17:16 26 Setembro 2021
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    Depois de participar de diversas operações importantes da Guarda Civil Municipal de Rio Claro, em São Paulo, o cão Thor, um Pastor-belga Malinois de 8 anos, teve sua aposentadoria decretada oficialmente e agora vai ganhar um novo lar.

    Thor prestou 8 anos de serviços ao canil da corporação como cão farejador e atuou em operações de destaque como a que encontrou mais de uma tonelada e meia de pasta de de cocaína em ação da Polícia Rodoviária de Ipeúna, que foi encontrada escondida em pisos cerâmicos, além da localização de entorpecentes e de armas em bairros de Rio Claro.

    Além de Thor, o canil da Guarda Civil Municipal de Rio Claro ainda conta com outros quatro Pastores-belga Malinois – Safira, Athila, Ágatha e Zeus — e mais dois filhotes Phanton e Mas, da raça Pastor Holandês.

    A Sputnik Brasil conversou com exclusividade sobre a trajetória do cão Thor na Polícia e o trabalho do cão farejador, com Ricardo de Palma, Comandante do Canil da Guarda Civil Municipal de Rio Claro, São Paulo. Ele explicou o porquê da aposentadoria do Thor. 

    "Nós precisamos seguir o regulamento. Segundo o regulamento, os cães trabalham no máximo por oito anos, ou até completarem a idade de 10 anos. Como ele já completou 8 anos de serviço, a gente é obrigado a fazer a aposentadoria dele", explicou o policial.

    Cão Thor, durante operação policial de combate ao tráfico de drogas
    Divulgação GCM
    Cão Thor, durante operação policial de combate ao tráfico de drogas

    Ricardo de Palma também explicou como funciona o treinamento dos cães farejadores na GCM.

    "O treinamento de um cão farejador não é um trabalho pesado, mas é um trabalho exaustivo. É algo muito próximo de uma brincadeira. O cão, durante o ato de farejar, brinca. Nos treinamentos nós trabalhamos por associação. Todos os cães farejam. É uma característica comum dos cães. Eles possuem um aparelho olfativo bastante aguçado. Mas para o cão farejar aquilo que eu quero, eu preciso de um objeto de troca. Ou seja, além de farejar, ele precisa gostar de alguma coisa. No caso dos nossos cães, eles são loucos por bolas de tênis. Então eu faço uma associação dessa bolinha ensinando os nossos cães primeiramente a usar o aparelho olfativo para localizar o objeto desejado. E com isso eu vou associando o odor que eu quero que ele aprenda. Num determinado momento do treinamento, ele vai associar esse odor. E toda vez que ele estiver em uma operação, em uma situação real, vai acontecer o seguinte. Ele não sabe o que é um entorpecente. Para ele é o odor do objeto de desejo dele. Por isso, quanto mais foco ele tiver no objeto, ele realizará melhor o trabalho", explicou.

    No caso do Thor, o foco nunca foi um problema.

    "O Thor é louco por bolinha. Ele abandona qualquer coisa pela bola. A bola é a vida dele. E isso foi muito bem aproveitado. Ele foi muito bem treinado pelos nossos profissionais. E graças a esse treino e essa dedicação e essa característica do animal, nós conseguimos ter um bom cão farejador, que nós rendeu grandes apreensões ao longo desses oito anos. Isso acabou sendo divulgado pela imprensa e as corporações das cidades próximas passaram a solicitar o apoio do cão farejador", contou Ricardo de Palma.

    Cão Thor, após farejar o esconderijo das drogas
    Divulgação GCM
    Cão Thor, após farejar o esconderijo das drogas

    O policial contou o que se espera da aposentadoria de Thor. 

    "O que a gente espera da aposentadoria dele? Que ele tenha um lar. Uma pessoa que possa dar carinho e conforto para ele. Para ele não ter mais o estresse do dia a dia de treinamentos, de viajar em viaturas. Que daqui para frente ele descanse, coma a vontade, tenha água a vontade, que tenha um gramado para correr. É isso que a gente espera da aposentadoria dele", explicou.

    Segundo de Palma, há um procedimento para a adoção de cães farejadores que se aposentam. Geralmente o cão fica com o policial condutor. Mas nem sempre esse é o caso.

    "Apareceram várias pessoas interessadas em adotar. A gente segue um critério para a escolha da melhor pessoa para adotar o cão. Que ela tenha condições de prover boa alimentação, um bom veterinário. Que tenha um domicílio com espaço para correr. E temos também o regulamento. A prioridade sempre é do condutor dele, aquele policial que trabalhou com ele ao longo desses oito anos. Se ele não puder adotar esse cachorro por alguma questão particular, a gente abre a oferta para outros participantes do grupamento, e só depois que ele é ofertado para pessoas civis. Mas à vezes a gente quebra o protocolo e entrega o cão para uma pessoa que tem condições melhores do que a gente para cuidar", destacou o interlocutor da agência. 

    No caso do Thor, ele não ficará com o Ricardo de Palma, mas ficará na casa de uma moradora da cidade.

    "Temos uma senhora aqui da cidade de Rio Claro. Ela é aposentada do Estado e tem uma condição de vida muito boa. Ela ama animais, tem inclusive uma fêmea na casa dela, que foi adestrada por um guarda municipal aqui da nossa cidade. E ela terá apoio desse guarda durante todo o período de adaptação do cão na casa dela", revelou de Palma.

    Quanto à sentir saudade, o policial se emocionou ao responder a pergunta. 

    "É algo do que não gosto de falar. Me dá um nó na garganta. São oito anos de convivência, de trabalho. Eu fico a maior parte do tempo com ele. Passo as 12 horas de trabalho com ele aqui no quartel ou dentro da viatura nos momentos de patrulhamento. É quase um filho, um companheiro de farda. Apesar de ter quatro patas, ele não deixa de ser um policial também. Ele tem os mesmos valores que um policial. É um companheiro. E é um companheiro que não tem ciúmes, não guarda rancor, que não guarda mágoa. Por mais que você esteja irritado com alguma coisa e dê uma bronca nele, cinco minutos depois ele está pedindo carinho novamente. É muito bom trabalhar com animais. Vai ser duro. Mas nós já temos um filhote para treinar, para ocupar o lugar dele. Mas não é o mesmo cão. Então a saudade vai permanecer", concluiu o Comandante.

    Thor e Comandante Ricardo de Palma
    Divulgação GCM
    Thor e Comandante Ricardo de Palma

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    Tags:
    Brasil, São Paulo, Rio Claro, Ricardo de Palma, Thor, cão farejador, entrevista
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