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    Teteada masiva em Colombia, em 3 de agosto de 2016

    'Teteadas' em massa reivindicam o direito à amamentação em público

    © AFP 2019 / Guillermo Legaria
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    A cada dia que passa é mais frequente encontrar, nas redes sociais, atos de solidariedade às mães que enfrentam repressões por amamentar em público. Em entrevista à Sputnik Mundo, uma socióloga falou sobre a existência de uma "onda conservadora" que tenta "recolonizar o corpo feminino".

    Manifestações de amamentação em grupo foram registradas no México, Argentina, Brasil e Uruguai. A maioria reclama da reprovação enfrentada por mulheres enquanto amamentam seus filhos em lugares públicos. A manifestação mais significativa juntou cerca de 500 mulheres que resolveram promover uma 'teteada em massa'. Este foi o nome que recebeu a iniciativa, realizada na cidade argentina de San Isidro, em apoio a uma mãe que foi interrogada por policiais por dar de mamar a seu filho em uma praça.

    Em 2014, tal protesto foi realizado no Chile:

    No Brasil, o protesto ocorreu em um shopping na região sul do país, em julho. A razão foi a mesma: um guarda de segurança pediu para que a mãe, que estava amamentando seu filho, fosse embora da praça de alimentação do shopping. A mulher, indignada, escreveu em sua página do Facebook, mencionando a existência de lei local que permite a amamentação em lugares públicos. Não demorou muito para que a reclamação da mãe se tornasse viral nas redes sociais, impulsionando a realização do protesto no mesmo centro comercial, de onde ela foi obrigada a sair.

    "Amamentar em público é muito mais aceito na América Latina do que nos Estados Unidos, mas acho que vem ressurgindo uma onda conservadora que tenta recolonizar o corpo feminino", considerou em entrevista à Sputnik Mundo, a socióloga brasileira Natália Mori, que viveu nos Estados Unidos de 2012 a 2016 com seus dois filhos pequenos.

    "Lá é um horror. As mulheres literalmente se escondem. Há uma concepção moralista diferente, como se fora um ato de perversidade", contou. De fato, há todo um mercado de acessórios para tapar o peito durante a amamentação em público nos EUA.

    Enquanto centenas de mães têm ocupado lugares públicos para dar de mamar simultaneamente, como forma de reivindicar os seus direitos, a hashtag #teteadamasiva se consolida como um protesto permanente nas redes sociais. No Instagram, há milhares de fotos de mulheres amamentando seus filhos. A deputada argentina Victoria Donda é uma delas.

     

    No Facebook, usuários relataram que a plataforma de Mark Zuckerberg bloqueou suas contas temporariamente após a publicação das imagens.

    Mulheres com visibilidade pública deram sua contribuição à causa através das suas áreas de trabalho, entre elas, parlamentares da Argentina, Brasil, Espanha e, mais recentemente, da Islândia. Dois jornalistas argentinos, durante transmissão de noticiário, prestaram solidariedade à causa:

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    Tags:
    mulheres, saúde, público, amamentação, América Latina
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