14:56 13 Dezembro 2017
Ouvir Rádio
    Gholamreza Majidi

    A vida tormentosa de um afegão com aspecto europeu

    © Sputnik/ Kasra Rouyee
    Sociedade
    URL curta
    201

    Gholamreza Majidi é um afegão comum. Ou melhor, não é comum por completo. Seu aspecto não se parece com um do Médio Oriente: ele tem a pele clara e o cabelo cor de ouro. Ele tem olhos azuis e fica vermelho sob o sol afegão.

    A família de Gholamreza mudou para vários países. Agora os seus familiares vivem na cidade afegã de Sarpol, mas 30 anos antes viviam no Irã, onde nasceu Gholamreza Majidi. Seis anos atrás, ele voltou para a terra de seus antepassados e agora vive e trabalha em Cabul e se sente muito sozinho – é pouco provável que na capital do Afeganistão haja alguém semelhante a ele.

    "Sim, eu fui muitas vezes tomado por alemão", disse Gholamreza numa entrevista à Sputnik. "Aqueles que ainda encontraram a presença das forças armadas da URSS, julgam que eu sou russo e chamam-me de ‘soviético’. Há quem me julgue inglês, outros — um cidadão de algum outro país europeu".

    Para algumas pessoas essa aparência europeia, e em alguns aspectos mesmo eslava, seria uma grande oportunidade para se destacar da multidão e atrair a atenção entusiasta dos transeuntes. Mas, no caso de Gholamreza, ele não é tão optimista, ele deseja apenas não sofrer nenhum incidente! O nosso herói sofre constantemente ofensas, que lhe são endereçados nas ruas do Afeganistão.

    Gholamreza Majidi
    © Sputnik/ Kasra Rouyee
    Gholamreza Majidi

    "Houve momentos em que alguém jogou pedras e gritou palavrões para mim. Eu fui forçado a fugir. Não estou disposto a entrar numa briga com desordeiros sobre a minha nacionalidade", diz Gholamreza.

    Houve também outras situações em que Gholamreza se sentiu desconfortável. Por exemplo, nos feriados religiosos. Sua presença nos feriados religiosos, na mesquita ou perto dela, durante as celebrações causa várias questões da gente à sua volta.

    "Uma vez eu consegui entrar na mesquita", diz Gholamreza. "No entanto, antes de eu começar a fazer o salah, o povo começou a me filmar e fazer fotos comigo. Então, essas pessoas carregaram essas fotos no Facebook com comentários ‘um estrangeiro abraça o Islã e agora está orando na mesquita conosco'".

    Gholamreza sofre a nostalgia dos dias em que viveu no Irã.

    "Então, eu era apreciado como todos os louros, me davam sinais de atenção. Especialmente as mulheres locais, para quem a cor do cabelo louro é um padrão de atratividade no homem. Era mais fácil fazer novos amigos. Aqui no Afeganistão, na minha pátria histórica, eu atravesso tempos difíceis. Aqui a minha aparência tem um papel negativo. Infelizmente, hoje no Afeganistão ser um europeu significa sofrer desconforto e até mesmo perigo, para se tornar em um alvo de terroristas ou raptores", disse Gholamreza Majidi, um afegão diferente de todos os outros.

    Mais:

    Afeganistão comemora decisão americana de atacar Talibã
    Apesar dos ataques, EUA defendem reconciliação entre Talibã e governo no Afeganistão
    Explosão em mesquita no Afeganistão causa mortes e feridos
    Tags:
    sociedade, Irã, Afeganistão
    Padrões da comunidadeDiscussão
    Comentar no FacebookComentar na Sputnik