05:47 24 Agosto 2017
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    Um policila turco segura rapaz sírio afogado perto de Bodrum

    Charlie Hebdo ‘reabre as feridas’

    © AP Photo/ DHA
    Sociedade
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    O jornal Charlie Hebdo não pára de publicar caricaturas polêmicas. Desta vez, o jornal publicou uma charge sobre os ataques de homens de origem árabe e norte-africana contra mulheres em Colônia, Alemanha, que ocorreram na noite do Ano Novo.

    Na caricatura há uma menina que foge dos homens cuja aparência parece uma mistura de porco e macaco. No canto de cima à esquerda é mostrada a imagem do menino sírio de três anos, Aylan Kurdi, cujo corpo foi encontrado no litoral turco perto da cidade de Bodrum. O menino afogou-se com a sua mãe e irmão mais velho na tentativa de fugir para a Europa. 

    A inscrição debaixo da imagem dá a entender que, se o rapaz se tornasse adulto, também ele seria um estuprador.

    A Sputnik contatou o pai do menino, Abdullah Kurd, para comentar a caricatura. 

    “Para falar a verdade, quando vi a imagem, não pude conter as lágrimas. Nem consigo descrever a amargura que senti naquele momento. O que eles fizeram é horrível, é um insulto à memória do meu filho”, disse Abdullah Kurd.

    Abdullah Kurdi, pai do rapaz sírio afogado
    © AP Photo/ Mehmet Can Meral
    Abdullah Kurdi, pai do rapaz sírio afogado

    A primeira edição (depois do ataque) do semanal satírico francesa Charlie Hebdo
    © AP Photo/ Lionel Cironneau
    O homem adicionou que a redação da revista deveria ter mostrado respeito por Aylan e a sua família. 

    Antes, a revista escandalosa já publicara caricaturas que ofenderam os sentimentos de muitas pessoas, especialmente quanto desenharam charges do profeta Maomê e até de Alá. 

    “Se eles ousaram profanar as coisas mais sagradas, não é de surpreender terem publicado uma charge do meu filho”, afirmou Abdullah Kurd, apelando ao jornal para respeitar a memória de todas as crianças mortas. 

    “Não reabram as feridas dos parentes, elas continuam sangrando”, concluiu o pai do menino

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    Tags:
    caricaturas, Charlie Hebdo, Síria, França
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