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    Nas vésperas e durante a Segunda Guerra Mundial o Japão desenvolveu e testou armas bacteriológicas em pessoas para compensar a falta de outros tipos de armas, revelou a doutora em ciências históricas Galina Tkacheva à Sputnik.

    Recentemente, o Serviço Federal de Segurança da Rússia desclassificou, pela primeira vez, evidências sobre o desenvolvimento de armas bacteriológicas pelo Japão, seus testes em pessoas vivas e planos para as usar contra a União Soviética.

    Os militaristas japoneses quase as consideravam um meio capaz de desempenhar um papel decisivo na luta contra as tropas inimigas.

    Protocolo de Genebra

    Entretanto, em 1925 vários países, incluindo o Japão, assinaram o Protocolo de Genebra, um acordo internacional que proibia o uso de armas químicas ou biológicas durante a guerra.

    "Mas o texto desta convenção de 1925 não previa a proibição da produção de armas bacteriológicas e seus testes", observou Tkacheva.

    Segundo a especialista, o Japão desenvolveu armas bacteriológicas, não porque se aproveitou de omissões no texto da convenção, mas porque tinha seus objetivos militares estratégicos.

    Japoneses prisioneiros após os combates de Khalkhin Gol entre as tropas da URSS e Mongólia, de um lado, e do Japão, do outro lado, 1939
    © Sputnik / Pavel Troshkin
    Japoneses prisioneiros após os combates de Khalkhin Gol entre as tropas da URSS e Mongólia, de um lado, e do Japão, do outro lado, 1939

    Durante o interrogatório no âmbito do julgamento de Khabarovsk em 1949, o ex-chefe do departamento de produção da unidade especial nº 731 do Exército de Guangdong, major-general Kiyoshi Kawashima, deixou claro por que o Japão estava desenvolvendo planos para uma guerra bacteriológica, disse a historiadora.

    "O fato é que o Japão não tinha as reservas de matérias-primas necessárias para a produção de quantidade de armas que necessitavam. E os militares japoneses precisavam de usar os outros tipos de armas para suprir essa lacuna. Naquela época, as armas bacteriológicas eram consideradas as mais eficazes", explicou Tkacheva.

    Os militares japoneses realizaram experimentos não para fins científicos, mas especificamente com o objetivo de criar armas bacteriológicas e as usar em larga escala contra a URSS. Os militares poderiam agir apenas com a aprovação oficial de seu imperador, destacou Tkacheva.

    "Era o imperador quem tomava a decisão final sobre uso de armas bacteriológicas", revelou a historiadora.

    Uso de armas bacteriológicas

    Pela primeira vez, armas bacteriológicas japonesas foram usadas contra as tropas soviéticas em julho e agosto de 1939 durante as operações militares em Khalkhin Gol, quando rios foram infectados com as bactérias da peste, cólera, disenteria, febre tifoide, antraz e sapa.

    Além disso, no final de agosto de 1939 foi registrado outro caso de ataque biológico com pulgas infectadas com a peste.

    No entanto, essas ações não tiveram efeito bélico, dado que os epidemiologistas militares soviéticos conseguiram diminuir significativamente o impacto das armas bacteriológicas japonesas, vacinando as tropas com antecedência.

    Além disso, o fornecimento centralizado de água e alimentos excluía a entrada de micróbios. Os militares soviéticos também realizaram a desinfecção constante dos locais de posicionamento e sobretudo das fontes de água.

    Pelo contrário, os militares japoneses sofreram de suas próprias armas bacteriológicas, tendo ficado infectados com cólera, disenteria e febre tifoide. Muitos deles morreram.

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    Tags:
    Rússia, Japão, arma, Segunda Guerra Mundial, Grande Guerra Pela Pátria, Exército, defesa, bactérias, arma biológica
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