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    Microfranquias é setor da economia que não sabe o que é crise

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    Em tempos de crise e com o aumento do desemprego, o setor de franquias é um dos que melhor reagem às turbulências. E dentro de todos os segmentos deste negócio, o de microfranquias é o que vem apresentando as maiores taxas de crescimento desde 2011, segundo dados da Associação Brasileira de Franchising (ABF).

    Conforme levantamento da ABF, em 2011 o Brasil contava com 336 redes classificadas como microfranquias, negócio que pode ser aberto com investimento de até R$ 80 mil, já incluída a taxa de adesão. Em 2013, esse total já chegava a 384, e em 2014 (último dado disponível), a 433. De lá para cá, o segmento só fez crescer, parte pelo aumento do desemprego, levando pessoas com capacidade gerencial a procurar abrir um negócio próprio, parte pelo desejo de pequenos investidores em obter retorno mais seguro do capital. Das várias modalidades de franquias, as ligadas ao setor de serviço têm mostrado maior expansão, justamente pelo fato de, ao contrário da indústria, não exigir a difícil administração de estoques.

    Um dos exemplos de sucesso nesse ramo é o da rede de lavanderias Lava e Leve, criada em janeiro de 2015 na cidade de Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, e que já contabiliza 230 franquias em todo o país. O fundador da marca e presidente, Fernando Martins de Oliveira, conta que a partir de R$ 40 mil já é possível abrir uma unidade da rede. Grande parte do sucesso do negócio ele atribui à filosofia de atuação: atender às famílias lavando a roupa do dia a dia, embora lavagens avulsas também sejam atendidas.

    "Um fator que está ajudando bastante a Lava e Leve a se desenvolver nessa crise que o país atravessa é que passou a ser uma alternativa às famílias que também estão em crise. Hoje ter uma empregada doméstica, uma diarista, ficou mais difícil para as famílias. A própria legislação das empregadas domésticas tornou mais difícil para uma família ter esse tipo de funcionário.”

    Fernando de Oliveira considera que “por ter um produto de alta demanda e baixo custo, o risco de uma lavanderia fechar é muito pequeno. Nesse ano de expansão de franquias não tivemos nenhum caso de lavanderia que fechou porque não teve mercado. É um investimento praticamente seguro”.

    Por ser franquia, e por ser associada à ABF, a empresa oferece ao franqueado tudo que ele precisa em termos de padronização, desde identidade visual própria, cadastro de fornecedores, treinamento de mão de obra, entre outras.

    “Damos toda assessoria, desde a escolha do ponto, compra de equipamentos, maquinário e insumos, instalações elétrica e hidráulica, treinamento de funcionários e até como captar clientes.  Além disso, o franqueado tem um sistema de gestão online que faz tudo, gera contrato e ordem de serviço, no caso da lavagem avulsa, tudo sem custo adicional." 

    Segundo Oliveira, nenhum dos franqueados da rede tinha trabalhado antes no ramo de lavanderias.

    “Alguns procuravam uma oportunidade de negócio com baixo investimento na área de serviços. Não tivemos problemas com a atual crise. Tivemos muitos franqueados que nos procuraram após perderem o emprego. Temos franqueados a partir de 22 anos, mas a média é em torno de 30.”

    Tags:
    crise, economia, ABF, Fernando de Oliveira, Brasil
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