinos torcendo pelo Brasil parece quase uma ficção. Jonathan Berezovsky, no entanto é uma prova viva do contrário. E ele se vai além e se supera, fazendo com que os refugiados torçam pelo Brasil e que os brasileiros torçam pelos refugiados.

    O Projeto Meu Amigo Refugiado, iniciativa da ONG Migraflix, vai juntar pessoas em condição de refúgio e famílias brasileiras, para assistirem juntos, na Grande São Paulo, aos jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo 2018, realizada na Rússia.

    Sputnik Brasil conversou com Jonathan Berezovsky, imigrante argentino, fundador e diretor executivo da ONG Migraflix.

    O objetivo da ONG é empoderar os refugiados e promover as culturas de suas nações. Não só de forma econômica, mas no sentido de integrar as pessoas ao país. 

    "Estamos quebrando os preconceitos".

    A primeira ação, em 2016, tentou fazer com que 15 refugiados fossem recebidos pelas famílias brasileiras durante o Natal. O piloto foi um sucesso. Mais de três mil famílias se cadastraram. Então o projeto cresceu. 

    O movimento que nasceu em São Paulo, agora vai atuar em cidades como Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte e Bela Vista, em Roraima, em feriados nacionais e também na Copa.

    O argentino ressaltou a importância da imigração para a história e o desenvolvimento do país.

    "Acreditamos que os refugiados podem contribuir com a sociedade brasileira. Assim como os imigrantes que foram chegando no Brasil no final do século 19 e no início do século 20. Eles contribuíram com a economia do país. A gente sabe que os imigrantes e os refugiados que continuam chegando hoje em dia também podem contribuir com a economia", afirmou Berezovsky.

    Segundo diversas pesquisas, acrescentou ele, os "refugiados contribuem de forma positiva no PIB do país".

    "O medo do estrangeiro vem da ignorância…nós promovemos encontros a partir da cultura, dando a oportunidade aos brasileiros de saber quem são realmente esses refugiados sírios, venezuelanos, congoleses, angolanos".

    "São pessoas como você".

    O interlocutor da Sputnik comemorou o impacto positivo dos encontros promovidos pela sua ONG. Ele revelou que muitos imigrantes continuam se relacionando com as famílias apresentadas no âmbito do projeto.

    "Muitos dos encontros continuam ao longo do tempo. A gente consegue criar vínculos fortes, que fazem com que o brasileiro possa perder os seus medos, e os refugiados possam ter uma rede de pessoas capazes de ajudar a reconstruir a sua vida".

    Todos torcem pelo Brasil

    O futebol é uma paixão no Brasil, mas também em outros países", disse o ativista.

    "Todo mundo está torcendo pelo Brasil na Copa e no dia a dia", conclui Jonathan Berezovsky.

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    Tags:
    refugiados, Migraflix, Jonathan Berezowsky, Brasil
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