02:43 14 Dezembro 2019
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    Transgênero egípcio

    Transgênero egípcio: ‘Meus órgãos sexuais eram invertidos’

    © Sputnik / Akhmed Badr
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    A vida de cada pessoa se divide em vários períodos: antes e depois da escola ou universidade, antes e depois da mudança do lugar de residência ou, infelizmente, antes e depois da tragédia. Mas a vida de algumas pessoas é dividida em “antes e depois” de mudar o sexo.

    Nader, que antes era Majedah, divide a sua vida por este mesmo critério. Ele se transformou em um homem após alguns acontecimentos pelos quais teve de passar. 

    Nader compartilhou com a Sputnik os detalhes da sua vida pessoal, cuja história até o momento não é aceita pela população local e é considerada vergonhosa na sociedade árabe. Depois de viver 21 anos em corpo feminino, Nader (ou Majedah, na época) tomou a decisão de mudar de sexo e tornar-se um homem. Mas ninguém o reconhece como homem, exceto ele mesmo.

    “Quando eu tinha cinco anos, entendi que alguma coisa estranha acontecia comigo. Informei meus pais sobre as minhas sensações estranhas, mas devido a várias circunstâncias nós adiamos o estudo do problema. Mas com o tempo eu me certificava cada vez mais de que não era uma menina, apesar de alguns aspectos de feminilidade”, disse Nader.

    Segundo ele, os médicos só depois de alguns anos de testes conseguiram confirmar que “Majedah” não era uma menina.  

    “Os meus órgãos sexuais eram invertidos”, acrescentou Nader.

    Depois da confirmação médica, ele teve de passar por uma série de operações plásticas. Mas em primeiro lugar precisou da ajuda de um psicólogo, porque viver em corpo feminino por 21 anos e depois disso descobrir que é um homem foi um golpe moral. Depois da conclusão do curso de reabilitação psicológica, começou uma série de transformações plásticas.

    Nader ainda não acabou o processo de mudança de gênero e ainda precisa de operações plásticas suplementares. E, apesar de que as operações tenham sido realizadas em instituições médicas oficiais no Egito, as autoridades egípcias se recusam a mudar oficialmente os dados no campo “sexo” em todos os documentos de Nader. O problema é que o governo não reconhece as conclusões de médicos de hospitais privados.

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    “Ainda me resta uma operação em hospital público que me dará um atestado que me permita obter do governo o reconhecimento de que sou um homem”, diz Nader sobre seus planos.

    Tags:
    sexo, operação, medicina, Egito
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