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    O que é que as bombas, a vodka e Putin têm em comum? - The Guardian

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    A percepção ocidental da Rússia se baseia em clichés, sejam eles recentes ou os da era soviética. Verdadeiramente, esse processo de ver o país através de lugares comuns nunca se interrompeu. O jornal britânico The Guardian mostra o absurdo de algumas críticas feitas ao maior país do mundo.

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    Jim Kovpak, do jornal britânico The Guardian, enumera os estereótipos mais difundidos sobre a Rússia na mídia ocidental.

    A Rússia é tão diferente do Ocidente!

    Os jornalistas ocidentais exageram sua surpresa com as profundas diferenças entre a Rússia e a Europa, escreve Jim Kovpak. "Claro, há diferenças. Mas por quê ficar tão surpreendido?", pergunta ele.

    "Sem entrar em detalhes, pode-se dizer: A causa da diferença clara entre a Rússia e outros países consiste nas sete décadas de domínio soviético", escreve o jornalista. Neste momento, Rússia foi influenciada por um sistema que era cardinalmente diferente do ocidental. Este sistema teve uma poderosa influência cultural não só na Rússia e nas diversas repúblicas soviéticas, mas também — em menor grau — em alguns países da Europa Oriental.

    A vida na Rússia é extremamente difícil!

    Esta é a conclusão de inúmeros colegas do jornalista. Esta ideia tornou-se outro lugar comum. “Mas eu acredito que muitos jornalistas ocidentais que vivem e trabalham na Rússia usam esses preconceitos apenas para seus leitores em casa, para mostrarem o quão sagazes e experientes eles são", escreve Kovpak.

    A Guerra e Paz está de volta!

    A comparação constante da Rússia moderna com a literatura russa clássica, de acordo com o autor, parece um pouco fora de propósito. A seus colegas jornalistas Kovpak apela:

    "Todos entendem isso. Vocês leram “Guerra e Paz” de Tolstoy. Para quê comparar o metrô de Moscou em horários de pico com a Batalha de Austerlitz? Ou é só para mostrar a todos que você leu este livro?".

    Os russos são muitos orgulhosos de sua literatura clássica e certos conhecimentos literários são, sem dúvida, úteis para fazer amigos. "Mas talvez a história literária seja uma questão de especialistas em literatura e não dos jornalistas?", pergunta o autor. "O que pensariam os americanos se os jornalistas estrangeiros ligassem cada informação sobre os Estados Unidos com um livro escrito por Mark Twain ou Ernest Hemingway? Você tem de relacionar cada artigo sobre o Reino Unido com Shakespeare ou Arthur Conan Doyle?", acrescentou ele.

    Prostituição em todo o país!

    "Quando se trata de direitos das mulheres na Rússia, quase todos os autores ocidentais atacam a Rússia em duas questões: que as mulheres russas são forçadas à prostituição e que as agências de casamento trabalham para os homens estrangeiros", disse Jim Kovpak.

    É verdade: a prostituição, o tráfico humano e a escravidão sexual são um grave problema na Rússia. Mas não só na Rússia!

    Segundo Jim Kovpak, muitos outros países que têm lutado pelos direitos das mulheres enfrentam problemas semelhantes. Mas os jornalistas ocidentais parecem se esquecer disso….

    E, claro: bombas, vodka e Putin!

    Há autores e jornalistas que gostariam de incluir nos seus artigos alguns chavões russos necessários — Stalin, vodka, pelmeni [um prato da culinária russa], matrioskas [bonecas tradicionais da Rússia], bombas… E, claro, Putin! Mesmo quando o artigo não tem nada a ver com o Presidente.

    Imagine, um jornalista russo queria escrever algo sobre a Alemanha: A vida na Alemanha de hoje é cheia de problemas, como uma barraca de cerveja na Oktoberfest! <…> Ou: É difícil encontrar um emprego? Usando o meu artigo, você vai encontrar um mais rápido do que dizer Blitzkrieg", graceja o autor.

    "Será que um jornalista russo com tal texto realmente interessará seu público?", pergunta Kovpak.

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    Tags:
    matrioska, pelmeni, vodca, Vladimir Putin, Rússia
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