03:26 16 Setembro 2019
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    Manifestação saúde
    Joélcio Santana/Força Sindical

    Especialista em saúde: 'para esse governo, povo não tem que fazer parte das diretrizes'

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    Esta semana, movimentos sociais como a Frente Brasil Popular e a Povo sem Medo prometem realizar manifestações em várias cidades do país em defesa do atendimento de saúde pública e de programas como o Serviço Único de Saúde (SUS), Mais Médicos, entre outros, que estariam ameaçados com as novas diretrizes do governo interino.

    Para muitos especialistas, programas como o Mais Médicos são fundamentais para levar às populações mais carentes, em especial nas regiões mais remotas do país, uma prestação mínima de atendimento médico. O Mais Médicos, por exemplo, contabiliza hoje 18.240 profissionais atuando em 4.058 municípios, incluindo 34 comunidades indígenas, atendendo a mais de 63 milhões de pessoas. 

    O fisioterapeuta Antônio Ferreira dos Santos Neto, militante dessas frentes, se mostra preocupado com as declarações do novo ministro da Saúde, Ricardo Barros, para quem o SUS está superdimensionado e que é preciso oferecer aos brasileiros planos de saúde mais em conta.

    "Temos que reconhecer que o Mais Médicos, por exemplo, é uma conquista significativa, sobretudo para as periferias e para as pequenas cidades do interior do Brasil, onde não há atendimento primário. Quando você ouve um ministro da saúde, ao tomar posse, dizer que o SUS está grande demais, isso significa que nós estamos tendo um atendimento de primeiro mundo, e que há privilégios no atendimento da saúde do povo brasileiro, o que não é verdade. Assistimos todos os dias a pessoas morrendo nas filas dos hospitais por falta de atendimento."

    Santos Neto afirma que o modelo de saúde hoje no Brasil cumpre a lógica dos laboratórios. 

    "Se você chega na sala de atendimento, muitas vezes você nem abre a boca e o cara já estende a mão com a receita. Atende em cinco minutos e depois vem o veredito: 'tome isso que você fica bom'. O serviço de saúde no Brasil se resumiu a receita de medicamentos. Em cinco minutos de atendimento um profissional de saúde não tem condições de fazer um diagnóstico para indicar o tratamento mais adequado. O nosso sistema vive de preencher fichas, de preencher números. Tem que se levar em conta não a quantidade de atendimentos, mas a qualidade." 

    O fisioterapeuta e ativista lembra que uma das conquistas mai importantes da Constituição de 1988 foi a da garantia de assistência à saúde ao cidadão brasileiro. Segundo ele, mesmo com todas as precariedades, esse é um sistema que tem funcionado para aqueles que precisam, uma porta de socorro aos mais carentes que procuram os serviços de saúde.  

    "Se você diz que o brasileiro precisa de um plano de saúde mais popular, você pode privatizar tudo. No Brasil hoje, a prioridade é juntar dinheiro para pagar rentista (investidor), e para esse governo povo não tem que fazer parte das diretrizes do Estado, que tem que investir apenas a serviço do lucro."

    Santos Neto considera que toda movimentação que for efetivada no sentido de defender diretos nesse momento é fundamental. 

    "O que não dá é para a gente ficar de braços cruzados aguardando que venha a porrada. Tem que haver resistência porque, se não houver, isso significa que o ministro está correto. Infelizmente o povão não tem consciência disso. Se tivesse, principalmente daqueles que habitam os grotões das periferias, esse governo já teria sido deposto. Tem gente na periferia que não tem dinheiro para comprar o pão, o leite. Essas pessoas se sentem alijadas do processo produtivo, e o cara (o ministro da Saúde) ainda vem com uma argumentação dessa natureza."  

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    Tags:
    planos de saúde, saúde pública, hospitais, médicos, SUS, Ricardo Barros, Brasil
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