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    Elefante, que pertence ao ministério florestal, remove os detritos em Banda Aceh, na Indonésia, 10 de janeiro de 2005

    Guerra dos elefantes: conflito que distanciou as Berlins Oriental e Ocidental

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    Quando a cidade de Berlim foi dividida durante a Guerra Fria, os dois zoológicos da cidade, localizados nas partes ocidental e oriental da metrópole, enfrentaram uma "corrida do poder por animais".

    Como resultado da divisão da cidade durante a Guerra Fria, a capital alemã agora tem dois jardins zoológicos — Tierpark Berlin e o Jardim Zoológico de Berlim. De acordo com o livro O Zoológico dos Outros, escrito pelo jornalista alemão Jan Mohnhaupt, assim como os blocos ocidental e oriental foram bloqueados em um impasse global durante a segunda metade do século 20, estes dois estabelecimentos se envolveram em uma "corrida do poder" entre si, revela Sputnik Alemanha.

    Tierpark Berlin foi construído por causa da divisão da cidade. Mohnhaupt argumenta no livro que a decisão de construir este zoológico também foi influenciada pela Revolta da Alemanha Oriental de 1953. O governo da Alemanha Oriental construiu o novo zoológico como parte do seu Novo Curso para oferecer ao povo algo mais do que apenas melhorias de padrões de vida, bem como para oferecer aos cidadãos de Berlim Oriental uma opção de zoológico.

    Segundo Mohnhaupt, durante a Guerra Fria, o Tierpark Berlin, localizado na parte oriental, e o Jardim Zoológico de Berlim, na ocidental, enfrentaram uma "corrida do poder pelos animais", lançada por seus diretores: Heinrich Dathe e Heinz-Georg Klos. Embora essa "competição" tenha sido afetada pela rivalidade pessoal dos dois, ela era principalmente impulsionada por políticos.

    Um dos episódios desta competição ficou conhecido como a "luta de elefantes".

    Em 1960, Willy Brandt, prefeito de Berlim Ocidental, ordenou que o "fosso" entre três elefantes no zoológico ocidental e dois em sua contraparte oriental se alargasse e permitiu a Klos comprar mais elefantes. Logo depois disso, Dathe recebeu uma diretriz similar da liderança da Alemanha Oriental. Eventualmente, a população de elefantes do Jardim Zoológico de Berlim totalizou onze, enquanto Tierpark Berlin tinha apenas cinco. Para Klos, significou ganhar "vitória na batalha", disse Mohnhaupt, apontando como a "linguagem militar" refletia a rivalidade entre os dois zoológicos.

    No final, Klos emergiu triunfante logo após a queda do Muro de Berlim, Dathe foi expulso de sua posição "de uma forma um pouco feia", de acordo com Mohnhaupt, e morreu pouco depois aos 80 anos. Enquanto isso, Klos se tornou um membro do conselho de supervisão do Tierpark Berlin e manteve a capacidade de influenciar nos assuntos de ambos os jardins zoológicos nos anos 2000.

    Apesar de tudo isso, a "vitória moral" nesta improvisada "guerra fria" pertence a Dathe.

    "Muitos anos se passaram e, no entanto, as pessoas ainda se lembram do nome de Dathe. Há uma Praça Dathe (Heinrich-Dathe-Platz) em Berlim, e uma escola nomeada em homenagem a ele", explica o autor.

    Enquanto o ex-diretor ainda é lembrado com carinho por toda a antiga Alemanha Oriental, apenas os residentes idosos do que costumava ser Berlim Ocidental lembram o nome de Heinz-Georg Klos.

    Além disso, os visitantes dos dois zoológicos de Berlim, ambos em funcionamento mesmo após a longa rivalidade que durou até 1989 e a ameaça de fechamento depois de 1990, podem ser considerados os "terceiros vencedores", acrescentou Mohnhaupt.

    "Ambos os zoológicos prosperaram por causa de sua rivalidade. Eles são muito diferentes, mas ao mesmo tempo se complementam: um deles é um zoológico da cidade no centro do oeste da cidade, enquanto o outro é um parque magnífico", concluiu.

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    Tags:
    rivalidade, jardim zoológico, elefantes, Guerra Fria, Berlim, Alemanha
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